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    Sileno Martinho: o primeiro passo antes da corrida

    24 de agosto de 2026Nenhum comentário9 Mins Read
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    Sileno Martinho: o primeiro passo antes da corrida
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    Fisioterapeuta destaca a importância da avaliação física para prevenir lesões

    Foto: Silvana Rust

    Especializado em alta performance, ele criou há dois anos em Campos o Instituto Sileno Martinho, um templo de fisioterapia que engloba técnica e equipamentos que avalia, prepara, recupera, calibra tudo que se refere ao corpo. Foi fisioterapeuta de atletas de futebol na Europa, nos Estados Unidos e na Argentina.

    Perto do chamado 50+, Sileno Martinho é atleta de alto rendimento e frisa que a avaliação deve ser o primeiro passo de qualquer atividade esportiva, quando ela se torna frequente e intensa. Parceiro do J3 Ren desde a primeira edição do J3 Run Fest, ele afirma que o número de corredores tem crescido em Campos e que o evento que ganha a região em passos largos é prova incontestável disso.

    O Instituto, no Parque Tamandaré, é referência em Reabilitação pós-operatória, avaliação, pré-participação no esporte, prevenção de lesão esportiva, RPG, pilates, recovery e hidroterapia.

    Ele parte da premissa de que essa avaliação tem que ser feita desde o primeiro momento e por uma equipe multiprofissional, englobando médicos, nutricionistas e outros profissionais da área.

    O instituto que leva o teu nome foge um pouco do padrão de estúdio ou de outros ambientes que se propõem a cuidar do corpo. Pode falar sobre isso?
    Sim. Ele sai daquele modelo tradicional de fisioterapia, com os profissionais de branco, as salas em forma de boxes, essas coisas. O instituto hoje traz um modelo de atividade mais moderno, onde nós temos um lugar mais amplo. A gente conta hoje com a raumato-ortopedia, pré-operatório e pós-operatório, tratamentos que dialogam e interagem com outras modalidades, por exemplo, a hidroterapia, o pilates, o RPG. Então, o que eu vejo de diferencial hoje no nosso instituto é que a gente traz um modelo no qual os próprios pacientes conseguem compartilhar todas as experiências lado a lado. A gente não usa branco, a gente usa uma camisa azul, e os próprios pacientes, os fisioterapeutas, eles conseguem compartilhar suas histórias ali, as suas dores, as suas patologias, as suas melhoras, as suas vitórias. Isso, de alguma forma, faz com que o resultado seja mais acelerado, porque o compartilhar ali naquele momento, por exemplo, o próprio paciente que teve uma resposta boa e que está vendo o novo na recepção, que naquele momento está iniciando uma terapia, ele já chega, ele já compartilha como foi a experiência dele vivendo aquele lugar. Ele chega para o novo paciente e fala, conta como se recuperou e essa interação é de suma importância, pois humaniza tudo, um dando força ao outro, estimulando.

    Você vem de uma experiência no esporte, fora do Brasil, na Turquia, nos Estados Unidos, na Argentina. Como você avalia essas experiências?
    Como de suma importância. Quando a gente busca algo fora, principalmente temos que aproveitar todas as oportunidades. Hoje a fisioterapia brasileira é considerada uma das melhores do mundo, tanto que os próprios atletas saem dos lugares onde eles estão na Europa e vêm se tratar no Brasil com os fisioterapeutas brasileiros. E o que acontece hoje é que os atletas que estão fora, eles buscam profissionais que estão aqui no Brasil para poder fazer um trabalho de forma mais intensiva com eles, mais personalizados. Quando eu cheguei lá, eu fui muito bem recebido na Turquia pelos profissionais, porque eu cheguei para coordenar o setor de fisioterapia em um clube do futebol europeu. Foi um desafio com relação aos equipamentos, à língua, à cultura, mas estava confiante no nosso conteúdo. Houve sim uma aprendizagem com relação a essa questão cultural e de logística de treinamento dos atletas, a logística de reabilitação. Vou dar um exemplo simples: eu cheguei lá, e a reabilitação era uma vez por dia. Eu tinha oito atletas dentro do departamento de fisioterapia. Eu comecei a implementar um trabalho no qual os atletas tratavam três vezes por dia. Eles iam de manhã, à tarde e à noite. Foi um confronto que eu tive que ter com eles, mas mostrei que o tratamento da fisioterapia se torna eficaz quando ele é de forma mais intensa. Então, pude levar daqui do Brasil a nossa forma de trabalhar e de tratar esses atletas, e trazer experiências boas também.

    Alta performance foi uma coisa que você se especializou, não é? Antes eram milhões de técnicos de futebol, e hoje somos milhões de atletas, digamos assim. As pessoas se apaixonaram pela corrida. Você acha que, independente da idade, qualquer desafio ao próprio corpo tem que ser precedido de uma avaliação?
     Perfeito! Eu penso que o maior erro hoje é quando você quer buscar uma atividade física e não busca orientação profissional. O que a gente hoje realiza, o que a gente faz? A gente busca esse paciente, esse atleta, para estabelecer um processo de avaliação, identificando as probabilidades, os fatores de risco e estabelecer as melhores precauções e limites a serem vencidos nessa jornada, para que ele possa começar a correr, sem esse risco de desenvolver lesões durante a atividade. Esses são pontos importantes. Fazer uma boa avaliação é muito importante, desde a mobilidade até a flexibilidade, avaliação de força, o tipo de pisada, entre outros aspectos. A gente vai identificar esses pontos, como uma alteração de assimetria de força muscular ou um encurtamento muscular, por exemplo. E a partir daí, a gente monta um processo, um programa de prevenção de lesão com a participação de todos os outros profissionais que estarão envolvidos. Não estou falando só do fisioterapeuta, mas da educação física, da nutrição. Eu estou falando do médico… todos esses profissionais que são importantes dentro do processo de avaliação para que você tenha uma vida mais eficiente e mais segura.

    Então vamos falar do nosso evento, o J3 Run, que é uma corrida. Isso é importante para que se popularize essa prática?
    Eu defino esse tipo de evento como algo que vem trazer bem-estar não só físico, mas principalmente o bem-estar emocional, mental. A maioria das pessoas hoje busca a corrida não pela questão física, mas justamente para se livrar, minimizar algumas alterações emocionais como ansiedade, depressão, distúrbio, transtorno de TDAH, sono, déficit de atenção. Eu penso que é um evento moderno e necessário. As pessoas não estão mais nessa de sair à noite, estão investindo mais na saúde. É um evento tão grandioso quanto esse, principalmente na nossa cidade, vem para contribuir muito, não só para a questão física, mas também para a emocional e a mental.

    Você está quase rompendo a barreira dos 50. Falta um pouquinho, mas daqui a pouquinho você estará com 50 mais. Existe uma nova clientela de paciente de 50, 60 e 70 mais, O Instituto foca nisso?
    Então, eu sinceramente amo atender esse público. Esse público está aumentando cada vez mais, porque essas pessoas estão buscando melhorar a qualidade de vida, melhorar a força muscular e ter independência. Hoje, o que o idoso quer? Ele quer envelhecer com independência para fazer coisas básicas de atividade diária. Sentar, levantar, poder sair, conversar com os amigos, viajar. Muitos hoje, por exemplo, procuram o instituto para se preparar para uma viagem. A gente está trazendo esse público para trabalhar a parte da qualidade de vida, trabalhar força, trabalhar independência funcional, equilíbrio. Existe uma quantidade muito grande de idosos hoje que estão sofrendo quedas e essas quedas geram fraturas, geram imobilidade, pois acaba que perde muita força muscular. Então o que a gente faz é um processo de avaliação para poder prevenir que esse idoso passe por situações como essa e consiga se manter por  mais tempo dentro do processo de atividade. Eu falo que hoje nós estamos promovendo saúde. Eu não quero que ele fique somente dentro do instituto, eu quero que ele vá buscar outras atividades, que ele tenha qualidade de vida. Fazer um processo que diminuía os quadros inflamatórios, dores, melhorando a força muscular, a independência, a atividade funcional. Fazer uma transição para ele com outra atividade, por exemplo, uma caminhada, um setor de musculação que possa treinar mais força. A nossa intenção hoje é fazer uma transição desse paciente, definindo a atividade ideal que pode ser o pilates e depois migrando para outras.

    Além da corrida, qual outra modalidade de esporte que tem ganhado popularidade, cuja avaliação é necessária?
    Vou falar de experiência própria. Eu sou um praticante do triatlo. O triatlo tem várias modalidades que a gente fala, né? Tem o sprint, tem o olímpico, enfim, tem o 70.3. E eu, há uns dois anos, passei a perceber que vem aumentando muito o número de adeptos deste esporte na nossa região. É um esporte bom, envolvendo conjuntamente natação, corrida e ciclismo. Então é importante, principalmente o fator recuperação. Esse é um esporte que exige muito do corpo e a avaliação tem que ser rigorosa em todos os âmbitos.

    Campos é uma planície e eventos como o J3 Run fazem um grande sucesso regional. Mas a cidade agora descobre a sua parte serrana, com graus de dificuldades para esportes. Como você vê isso?
    Campos é um cenário bom para o esporte. O Morro do Rato hoje é muito bem frequentado por atletas que desafiam a força e a potência. Subir o Morro do Rato de bicicleta não é fácil, depende de um condicionamento muito bom.  O ciclista hoje na região não tem um local onde ele possa fazer o seu pedal mais seguro. Ele tem que ir para a BR-101, tem que buscar uma rodovia e isso gera riscos. A cidade precisa de uma rota segura para a prática do ciclismo no contexto deste esporte.

    O número de pessoas praticando a corrida de rua tem aumentado em Campos?
    O J3 Run é a plena certeza disso. O número de corredores tem aumentado cada vez mais. Hoje é uma das principais modalidades, porque é uma modalidade fácil, você pega um tênis, automaticamente bota uma roupa e aí você sai para correr, você corre ao ar livre. Dá para correr em qualquer lugar. Porém, é preciso observar um leque de precauções, como ter assessores de corridas, principalmente quando a frequência e a intensidade aumentam. Existem articulações que precisam ter mobilidade, musculatura que precisam ter flexibilidade. Então, é importante fazer um trabalho de autoliberação, aliviar as tensões musculares. É importante fazer um trabalho de mobilidade, principalmente região de quadril, tornozelo e a região torácica, tronco. É importantíssimo. Ativar a musculatura.

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