A passagem teve R$ 2 de aumento para passagens de todas as linhas da região Norte de Campos

Usuários do transporte público e moradores realizaram uma manifestação nesta quarta-feira (9) contra o aumento da tarifa das vans e micro-ônibus do Setor C, que atende localidades da região Norte de Campos. O reajuste de R$ 2, anunciado pelos permissionários para os trajetos que passam pela praça de pedágio da BR-101, começou a ser cobrado nesta quarta, mas o Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT) afirma que a elevação não foi autorizada pelo poder público.
Os novos valores são cobrados de passageiros que não utilizam o RioCard. A passagem para Santo Eduardo passou de R$ 16,50 para R$ 18,50; em Santa Maria, de R$ 15,50 para R$ 17,50; Mutuca/Divisa, de R$ 12 para R$ 14; Palmares, de R$ 11 para R$ 13; Murundu, de R$ 9,50 para R$ 11,50; Morro do Coco e Vila Nova, de R$ 8,50 para R$ 10,50; e Conselheiro Josino, de R$ 7 para R$ 9.
Para quem utiliza o RioCard, a tarifa subsidiada passa a ser de R$ 5,50. Desse valor, R$ 3,50 são descontados no cartão e outros R$ 2 são pagos pelo passageiro em dinheiro ou Pix, segundo os permissionários.
Segundo o representante do Setor C, Jefferson Oliveira, o aumento de R$ 2 foi adotado pelos permissionários devido ao reajuste do pedágio da BR-101. Ele afirma que o valor da tarifa está defasado e que o último reajuste ocorreu em 2022.
Jefferson também afirmou que os veículos que fazem os trajetos afetados passam pela praça de pedágio diariamente. Segundo ele, o aumento da tarifa seria necessário para compensar os custos adicionais do serviço.
Na terça-feira (8), o representante já havia declarado que os permissionários buscavam uma solução junto ao município, incluindo a possibilidade de isenção do pedágio para os veículos do transporte coletivo.
IMTT diz que aumento não foi autorizado
O IMTT, no entanto, afirma que não autorizou qualquer reajuste. Em declaração divulgada nessa terça, o interlocutor do Setor C, Enilson Montes, reforçou que permissionários não têm autonomia para alterar o valor da passagem.
“Qualquer aumento de tarifa somente o poder concedente pode dar. Empresários ou permissionários não têm esse poder. Qualquer cobrança a mais na tarifa implica em descumprimento e pode fazer com que medidas cabíveis sejam tomadas pelo IMTT”, afirmou.
Segundo Enilson, caso sejam identificadas cobranças acima do valor autorizado, os veículos podem ser fiscalizados e sofrer sanções.
O IMTT também informou que não tem conhecimento ou autorização para o aumento e que a cobrança de valor adicional não está permitida. O órgão afirmou ainda que realizará fiscalização e adotará as medidas cabíveis caso sejam constatadas cobranças indevidas.
“Tarifa miserável”
Apesar de reconhecer que o reajuste aplicado pelos permissionários não está autorizado, Enilson Montes cobrou uma decisão do prefeito Frederico Paes.
Em publicação nas redes sociais, o interlocutor classificou o valor atual como uma “tarifa miserável” e afirmou que a arrecadação não seria suficiente para cobrir os custos de operação e manutenção dos veículos.
“Torço para que o prefeito veja isso e acabe acordando e aumentando a nossa tarifa. Tarifa miserável que não dá nem para custear os nossos gastos, não dá para manter os carros”, declarou.
Na mesma manifestação, Enilson criticou usuários que se posicionaram contra o reajuste. “Doidos aí falaram que não querem pagar passagem mais cara porque o transporte não é digno. E não vai ser digno, enquanto você tiver essa mentalidade pobre e miserável de querer pagar só R$ 3,50”, disse.
Segundo a Prefeitura, a cobrança de qualquer valor adicional ao preço da passagem vigente não está autorizada. “Caso seja identificada ou comunicada qualquer cobrança indevida ou valor superior ao estabelecido, o IMTT adotará as medidas cabíveis e realizará a devida fiscalização”, disse o órgão municipal.

