Encontro reuniu colaboradores e teve reflexões da psicanalista Elen Ressinguier sobre saúde mental, depressão e a importância de buscar ajuda especial

Uma palestra sobre prevenção ao suicídio, dentro da programação do Setembro Amarelo, foi realizada nesta segunda-feira (28), no auditório do Hospital Geral Dr. Beda, em Campos dos Goytacazes. Promovido pelo Serviço Especializado em Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT), o encontro reuniu colaboradores de diferentes setores e teve como convidada a psicanalista Elen Ressinguier.
Durante a palestra, Elen propôs reflexões sobre saúde mental, depressão e outros problemas emocionais, destacando a importância de reconhecer sinais de sofrimento e buscar ajuda especializada. O objetivo foi estimular o diálogo sobre um tema ainda cercado de tabus e reforçar a necessidade de atenção e acolhimento para evitar o agravamento de situações de sofrimento psíquico.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 700 mil pessoas morrem por suicídio anualmente no mundo. No Brasil, o Ministério da Saúde registra uma média de aproximadamente 38 mortes por dia.
A enfermeira Isabela Teixeira, do SESMT (Serviços Especializados em Segurança e em Medicina do Trabalho), destacou a importância do Setembro Amarelo para estimular o autocuidado e a valorização da vida entre os colaboradores. Segundo ela, o encontro reforçou a necessidade de reconhecer os momentos de fragilidade e buscar ajuda quando necessário.
“Ela nos mostrou a importância de se autorreconhecer, de se autovalorizar e entender que nem todos os momentos a gente vai estar bem, mas precisamos olhar para nós mesmos e perceber quando precisamos de ajuda”, afirmou.
Isabela explicou que o SESMT atua no acolhimento dos colaboradores e no encaminhamento para atendimento especializado, conforme a necessidade de cada caso. “A gente acolhe todos os colaboradores e pode encaminhá-los para um psicólogo ou psiquiatra, de acordo com a necessidade, para que tenham uma saúde de qualidade e possam viver bem, não apenas sobreviver”, destacou.
Reflexões da psicanalista
A psicanalista Elen Ressiguier destacou a importância de ampliar a discussão sobre saúde mental para além das campanhas realizadas no Setembro Amarelo. Para ela, o tema deve fazer parte da rotina das pessoas, como uma questão relacionada à qualidade de vida de cada indivíduo e também de suas famílias. “É importante que a gente não faça dessa reflexão apenas um evento do Setembro Amarelo, porque é uma questão de vida para cada cidadão, para cada pessoa, e de qualidade de vida para o indivíduo e para a família”, afirmou.
Segundo Elen, o acesso a informações básicas pode ajudar as pessoas a perceberem mudanças no próprio comportamento e identificarem situações que indiquem a necessidade de buscar ajuda. Ela ressaltou que o isolamento e o silêncio diante de problemas emocionais não devem ser encarados como soluções.
“É muito importante levar informações básicas que deem ao indivíduo condição de se observar, fazer uma leitura de si e identificar onde não está tendo um funcionamento saudável. E, identificando isso, buscar ajuda e saber que o silêncio, o isolamento, se fechar, não é uma solução”, explicou.
A psicanalista também defendeu que o cuidado com a saúde mental seja compartilhado nos diferentes ambientes de convivência, como a família, o trabalho e os círculos sociais. Na avaliação dela, a atenção aos sinais e a busca por ajuda desde os primeiros momentos podem evitar o agravamento de quadros psicológicos, psicossomáticos ou psiquiátricos.
“Não precisamos chegar a um extremo, a uma doença profunda ou a uma situação tão complexa para poder tomar medidas para se viver melhor. É na rotina, no dia a dia, que a gente tem recursos ao nosso alcance para viver melhor, ter uma qualidade de vida maior e agir com antecedência”, disse.
Ao falar sobre como familiares, amigos e colegas de trabalho podem ajudar alguém que esteja passando por um desequilíbrio emocional, Elen alertou para a importância de não minimizar os sinais apresentados.
“Primeira coisa: não negligenciar. É comum que, vendo uma pessoa em desequilíbrio emocional, aconteça um julgamento de que ela está querendo chamar atenção, de que está exagerando ou fazendo drama. Então, é importante não negligenciar, não pagar para ver, porque o custo é a vida”, afirmou.
A partir da identificação de sinais de sofrimento, a orientação da psicanalista é buscar avaliação profissional. Segundo a profissional, a avaliação psiquiátrica pode ajudar a identificar o quadro e definir os encaminhamentos necessários, que podem incluir acompanhamento psicológico, terapia e, quando indicado, uso de medicamentos.
Participação dos colaboradores
Os profissionais do Grupo IMNE que participaram da palestra puderam, também, contar com sessões de relaxamento com a equipe de fisioterapeutas do Hospital Dr. Beda em atividades laborais. O tema do encontro intitulado “Cuidando da dor que ninguém vê: reconhecer, acolher e agir – prevenção, competência e cuidado de si e do outro” repercutiu entre os colaboradores.
O assistente social Michel Moraes destacou que a discussão sobre saúde mental deve ir além do Setembro Amarelo e fazer parte do cotidiano. “O assunto depressão, tristeza e prevenção ao suicídio deve ser abordado todos os dias do ano. É necessário cuidarmos da saúde física e mental para podermos cuidar dos pacientes e das pessoas que nos cercam”, afirmou.
A auxiliar de departamento pessoal e psicóloga Raphaelly Pessanha comentou a importância da palestra para conscientizar os colaboradores sobre saúde mental e valorização da vida. “Ela abordou a conscientização, a valorização da vida e ensinou técnicas para que, em um momento de desespero, a pessoa consiga voltar para si mesma. É importante reservar momentos para o autocuidado emocional. A saúde mental tem sido bem falada, mas muitas vezes a gente não olha para isso de uma forma eficaz. A gente não para, só segue. É importante dar essa pausa, fazer terapia e olhar também para o nosso interior”, destacou.

