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    Home»Últimas Notícias»Ricardo de Azevedo: Lyra de Apollo 90% Concluída
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    Ricardo de Azevedo: Lyra de Apollo 90% Concluída

    31 de agosto de 2026Nenhum comentário7 Mins Read
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    Ricardo de Azevedo: Lyra de Apollo 90% Concluída
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    Após 12 anos de trabalho, maestro Ricardo de Azevedo fala sobre os desafios para preservar um dos símbolos culturais de Campos

    Foto Silvana Rust

    Ela é a lira musical mais antiga de Campos e a quarta do Estado do Rio de Janeiro. Nasceu em 19 de maio de 1870 e no início dos anos 2000 teve seu prédio histórico destruído por um incêndio. Com recursos próprios, a Lyra de Apollo recuperou sua sede em um processo de restauro que mantém rigorosamente suas características arquitetônicas.

    Hoje, 90% das obras estão prontas e a previsão para a reinauguração depende da retirada de um transformador que está praticamente colocado na fachada do prédio. Mais do que uma banda composta por 30 músicos, a Lyra de Apollo é uma escola de músicos.

    Nesta entrevista, o regente Ricardo Azevedo, 87 anos, maestro de todo esse trabalho de recuperação, fala sobre a partitura deste processo e os desafios que é restaurar um prédio com recursos próprios. Seu esforço é reconhecido, tanto que agora venceu um rigoroso edital para receber uma verba simbólica com base na Lei Paulo Gustavo de incentivo à cultura. A banda, que este ano fez uma única apresentação, vai se apresentar com novo repertório no J3 Run Fest, evento esportivo promovido pelo J3 News no dia 20 de setembro.

    Há quanto tempo a Lyra de Apollo está em obra?
    Começamos em julho de 2012. Foi quando contratamos a empresa para começar a fazer a obra de restauração. Antes disso, contratamos os trabalhos da engenheira a doutora Silva de Oliveira Puccioni, então servidora do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para fazer o projeto estrutural do prédio totalmente destruído por um incêndio. Em 2012 todo o projeto estrutural estava pronto e fomos nós que contratamos o engenheiro das Chagas Neto para dar inicia à recuperação. Já tinha o dinheiro reservado  para o início das obras, oriundo dos dois aluguéis de prédios que pertencem à banda.

    Então, já havia um dinheiro reservado?
    Sim. Essa quantia estava devidamente guardada por determinação do saudoso promotor de Justiça Marcelo Lessa. Esse dinheiro se refere ao aluguel de uma padaria e de outro espaço quase anexo ao prédio da banda. Depois de um processo no Ministério Público, ficou acertado que esses recursos seriam usados na recuperação. Eu ainda não era presidente, mas fui eu que invadi o prédio e não deixei ninguém mais entrar. Entrei em contato com o Inepac, que nos orientou como proceder de forma legal para recuperar aquele prédio histórico e isso demandaria vários projetos. É preciso explicar que antes da nossa administração, a Lyra estava nas mãos de um outro grupo que tinha feito todas as lambanças do prédio. Mas a partir do processo no MP, esse pessoal foi afastado. Aí eu tive condições de ficar com o dinheiro dos aluguéis e empregar esses recursos para as despesas dos projetos estruturais e depois fazer a execução de cada um deles.

    Os projetos e as obras foram feitos com recursos próprios?
    As primeiras intervenções que eu tive que fazer, como um telhado provisório para evitar que chuvas destruíssem o que restou do prédio, foi com meu recurso pessoal, um dinheiro meu. Essa primeira obra, o telhado provisório, serviu também para guardar o material da banda, mas não podíamos ensaiar no prédio, que ainda estava interditado após o incêndio. Decidimos fazer os ensaios  da banda na rua, no Calçadão. Ficamos ensaiando ali por muitos anos. Por um período ensaiamos também no prédio da Associação de Imprensa Campista, que nos foi cedido. Em um terceiro momento, eu falei com Sylvia Paes e passamos a ensaiar no prédio da Praça São Salvador, onde hoje é o Museu da cidade.

    O promotor Marcelo Lessa foi uma figura importante neste contexto, incentivando o processo de recuperação?
    Sim. Não conseguiríamos sem ele. Doutor Marcelo Lessa foi fundamental. Ele nos ajudou muito e nos orientou em todos os estágios desde o embate com o time que estava lá, até nas instruções de como deveríamos proceder para fazer a coisa certinha, dentro dos padrões da arquitetura. Então, a primeira intervenção que fizemos foi toda documentada. No primeiro momento, em menos de um mês, o Dr. Marcelo nos convocou para uma audiência e assim tudo começou, ou melhor, tudo recomeçou. Devemos muito a ele.

    Você diria que 90% das obras físicas já estão prontas?
    Sim. Estamos na reta final. Mais de 90% das obras estão prontas sim. Nós estamos agora fazendo o projeto de arquitetura, seguindo todo o padrão, obra que está sendo acompanhada por uma empresa do engenheiro que já citamos aqui.

    Parece que agora vocês conseguiram uma verba?
    Exatamente. Nós conseguimos uma verba através da Lei Paulo Gustavo. Nós nos inscrevemos e não foi fácil porque as informações exigidas eram muitas, tudo tinha que ser detalhado, ponto por ponto sobre a história da Lyra e até das obras. Um edital muito rigoroso, mas nós conseguimos. Temos que levar em conta todo o aspecto cultural da entidade, que é uma escola de música. Estamos com um número grande de alunos e agora estamos investindo em aulas de música, formando jovens músicos.

    No incêndio, sobrou algum instrumento musical?
    Não, foi tudo torrado pelo fogo ou vendido, não se sabe. Todo instrumental a Lyra tinha, todos importados, alguns de fabricação alemã, tudo, foi todo destruído, inclusive o arquivo, os quadros das pessoas que colaboraram com a banda desde o início, quadros de Dr. Nilo Peçanha, e de outras pessoas que ajudavam. Tínhamos quadros do Tenente Coronel Cardoso, que foi o primeiro porta-bandeira da banda. Tínhamos quadro de Finazinha Queiroz, que era madrinha da banda, e de outras personalidades ilustres que ajudavam a banda, como o deputado Alair Ferreira. Foi tudo destruído no incêndio.

    E aquele transformador de energia elétrica quase colado na fachada do prédio? Como resolver isso?
    Nós já fizemos uma solicitação à concessionária Enel. Aquilo é um risco e o Ministério Público está nos ajudando a resolver. Esse é um problema para todo o Centro Histórico. Já documentamos tudo isso com material fotográfico.

    Como é que você está pensando em inaugurar o restauro da Lyra de Apollo?
    Bem, assim que saírem aquele poste e o transformador, a gente pode começar a pensar nisso, porque a restauração da fachada não é complicada. Uma vez que a gente tenha a restauração da fachada pronta, a gente tem como fazer essa previsão, porque a parte interna já vai ser pintada. Quer dizer, nós estamos agora agarrados com a questão da fachada.

    Enquanto isso, a banda está se apresentando como?
    Fizemos apenas uma apresentação no Batalhão de Infantaria do Exército, em Guarus. Em setembro queremos fazer uma apresentação na Praça São Salvador e vamos fazer outra apresentação com repertório novo na 4ª edição do J3 Run Fest, esse evento que movimenta a cidade.

    Hoje são quantos músicos?
    Ao todo são 30 músicos, mas temos muitos alunos e o efetivo da banda está crescendo. Sobre os alunos, temos um problema, que é a falta de transporte público, o que dificulta muito. Os alunos chegam de motos, bicicletas e poucos têm carros. Então isso atrapalha muito.

    Está faltando algum instrumento na banda?
    Não, nós temos bastantes instrumentos, porque durante todo esse período de restauração do prédio, eu consegui comprar em Niterói instrumentos e ia pagando aos poucos. Os colegas lá que tinham instrumentos e nos ajudaram. Eu acredito que nenhuma banda em Campos tem mais instrumentos do que nós hoje.

    A Lyra de Apollo é a mais antiga de Campos?
    A mais antiga de Campos. Ela nasceu em 19 de maio de 1870. A segunda banda que veio depois foi a Conspiradora, que foi em 1882. Aí, logo a seguir, veio Operários Campistas, que é lá perto da Faculdade de Direito, e depois veio também a Guarani. A nossa é a quarta mais antiga do Estado do Rio de Janeiro.

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