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Artigo

1 de novembro de 2026 – 0h01

Rodrigo Lira – Doutor em política, professor e pesquisador do programa de doutorado em Planejamento Regional e Gestão de Cidades da Universidade Candido Mendes – Uma eleição não define para sempre a identidade do eleitorado. Ela retrata uma conjuntura marcada por segurança, economia, serviços públicos, crenças, lideranças e expectativas. Maiorias podem ser expressivas sem serem permanentes.

Brasil e Campos oferecem exemplos de ondas de mobilização. Em 2016, a rejeição ao grupo político da família Garotinho favoreceu a vitória de Rafael Diniz no primeiro turno. Em 2018, Jair Bolsonaro construiu uma identidade que impulsionou aliados como Wilson Witzel. Em 2026, o bolsonarismo voltou a mostrar força no Norte e Noroeste Fluminense. Ao mesmo tempo, a mobilização em torno de Lula ajudou a alterar o ambiente nacional entre os turnos.

Em Campos, Flávio Bolsonaro venceu as duas votações, mas passou de 160.859 para 159.470 votos. Lula avançou de 91.105 para 115.927: foram 24.822 votos adicionais. Os números não permitem identificar quantos eleitores mudaram de preferência, voltaram às urnas ou migraram de outras candidaturas. Revelam, contudo, tendências consistentes e uma disputa que permanece aberta.

As ondas eleitorais surgem da combinação de valores, lideranças, redes de relacionamento e sentimentos coletivos. As plataformas digitais aceleram sua difusão, enquanto a mobilização nas ruas lhes confere presença e capilaridade. Não se trata apenas de ideologia, mas também da capacidade de despertar identificação, esperança ou rejeição.

Interpretar uma eleição como conversão ideológica definitiva de toda uma região seria um erro. A sociedade não muda integralmente de valores de um domingo para outro, mas tampouco permanece imóvel.

Mais importante que perguntar se Campos é de direita ou de esquerda é compreender quais problemas, expectativas e projetos conseguem mobilizar seus cidadãos em cada momento histórico. Afinal, o eleitorado não tem dono: as maiorias precisam ser construídas e reconstruídas pela política.

O conteúdo dos artigos é de responsabilidade exclusiva dos autores e não representa a opinião do J3News.

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