Três homens renderam morador, amarraram suas mãos e reviraram o imóvel; vítima suspeita que ação tenha sido planejada com informações privilegiadas

Três homens armados invadiram uma residência e roubaram aproximadamente R$ 86 mil em dinheiro na madrugada desta quarta-feira (4), no Parque Leopoldina, em Campos. A ação criminosa durou mais de duas horas, segundo o relato da vítima, um idoso de 75 anos, à polícia. Os assaltantes também levaram cartões bancários da esposa do morador e documentos particulares. Antes de deixar o imóvel, os criminosos amarraram as mãos da vítima com um dispositivo conhecido como “enforca-gato”.
De acordo com o registro da ocorrência, obtido pelo J3News, os homens chegaram ao local por volta das 4h. O morador contou que os encontrou nos fundos da residência quando desceu para a garagem, por volta das 5h. Dois deles eram altos e tinham compleição física forte, enquanto o terceiro era mais baixo e magro, usando um chapéu camuflado.
Ao perceberem que haviam sido vistos, os invasores ordenaram que o morador ficasse em silêncio. Disseram que estavam fugindo da polícia e mandaram que ele não fizesse barulho. Em seguida, anunciaram que entrariam na casa.
Já dentro do imóvel, um dos criminosos afirmou conhecer o nome e a rotina da vítima. Também disse saber que ela guardava dinheiro em casa e que estava realizando uma obra nas proximidades. Segundo o relato, os assaltantes foram ao endereço especificamente para buscar a quantia.
Ainda segundo o registro, o morador informou que tinha cerca de R$ 300 em espécie e se dispôs a entregar o dinheiro. Durante a ação, um dos homens tentou entrar no quarto onde estavam sua esposa e um familiar com deficiência. A vítima pediu que os criminosos não apontassem as armas para o local, ressaltando que a pessoa nunca havia tido contato com uma arma de fogo.
Na sequência, o homem teve as mãos amarradas e foi levado ao quarto onde estavam os familiares. Conforme o registro, um dos assaltantes permaneceu vigiando a vítima, enquanto os outros dois subiram para o segundo andar da residência. Depois de algum tempo, um deles desceu, fez um sinal ao comparsa e os três deixaram o imóvel.
Assim que percebeu a saída dos criminosos, o morador subiu e encontrou os cômodos revirados. Os assaltantes haviam levado aproximadamente R$ 86 mil que estavam guardados em uma mala, deixada no local. Também foram subtraídos cartões bancários da esposa e documentos particulares.
A vítima relatou que um deles portava uma pistola camuflada, aparentemente semelhante a uma Glock calibre .40, enquanto outro carregava um revólver cromado, aparentemente calibre .38.
Suspeita de crime planejado
O morador acredita que o roubo tenha sido planejado, já que os criminosos demonstraram conhecer detalhes de sua vida, incluindo a rotina, a existência do dinheiro guardado em casa e a realização de uma obra próxima ao imóvel.
No depoimento, ele informou que, há cerca de cinco meses, dispensou um pedreiro que trabalhava na obra, após suspeitar que materiais estivessem sendo furtados. Segundo o comunicante, durante o acerto do pagamento, o antigo funcionário teria feito o comentário: “O coroa tem dinheiro guardado em casa, paga a nós direitinho”.
A vítima afirmou que não costumava comentar com outras pessoas que mantinha dinheiro na residência e, por isso, suspeita que os criminosos tenham recebido informações antecipadas de alguém que conhecia sua situação financeira e oa hábitos. Não há, no entanto, confirmação de envolvimento do antigo funcionário no roubo.
Após a fuga dos assaltantes, o morador foi até um colégio próximo, onde conseguiu acionar a Polícia Militar. Ele também informou que a filha mora nos fundos do imóvel e que imagens das câmeras de segurança instaladas na residência dela registraram a chegada dos criminosos por volta das 4h. O colégio também possui equipamentos de monitoramento que podem ajudar a identificar a movimentação dos suspeitos.
O caso foi registrado na 134ª Delegacia de Polícia (Centro) como roubo a residência, com emprego de arma de fogo e participação de três pessoas. A investigação deverá apurar as circunstâncias da invasão e a possível origem das informações utilizadas pelos criminosos.

