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Por Leonardo Barros
Um “campista turco” no mundo do futebol. Cria do Jockey e revelado pelo Americano, Wederson, o Nunu, fez sucesso por clubes da Turquia. Ganhou passaporte do país, com o nome naturalizado de Gökçek Vederson, e a possibilidade de defender a seleção. Porém, lesões atrapalharam o processo, mas nada que diminuísse a idolatria da torcida turca pelo campista.
“Na época, a seleção turca tinha dificuldade com a lateral esquerda. Eu estava numa fase muito boa no Ankaraspor, marcando muitos gols e tive o convite para me naturalizar. A federação pegou meu passaporte para colocar visto para os países onde a seleção jogaria, mas infelizmente me lesionei e tive que fazer minha primeira cirurgia. Com isso, o tempo passou e também as chances de ser convocado”, lembra o ex-lateral.

Wederson defendeu cinco equipes do país, com destaque para o gigante Fenerbahçe, quando foi treinado por Zico e atuou ao lado de jogadores brasileiros como Alex, Deivid, Roberto e Edu Dracena. Na temporada 2007/08, fizeram a melhor campanha do clube na LIga dos Campeões, quando foram eliminados nas quartas de final pelo Chelsea.
“Os turcos me respeitam muito, sempre interagem nas redes sociais. Tenho vontade de voltar ao país em breve. A experiência no Fener foi uma das melhores da carreira. Não é sempre que temos a oportunidade de ser treinado pelo Zico e jogar ao lado de craques e ídolos como Roberto Carlos, Alex, Lugano, Edu Dracena, Deivid, Marco Aurélio, Maldonado”, conta Wanderson.


O homem dos gols de falta
Em sua carreira, Wederson colecionou gols de chutes de fora da área. Dos 76 marcados como profissional, acredita que cerca de 40 tenham sido de falta. Fato escasso no futebol atual. Porém, ele ressalta que não era só “chutões”.
“Os jogadores não treinam mais como antes. Antigamente, terminava o treino, e ficávamos no campo mais de uma hora só treinando falta. A repetição leva a excelência. Eu gostava de chutar forte, mas também tinha qualidade na bola colocada (risos)”, recorda.


A disposição e habilidade o acompanhavam desde muito cedo. Dos campinhos do Jockey, foi ainda criança para a escolinha do Sesi. De lá, aos 12 anos, o técnico Jorge Aquiles o levou para a base do Americano. Aos 18 anos, já aparecia no time profissional. Um pouco depois, em 2002, integrou o time alvinegro que fez história ao ser campeão da Taça Guanabara e Rio do Carioca.
“Esses títulos foram muito importante para mim e para o Americano, o que deu uma boa visibilidade ao clube, fazendo com que os grandes olhassem mais para os jogadores do elenco. Com isso, logo após, eu e mais seis jogadores fomos negociados com o Vasco, que tinha perdido a Taça Guanabara para o Americano”.


O Cruzmaltino foi apenas um dos clubes de destaque que defendeu. Wederson também passou por Internacional, Juventude e Ituano, antes de ir para o futebol turco. “Acredito que as passagens por esses grandes clubes, me deram experiência para chegar bem na Turquia, onde não senti tanto e logo me adaptei”.
A volta para o Brasil foi só para se despedir do futebol. Nunu voltou para casa, o Americano, da sua cidade natal. Jogou a Série B1 do Carioca de 2017, mas as lesões do passado ainda o assombram e decidiu pendurar as chuteiras. Logo na sequência, foi técnico do Sub-20 do Alvinegro e auxiliar do profissional. Apesar das boas campanhas, deu tempo do futebol e abriu uma escolinha de futebol. O retorno ao futebol foi no Espírito Santo.
“Há dois anos, recebi o convite para ser auxiliar técnico do Rio Branco, onde fui campeão capixaba e vice-campeão da Copa Centro-Oeste, onde trabalhei até julho deste ano”.
