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Por Leonardo Barros

Os campinhos de Conselheiro Josino, em Campos, formaram Rubens Galaxe. Polivalente, versátil, talentoso, o volante da “Máquina Tricolor” não guardava posição: também foi zagueiro, lateral, meia, atacante… Quase jogou nas onze, porém a baixa estatura impediu o coringa de ser goleiro. “Talvez se fosse mais alto”, contava nas entrevistas, não definindo se era apenas uma brincadeira ou uma possibilidade. Os 15 anos de Fluminense foram cercados de elogios à sua aplicação tática que o levaram a ser titular por várias temporadas, rendendo o título de sexto jogador com mais partidas com a camisa tricolor – 465 no total.
A chegada às Laranjeiras foi ainda na adolescência, levado pelo irmão Adilson, um torcedor de carteirinha do Tricolor. Aprovado no clube, conviveu com Pinheiro, zagueiro campista da Copa de 1954 e que deu oportunidade a outros conterrâneos, como Denilson e Edevaldo. Profissional da base, o xerife não cansava de exaltar a polivalência de Galaxe. Pinheiro acreditava que o jogador que atuava em diversas posições era o futuro do futebol moderno.
“É um crime pensar que Rubens Galaxe é apenas um tapa-buraco. Ele é um jogador útil em qualquer canto do gramado”, disse Pinheiro em entrevista à Revista Placar em 1977.
Entre 1968 e 1971, Galaxe brilhou na base do Fluminense. Após se destacar na conquista de títulos, começou a ganhar oportunidade no time de cima, com o técnico Zagallo. Foi campeão Carioca logo em seu ano de estreia nos profissionais. No total, foram cinco taças do estadual em uma década nas Laranjeiras: 1971,1973,1975,1976 e 1980.
“Eu joguei todos esses jogos (465), porque atuei em várias posições, e, em muitas delas, eu fui campeão. Agora que eu fico pensando na importância disso, a dimensão é muito grande. Hoje é muito difícil os jogadores atingirem esse número. A minha trajetória no Fluminense é muito longa. Esse campo (de Laranjeiras) me traz coisas muito boas na memória e que eu jamais vou esquecer”, declarou o ex-jogador ao site do Fluminense, depois de visitar o museu do clube em 2025.
Com o Rei na África
Entre títulos e jogos importantes, Rubens Galaxe viveu uma experiência única na Nigéria. Pelé, já aposentado dos gramados, vestiu a camisa branca do Fluminense e atuou por 45 minutos em um amistoso contra o Racca Rovers. A ideia era que o Rei desse só o pontapé inicial da partida, mas uma “fake news” acabou forçando a sua participação. A imprensa local noticiou que o Atleta do Século ia a campo, o que não deu para desmentir na hora do jogo. Com o estádio recebendo mais de 30 mil torcedores, a polícia não garantiu a segurança sem Pelé.
“Tinha jogado contra o Pelé em partidas entre Fluminense e Santos, com ele já em final de carreira. Na Nigéria, joguei ao seu lado, com a camisa tricolor. Foi um momento inesquecível”, contou Galaxe ao Canal Do Valterson Botelho, no Youtube.
A trajetória do campista no Fluminense teve outra experiência internacional. Em 1974, ainda na transição da base para o profissional, Galaxe pediu para ser emprestado ao Millonarios, da Colômbia. A solicitação tinha um motivo especial: Sônia, sua futura esposa, era colombiana. Os dois se conheceram durante uma competição da seleção de base três anos antes. O coringa jogou a Libertadores pela equipe, mas acabou sendo eliminado ainda na primeira fase da competição.
“Eu ia para lá sempre no final do ano. Eu fazia um voo do Rio para Bogotá. Fui para lá umas três vezes até que em 1974 eu pedi para ir para lá para ficarmos juntos. O Zezé Moreira, que era técnico, facilitou o empréstimo. Eu acabei encerrando o contrato (com o Millonarios) lá, casei e voltei (para o Fluminense). Voltamos casados”, relembrou ao O Globo em 2022.
Com a amarelinha
Considerado um jogador promissor na década de 1970, Rubens Galaxe conquistou espaço na Seleção Brasileira de base. Foi campeão do Torneio de Cannes em 1971 e também jogou as Olimpíadas de 1972 – Munique, Alemanha Ocidental. Na época, chegou a disputar vaga com Falcão, deixando o craque na Roma no banco de reservas.
Com uma carreira consolidada, deixou o Fluminense na década de 1980, passando por São Cristóvão e Sobradinho-DF na sequência. Por fim, encerrou a carreira “em casa”, no Goytacaz, sendo treinador novamente por Pinheiro, seu primeiro e último técnico da sua trajetória no futebol.
Após pendurar as chuteiras, o campista voltou a mostrar polivalência. Trocou os estádios pelas salas de aula. Cursou Economia, Administração e pós-graduação em gestão esportiva na Fundação Getúlio Vargas.
Trabalhou no mundo árabe e no Remo (PA), foi auxiliar técnico no Fluminense, chegando a treinar interinamente os profissionais, além de comandar o sub-20 do Botafogo. Também foi servidor público do Estado do Rio. O que não mudou foi sua identificação com o Tricolor.
“Nunca fui vaiado pela torcida do Fluminense, só faltou mesmo o título de campeão brasileiro”.

