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    NÓ CEGO — O cenário do Brasil ante a campanha presidencial

    25 de agosto de 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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    NÓ CEGO — O cenário do Brasil ante a campanha presidencial
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    Economia em crise, acusações, escândalos e investigações. Regras de compliance são abandonadas

    Considerando como provável que o pleito presidencial seja decidido no 2º turno, o País está a dois meses de escolher o novo mandatário em disputa polarizada entre o presidente Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro.

    Num antagonismo que reflete o momento desfavorável vivido pelo Brasil, os referidos candidatos que melhor aparecem nas pesquisas são, também, os mais rejeitados. Lula, pelo sentimento antipetista que é tão forte quanto a fatia de eleitores que lhe é fiel; Flávio, por representar o bolsonarismo igualmente repelido por parte não menos numerosa da população. 

    Estamos a falar, portanto, de uma eleição a ser decidida pelos chamados neutros — os 20% que se deslocam de um lado para o outro não pelos projetos apresentados, mas pelos escândalos que atingem ora um, ora outro.

    As denúncias mais recentes e que estão sendo objeto de investigação — ocupando grandes espaços na imprensa — dizem respeito ao filho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, investigado pela Polícia Federal por suposto tráfico de influência para obtenção de vantagens no governo federal.

    O caso envolve a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, numa relação nada republicana com o objetivo de montar uma rede de contatos para emplacar contratos com o Ministério da Saúde e outros órgãos da União.

    O emaranhado vai longe: Roberta trabalhava com o lobista Antônio Carlos Antunes, o ‘Careca do INSS’ — aquele já velho conhecido, acusado de desviar recursos dos aposentados — e teria feito pagamentos no valor de R$ 249 mil ao ex-chefe de Gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, supostamente em troca de vantagens. O ex-assessor do presidente disse que os repasses seriam fruto de um empréstimo pessoal já quitado. 

    Toda essa confusão que envolve a empresária, mais Lulinha e o ex-chefe de Gabinete, aconteceu sem registro em agenda pública, sem transparência ou quaisquer regras de compliance. Enfim, tudo muito suspeito face à falta de informação sobre de que forma essas conexões aconteceram. 

    Lula em começo de campanha

    É uma lástima que no primeiro compromisso de campanha o presidente Lula tenha atacado o ex-presidente Bolsonaro, que absolutamente não é candidato a nada. Está preso. Ora, repetir agora o que exaustivamente se fez em 2022, não tem cabimento. 

    No Rio Grande do Norte, Lula afirmou que “se construiu um processo de mentira no Brasil durante a gestão anterior“. Gestão anterior? De novo?

    E ainda acrescentou: “Quando voltamos para o governo, encontramos um país totalmente desestruturado. Era um lugar abandonado, porque se construiu um processo de mentira nesse país. Era brincadeira na internet. Falar mal e provocar os outros. Nós reconstruímos esse país.”

    Juros altos e fechamento de lojas

    A economia brasileira enfrenta uma forte crise. Gigantes do varejo estão fechando as portas — semana passada foram várias as unidades que encerraram as atividades — face à alta carga de impostos e juros na estratosfera.

    Assim, vale recordar aqui a linha do tempo da taxa Selic, que se faz clara por si mesma, a saber:

    Durante o último período Dilma, de junho de 2015 até o impeachment, em 2016, a Selic ficou em 14,25%. Com Temer, a taxa base de juros iniciou o processo de queda. Em 2017, foi caindo mês a mês até chegar a 7,00% em dezembro. A redução permaneceu ao longo de 2018, fechando o fim do ano em 6,50%.

    Em 2019, com Bolsonaro, a Selic encurtou para 4,50% em dezembro. No ano seguinte, com sucessivas reduções, o Banco Central fechou com taxa de 2,00% a.a. Em 2021 e 2022, como os reflexos da pandemia e o tumultuado ano (eleitoral) de 2022, os juros voltaram a subir, chegando a 13,75%.

    Este foi o valor encontrado pelo presidente Lula da Silva quando assumiu o governo. De imediato, o mandatário se pôs a lançar duras críticas sobre Roberto Campos Neto — então presidente do BC —, assegurando que com os juros tão altos a economia ficava travada e que era preciso “colocar dinheiro na mão do povo”: “Roberto Campos não entende nada de Brasil” — dizia. 

    Em suma: Lula assumiu com a taxa de 13,75%. Hoje, decorridos três anos e oito meses de seu governo, a Selic está a 14%. 

    “Manter juros altos é a
    única arma à disposição
    do Banco Central para
    controlar a inflação.
    Isso porque, na gestão
    Luiz Inácio Lula da Silva,
    o governo tem sido
    sistematicamente
    irresponsável com as
    contas públicas e precisa,
    por isso, tomar dinheiro
    emprestado no mercado
    pagando mais caro”
    (Editorial de O Globo
    de 18.08.26)

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