domingo, janeiro 18

Edifício histórico, Solar dos Ayrizes ganhou estrutura metálica para proteção, mas ainda sem previsão de restauração

Campos

18 de janeiro de 2026 – 0h03

Medida paliativa| Estrutura metálica ajuda a proteger prédio histórico (Fotos: Josh)

Em 2025, a Prefeitura de Campos dos Goytacazes e a empresa Ferroport concluíram a obra de uma cobertura com estrutura metálica para preservar o Solar dos Ayrizes. O prédio do século XIX é de propriedade particular e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Há décadas, sofre com a deterioração. A intervenção para proteger o patrimônio atendeu a uma determinação do Ministério Público Federal, em 2024. A cobertura visa minimizar os danos causados pelo tempo e pelas chuvas. Obras de restauração do edifício chegaram a ser anunciadas pelo governo municipal, mas, até o momento, nada aconteceu.

O projeto de manutenção e conservação emergencial do Solar dos Ayrizes recebeu aval do Governo Federal por meio da Lei Rouanet, com captação autorizada de até R$ 28,4 milhões. A iniciativa ganhou impulso em julho de 2023, com a assinatura de um protocolo de intenções entre a Prefeitura de Campos e a empresa Ferroport. No entanto, além da cobertura metálica, não há previsão de restauração ou reforma. A reportagem questionou a Prefeitura Municipal, mas não houve resposta.

O pesquisador Genilson Soares é membro do Instituto Histórico e Geográfico de Campos. Ele considera que o prédio é um bem público sob a responsabilidade da Prefeitura, mesmo que ainda não tenha sido desapropriado.

“O Solar pertence à coletividade — e é justamente por isso que seu avançado estado de deterioração causa apreensão. Até o momento, as únicas medidas concretas adotadas para conter a ruína do imóvel foram a instalação de uma sobrecobertura e o escoramento interno, providências mínimas e emergenciais. Essas ações, vale destacar, não decorreram de uma política consistente de preservação, mas da existência de uma decisão judicial na esfera federal, que enquadra como improbidade administrativa a omissão do prefeito em exercício diante do risco de desabamento”, diz.

Informações disponíveis no site oficial do governo federal revelam um cenário bem menos animador sobre obras de restauração por meio da Lei Rouanet, de acordo com Genilson Soares. “O projeto apresentado pela Sociedade Artística Brasileira foi aprovado em 11 de setembro de 2023, com autorização para captar R$ 28.410.937,55, e tem prazo de validade até 10 de outubro deste ano. Passado quase todo o período autorizado, o dado mais alarmante é que, até agora, não foi captado sequer um centavo para a recuperação do Solar”, revela.

Emergência e abandono
A historiadora Sylvia Paes diz que o Solar dos Ayrizes chegou a um estado bastante crítico de abandono. “Sem necessidade, se tivessem sido tomadas as devidas providências quando anunciado o desastre. Agora, ‘com Inês morta’, a coisa sai um pouco do controle, com os custos da restauração e posterior ocupação (instalações, mobiliário, funcionários etc.). E qual será a futura ocupação? Para que ele será restaurado? Tem que ter uma funcionalidade para justificar os custos do restauro. Até porque, se não houver ocupação, ele cairá novamente”, considera.

Para Sylvia, é necessário um novo e enorme esforço da Prefeitura, por meio da Fundação Cultural, da Secretaria de Planejamento e Obras e da Secretaria de Turismo, para que novos recursos sejam alavancados. “Lei Rouanet, emendas parlamentares, editais… são várias fontes, mas quem será o responsável por buscar esses recursos?”, questiona.

Antônio Carlos Floriano

O zelador da fazenda, Antônio Carlos Floriano, acompanhou a visita ao prédio. A reportagem verificou danos estruturais visíveis, como o desabamento de uma das paredes, comprometimento de janelas, da porta frontal e da estrutura interna, além de vegetação sobre o telhado. Algumas áreas só podem ser acessadas com cuidado para evitar acidentes.

José Carlos Cabral

Ex-funcionário da propriedade, José Carlos Cabral, trabalhou no Solar por 12 anos, entre 1979 e o fim da década de 1980. Ele afirma que o prédio já apresentava sinais de abandono naquele período, situação que se agravou ao longo dos anos. “Apesar disso, acredito na possibilidade de recuperação e defendo a restauração como forma de preservar um patrimônio histórico importante para a cidade de Campos”, conclui.

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