Criminosos agem por telefone e conseguem enganar clientes em desvios de dinheiro

Uma suposta gerente de banco telefona para o celular de uma cliente. No aparelho, aparecem o número e a foto da gerente. Durante a ligação, ela diz que precisa confirmar alguns dados, alegando suspeita de que um funcionário da agência estaria desviando valores de contas. Surpresa com a situação, a cliente segue as orientações repassadas. A falsa gerente pede, então, que ela compareça a outra agência bancária para esclarecer o caso. Ao chegar ao local, a cliente descobre que ninguém do banco havia feito a ligação. Era um golpe.
O caso aconteceu com a professora Luciane Silva, em Campos dos Goytacazes. Criminosos clonaram o número telefônico de sua gerente, utilizaram uma voz semelhante e desviaram R$ 35 mil de sua conta no Bradesco, por meio da contratação de um empréstimo sem consentimento. O fato ocorreu no dia 23 de janeiro deste ano. Luciane registrou um boletim de ocorrência na 134ª Delegacia de Polícia Civil. Segundo a polícia, há outros registros semelhantes em Campos envolvendo o chamado “golpe do falso gerente”. Os criminosos agem por meio de telefonemas convincentes e conseguem enganar as vítimas, causando prejuízos financeiros.
“Recebi uma ligação que parecia ser do meu banco. Um homem se apresentou como funcionário da área de TI e disse que havia identificado operações estranhas na minha conta. Em seguida, uma mulher se passou pela minha gerente e começou a me orientar a fazer alguns procedimentos no aplicativo, afirmando que eram testes para tentar identificar tentativas de golpe. Ela falava com muita segurança, dizia que os valores seriam estornados e que estavam investigando possíveis fraudes, inclusive envolvendo alguém de dentro do banco. A voz era parecida com a da minha gerente, e naquele momento eu só queria resolver o problema. Segui as orientações, fiz operações via Pix e cheguei a contratar dois empréstimos, acreditando que tudo seria desfeito depois. Só mais tarde percebi que tinha caído em um golpe. Tive um prejuízo de R$ 35 mil e espero que nenhuma outra pessoa passe por isso”, relata.
A delegada da 134ª DP, Carla Tavares, afirma que a prática configura crime de estelionato e que existem outros casos semelhantes em investigação. “A orientação é que a vítima sempre procure sua agência bancária para confirmar a veracidade das informações recebidas por telefone. E, sempre que for vítima de golpe, registre o fato em uma delegacia policial, para que possamos investigar, identificar os autores e buscar o possível ressarcimento”, explica.
Desconfiar e denunciar
Em nota, o Bradesco informou que se trata de uma ação externa de engenharia social, em que golpistas se passam por funcionários de instituições financeiras e induzem o cliente a realizar transações em seus próprios dispositivos, sem perceber que está sendo vítima de fraude.
“O Bradesco adotou medidas preventivas contra o golpe da Falsa Central, criando uma funcionalidade que identifica quando o cliente acessa a conta enquanto está em ligação telefônica, exibindo alertas sobre riscos. Para continuar o acesso, é necessário confirmar que a conversa é com alguém de confiança. No Pix, além da biometria facial, o banco envia avisos antes da conclusão da transação e, em casos de retenção para análise, a confirmação pode ser feita pela BIA (Bradesco Inteligência Artificial) via WhatsApp. O banco reforça que não realiza ligações pedindo senhas, chaves de segurança, instalação de aplicativos ou acesso ao aplicativo para efetuar transações”, informou.
O Procon Campos orienta os consumidores a desconfiarem de ligações inesperadas e a nunca informar senhas, códigos ou dados bancários. O órgão também recomenda não clicar em links suspeitos, encerrar imediatamente a ligação e buscar atendimento apenas pelos canais oficiais do banco. Em caso de suspeita de golpe, o consumidor deve comunicar a instituição financeira, registrar a ocorrência e procurar o Procon.
O especialista em Tecnologia da Informação, Vinícius Carvalho, alerta que golpes com uso de inteligência artificial podem ser identificados pela análise do comportamento e do conteúdo da conversa. “Pedidos fora do padrão habitual, como transferências ou urgências financeiras, devem levantar suspeitas. Os criminosos utilizam técnicas de engenharia social, por isso é fundamental observar o modo de falar da pessoa e o tipo de solicitação para evitar fraudes”, conclui.

