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    Wilson Oliveira: 50 anos de jornalismo social e teatro

    15 de junho de 2026Nenhum comentário6 Mins Read
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    Wilson Oliveira: 50 anos de jornalismo social e teatro
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    Da rede da varanda até às redes sociais ele continua ativo e festejando a vida

    Foto: Silvana Rust

    Ele já completou 71 primaveras e é um compêndio dos verões mais quentes vividos nos balneários de Atafona e Grussaí, ambos de São João da Barra. Wilson Oliveira está completando 50 anos de colunismo social, retratando de forma sempre elegante os veraneios da chamada alta roda social nestas praias. Nascido em Ubatuba, São Paulo, ele se criou em São João da Barra, lugar que conhece como poucos.

    Formado em jornalismo pela antiga Faculdade de Filosofia de Campos e também em teatro de Martins Pena, no Rio, ele já montou mais de 50 peças e conheceu personalidades influentes como as ex-modelos Rose de Primo, Lula de Oliveira e Monique Evans. Para marcar essas cinco décadas de batente, ele está mensalmente realizando eventos em Atafona, Grussaí e Chapéu de Sol. Ao mesmo tempo, está dando tratamento final a um livro biográfico.

    Do tempo da datilografia, Wilson se atualizou e hoje não mais publica e sim posta com arrouba bombando no Instagram e em outras redes sociais.

    Wilson, conta a história do seu pai camareiro de navio de luxo e a relação com o empresário Simão Mansur.
    Meu pai era comissário de bordo da empresa chamada Linha C. É uma linha de navios que tem Eugênio C, Hélio C, uma linha de navios italiana. E aí o que aconteceu: o empresário Simão Mansur, fazendo cruzeiro num desses navios, conheceu meu pai. Meu pai, como comissário de bordo do navio, procurava saber a lista dos passageiros importantes e viu que tinha o nome do deputado Simão Mansur, que para quem não sabe, foi um dos homens mais ricos da região, chegando a ter uma frota de navios e um estaleiro. Meu pai então paparicava Simão, levando café é água até sua cabine durante o cruzeiro. Simão era um passageiro VIP, né? Ficaram amigos e um dia Simão quis que meu pai conhecesse sua fazenda em São João da Barra. Meu pai veio e se encantou. Conheceu minha mãe, durante uma festa de São João, no baile do padroeiro. Meu pai se apaixonou e não quis mais voltar para São Paulo.

    Essa história do baile é boa. Como foi?
    Era um baile popular, no Clube Democrata, na rua principal, e estamos falando do ano de 1948. Destaco aqui que meu pai foi hóspede de Simão Mansur na fazenda São Pedro e depois no Cassino que existe até hoje em Atafona. Naquele tempo, o cassino era de jogo mesmo. Meu pai se apaixonou no baile por minha mãe e também pela praia de Atafona.

    São 50 anos de jornalismo com foco social, nos balneários de São João da Barra, mais explicitamente Atafona, Grussaí, Chapéu de Sol, e também Campos. Como é que era Atafona, daquele tempo?
    Era tudo. Eu tinha que escrever todo dia uma página sobre as praias, e a alta sociedade. Fiz isso por quase 40 anos. Era uma página inteira sobre a sociedade para jornais de Campos e São João da Barra. Em um primeiro momento, eu era, digamos assim, um informante da saudosa Angela Bastos no jornal A Notícia, que conheci através do jornalista Hervê Salgado Rodrigues. Ele me convidou, mas não cheguei a escrever direto em A Notícia não. Fui escrever no extinto A Cidade, que tinha um maquinário moderno. Foi o professor Orávio de Campos Soares que me convidou para A Cidade. Também escrevi para o Jornal Folha Nova, o Jornal Tribuna Sanjoanense. Depois tive uma coluna no Monitor Campista.

    Você estava na época do filme Na Boca do Mundo, a Norma Bengell, o Antônio Pitanga, você acompanhou aquilo aqui?
    Tudo, tudo, tudo. A Norma Bengell ficou hospedada na casa da minha tia em Atafona. Esse foi um momento muito marcante. Muitas outras celebridades passaram por Atafona como Isis de Oliveira e diversas outras modelos. Esse filme foi rodado no Pontal.

    Você acompanhou os célebres carnavais de Clubes de Grussaí, Atafona?
    Eu fui o diretor social do Atafona, que na época era presidido por Mario Tavares Fernandes. Eram grandes bailes de Carnaval. Com o tempo, esses clubes foram acabando e os veranistas de Atafona e Grussaí começaram a descobrir o Carnaval de rua de São João da Barra, famoso hoje em todo o país. Teve o tempo dos clubes, sim.

    E a Jiripoca?
    Nasceu nas praias. Deram esse nome. Aí fui consultar o Aurélio Buarque de Holanda e aí lá diz, jiripoca é um peixe que pia e anda tudo acima como um cardume. A nossa era na forma de caixas de som que eram transportadas para as praias… e à noite a jiripoca bota as boquinhas pra fora d’água e começa a piar. Esse nome acabou pegando. Primeiro bloco de embalo, porque a verdade é isso, esses blocos que surgiram, surgiram muitos, mas o pioneiro foi o Jiripoca. Eles são chamados blocos de embalo, né, como têm no Rio de Janeiro, em Salvador, muito. E batizamos o trio dos meninos de Jiripoca e ficou até hoje, já fez 35 para 40 anos.

    Mas hoje São João da Barra é a dona do Carnaval, com quase 200 mil pessoas.
    Exatamente, isso. E hoje tem mais um número de blocos de embalo. São muitos os blocos de embalo, acho que mais de 30, além dos tradicionais que desfilam e isso é muito bom para o turismo de São João da Barra.

    A grande dama de Atafona continua sendo a saudosa Marília Aquino? Concordamos nisso?
    Exatamente. Marília Aquino, a eterna primeira-dama de Atafona. Vamos lembrar aqui que ela era mãe de Lia Miriam Aquino Cruz. Era a Musa Iluminada. Marília Aquino. Depois veio Marina Montini, que eu conheci no estúdio do Di Cavalcanti. O pintor convidou Marina para ser a modelo dele em quadros.

    E o Chapéu de Sol?
    Eu acho hoje, por exemplo, que Chapéu de Sol é a praia do futuro. Casas de arquitetura moderna, condomínios e restaurantes. Tem muito potencial para crescer ainda mais. Eu estou comemorando esses 50 anos de jornalismo com eventos em Atafona, Grussaí, Chapéu de Sol e como não poderia deixar de ser, também em São João da Barra.

    A casa dos Aquino até hoje é uma referência, mas tinha também a maior de todos, do Aylton Damas, que o mar levou. Fale dela.
    Casa amarela, bonita, né? Muro alto, imenso. Aylton era festeiro em São João da Barra. Ele criou, durante os Carnavais de lá, um concurso de dominó. Dominó é aquela fantasia, é uma máscara, um capuz grande, que é próprio mesmo de São João da Barra. Esse dominó vinha abraçando todos.

    E hoje, como você está se relacionando com o mundo digital?
    Continuo trabalhando e me adaptando. Fiz rádio paralelo à mídia impressa e isso ajudou. É claro que tenho as redes sociais, pois busco me atualizar sempre. Fomos muito saudosistas nesta entrevista. Mas são 50 anos e não dá para passar batido. Mas toda essa comemoração cercado de amigos está sendo registrada nas minhas redes sociais.

    E o livro?
    Estamos trabalhando neste projeto. É um projeto em parceria com o Bruno Costa, na condição de ghost writer, pontuando cada momento dessa história.

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