quinta-feira, agosto 27

Município registra queda de 19,9% em relação a julho; Maricá, Saquarema e Macaé aparecem entre os maiores valores do levantamento

Vista de Campos dos Goytacazes

Campos dos Goytacazes tem previsão de receber R$ 62.944.544,81 em participações governamentais dos royalties do petróleo nesta quinta-feira (27). O valor representa uma redução de 19,9% em relação ao repasse de julho. Os dados constam de levantamento sobre os valores de royalties no período de julho de 2025 a agosto de 2026. Entre os municípios relacionados na tabela, Maricá apresenta o maior valor, com R$ 294.970.408,19, embora registre queda de 17,5% em relação ao mês anterior. Em seguida aparecem Saquarema, com R$ 263.413.206,65 e redução de 14,7%; e Macaé, com R$ 148.350.578,09, queda de 17,8%.

Também estão entre os maiores repasses Araruama, com R$ 121.106.293,01 (-18,8%); Arraial do Cabo, com R$ 96.814.615,80 (-18,8%); Campos dos Goytacazes, com R$ 62.944.544,81 (-19,9%); Niterói, com R$ 81.376.277,74 (-18,1%).

Na região Norte e Noroeste Fluminense, além de Campos e Macaé, destacam-se São João da Barra, com R$ 26.819.320,22 (-17,9%); Quissamã, com R$ 16.695.890,42 (-18,2%); Carapebus, com R$ 14.183.436,32 (-21,1%); São Francisco de Itabapoana, com R$ 10.538.940,24 (-16,9%); e São Fidélis, com R$ 3.373.474,96 (-18,3%).

Cabo Frio aparece com R$ 34.365.921,30, queda de 19,2%. Rio das Ostras tem previsão de R$ 23.607.404,05 (-18,9%), enquanto Casimiro de Abreu receberá R$ 22.205.693,23 (-17,7%). Rio de Janeiro terá R$ 27.504.446,92, redução de 17,2%, e Magé, R$ 20.665.045,44 (-17,6%).

Plataforma na Bacia de Campos – Ilustração

A predominância de percentuais negativos mostra uma redução generalizada dos repasses entre julho e agosto. Entre as maiores quedas percentuais estão Armação de Búzios (-71,6%), os municípios capixabas Marataízes (-27,2%), Itapemirim (-26,9%), Guarapari (-25,1%), Anchieta (-23,7%), Presidente Kennedy (-23,2%) e Piúma (-22,9%), n.

No caso de Campos dos Goytacazes, o repasse previsto de R$ 62,94 milhões mantém o município entre os principais beneficiários da distribuição, apesar da queda de 19,9% na comparação com julho. A Bacia de Campos continua tendo papel relevante na economia regional e na geração de receitas para os municípios produtores e confrontantes. Dados recentes também mostram a importância dos royalties para as cidades do Norte Fluminense e da área de influência da atividade petrolífera.

Queda dos royalties em agosto reflete principalmente recuo do petróleo; P-52 segue parada em Roncador

De acordo com Wellington Abreu, superintendente de Petróleo, Gás e Tecnologia de São João da Barra, a redução dos repasses de royalties em agosto decorre, principalmente, da forte queda do preço internacional do petróleo em junho, mês de produção utilizado como referência para o crédito atual. O Brent teve média próxima de US$ 85 por barril em junho, cerca de US$ 22 abaixo de maio, após o mercado reduzir parte do prêmio de risco incorporado durante a fase mais aguda do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e o Estreito de Ormuz.

“A geopolítica teve papel central nessa oscilação. Durante maio, o mercado ainda carregava forte preocupação com interrupções de oferta e restrições à navegação pelo Estreito de Ormuz. Em junho, porém, sinais de negociação entre Washington e Teerã e a expectativa de aumento gradual do fluxo de petróleo pela canal provocaram uma reprecificação do risco, pressionando as cotações para baixo. O problema geopolítico, contudo, não foi solucionado: Ormuz continua sendo um fator de elevada volatilidade e o mercado reage rapidamente tanto a avanços diplomáticos quanto a novas ameaças ou escaladas militares”, explica.

No Campo de Roncador, houve adicionalmente queda de 5,63% na produção de petróleo e de 7,56% na produção total em óleo equivalente em junho. Também merece atenção a P-52, que permanece inoperante desde o incidente de outubro de 2025. Sua paralisação não explica a queda generalizada dos royalties de agosto, mas continua restringindo a capacidade produtiva de Roncador e constitui fator relevante para a recuperação futura do campo.

Wellington Abreu é analista e pesquisador na área de Petróleo e Gás (Divulgação)

Em síntese, o preço internacional do petróleo foi o fator predominante na queda dos royalties, enquanto produção e câmbio tiveram influência secundária. No caso de Roncador, a redução mensal da produção e a permanência da P-52 fora de operação adicionaram pressão específica ao resultado.

“Para os quatro últimos meses do ano, a orientação aos gestores deve ser de prudência. A volatilidade do petróleo permanece elevada e os royalties podem continuar oscilando. O momento recomenda planejamento conservador, controle das despesas e preservação do caixa, sem comprometer serviços essenciais e investimentos prioritários.”, finaliza.

Share.
Leave A Reply

Exit mobile version