Villa Maria, que recebe o Arraiá J3 novamente, se tornou patrimônio cultural do Estado do Rio de Janeiro

Falta menos de um mês para a segunda edição do Arraiá Solidário J3, que retorna no dia 25 de julho a partir das 16h. Para garantir o toque especial da festa mais bonita da cidade, a Casa de Cultura Villa Maria foi escolhida novamente como a casa do arraiá, que desta vez será ainda mais especial, já que o prédio foi reconhecido como Patrimônio Cultural, Material e Turístico do Estado do Rio de Janeiro.




A escolha da Villa Maria como local do evento passou longe do acaso. “A gente buscava em um local bonito, mas que também fosse central”, explica a gerente de eventos do J3, Gerlany Lyrio. “Quando olhamos para a Villa Maria, nós nos apaixonamos. Não teve lugar que fosse mais bonito para realizar a primeira edição, então, dessa vez a gente estará lá de novo. Acho que o nosso arraiá tem que ser na Villa Maria”, ressalta. Gerlany destaca ainda a receptividade da equipe da casa. “Eles abraçaram a nossa causa solidária, e a gente foi muito bem recebido por lá. É muito agradável, é ao ar livre, com aquele prédio lindo, e também une o tradicional, que é o prédio histórico que agora é patrimônio cultural do Estado do Rio, com a centralidade urbana e a propagação da cultura”, pontua.
Patrimônio centenário
Construído em 1918 por Atilano Chrisóstomo para sua esposa Maria Queiroz de Oliveira, a “Finazinha”, o palacete de arquitetura eclética é um dos poucos remanescentes do ciclo do café e do açúcar na região. Foi doado na década de 1970 para a primeira universidade que se instalasse na cidade. Com a inauguração da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) em 1993, a instituição passou a abrigar a Casa de Cultura Villa Maria, tornando-se um polo de difusão cultural com fonoteca, videoteca e o primeiro ponto de internet gratuita da cidade.


“A Villa Maria é um símbolo da integração entre a UENF e o povo de Campos. Há mais de 30 anos, funciona como um espaço onde artistas realizam suas primeiras apresentações e a sociedade se reúne em torno da arte”, afirma a deputada Elika Takimoto (PT), autora da Lei 10.467/2024, que definiu o tombamento da Villa Maria.
Elika relembra a articulação para o tombamento. “Por perceber que a Casa cumpria um papel de grande expressão, lutamos para reconhecer oficialmente esse espaço. Na época, a UENF era conduzida pelo reitor Raul Palácio e, posteriormente, na gestão da reitora Rosana, a cultura foi fortalecida como Diretoria”, lembra. A lei foi sancionada em 18 de julho de 2024.
O atual diretor de Cultura da UENF, professor Giovane Nascimento, destaca a importância. “Essa declaração permite pleitear financiamentos, como através da Lei Rouanet”, afirma. A Villa Maria já era tombada pelo município desde 2013. Além do tombamento estadual, a proteção municipal garante a preservação de sua fachada e elementos internos originais. Há pouco mais de um ano, o espaço passou por uma ampla reforma. O processo restaurou as características originais e criou um pequeno museu sobre a trajetória do casarão.
Cultura e democracia


Giovane destaca que a cultura é um instrumento importante de reação ao mundo globalizado, e a Villa Maria busca essa ampliação ao acesso e quebrar hierarquias artísticas. Sobre o Arraiá J3, ele ressalta a qualidade do evento. “É uma honra para Villa receber uma festa com a qualidade que é desenvolvida pelo J3, pelo cuidado com a casa, com o patrimônio, com a qualidade das atrações”, conta. Ele ressalta que o evento é resultado de um edital público. “O J3 se inscreveu, foi aprovado por uma curadoria, e por isso mesmo é um evento que é uma referência, acaba se tornando uma referência para a própria Casa de Cultura Villa Maria, por tudo que eles entregam”, destaca.
Giovane também enfatiza a importância da comunicação democrática promovida pelo J3News. “Eu acho que para a cidade também é importante, por tudo que o J3 já faz em termos de uma comunicação democrática. É uma comunicação muito comprometida com a cidade. Isso eu posso atestar porque a parceria do J3 e do Fábio Paes (diretor do J3 News) é sempre muito frequente com a gente, são sempre muito próximos, apoiando sempre”, diz.
Novo momento
Ainda segundo Giovane, a casa também celebra o novo momento após um edital público concorrido. O edital, que selecionou as atrações de forma isenta, reflete o compromisso com a pluralidade cultural. “Agora a gente vai lidar com o resultado do edital, que tornou o processo ainda mais transparente, democrático, para que qualquer artista do Estado do Rio possa se candidatar. Nós tivemos a candidatura, inclusive, fora do Rio de Janeiro. Foi um edital público, bastante concorrido, e que daqui para frente vai possibilitar muitas atrações interessantes e com temas múltiplos”, conta.
O prédio já era uma referência na cidade, e agora como patrimônio cultural do Rio, passa a ser uma referência estadual. “Com essa honraria, damos continuidade ao legado de Dona Finazinha e ao projeto idealizado por Darcy Ribeiro, garantindo que a Villa Maria permaneça como referência cultural não apenas em Campos dos Goytacazes, mas em todo o Estado do Rio de Janeiro”, finaliza Elika Takimoto.
