Ação criminosa deixa estabelecimentos sem energia e entidades cobram soluções

O furto de fios e cabos continua causando prejuízos em Campos dos Goytacazes. Academia, comércio e até um equipamento público foram afetados recentemente por esse tipo de crime, que tem no valor do cobre um dos principais atrativos. A reportagem do J3News encontrou locais em Guarus anunciando a compra do quilo do material por cerca de R$ 65.
E além do material levado, as vítimas precisam arcar com custos de reposição, mão de obra e, em alguns casos, ficam dias sem poder funcionar.
No fim de setembro, uma loja de móveis planejados no Centro da cidade, teve fios furtados. Segundo a proprietária, Joana Mambreu, o local já foi invadido sete vezes, incluindo furtos de computadores, ferramentas e televisão. O primeiro caso de furto de fios aconteceu ainda no ano passado. “A loja ficou sem energia e sem funcionar por dias. Estamos tendo prejuízos. Toda fiação foi arrancada, tubulação dos ares condicionados retirados e todo o cobre que alimenta a tubulação do ar arrancada. O prejuízo é estimado em mais de R$7.000”, lamentou.
Já em agosto deste ano, uma farmácia de manipulação localizada na Rua Conselheiro Otaviano, no Centro, foi alvo de furto durante a madrugada. Câmeras de segurança registraram o momento em que um homem levou os cabos e dias depois retirou uma unidade externa de um aparelho de ar-condicionado do estabelecimento. Segundo a farmacêutica e proprietária, Cristina Poley Guzzo, foi o sétimo equipamento furtado da farmácia em aproximadamente um ano, provocando um prejuízo estimado entre R$ 35 mil e R$ 40 mil.
À época, a Guarda Civil Municipal divulgou que as imagens da câmera de segurança foram entregues pela proprietária e analisadas por uma equipe da Ronda Ostensiva. Durante um patrulhamento, os guardas encontraram o suspeito e o prenderam.
Em outro caso, ocorrido em junho deste ano, em uma academia na Avenida Princesa Isabel, cerca de 15 metros de fiação foram furtados. Segundo o proprietário, Carlos José Duarte Terra, o prejuízo chegou a R$ 2.024,50, sendo R$ 924,50 em materiais e R$ 1.100 em mão de obra. “Às 6h da manhã uma professora da academia me ligou informando que haviam furtado a fiação. No dia, o estúdio funcionou de forma precária, sem ar condicionado, música, iluminação e sistema”, disse.
Tanto o proprietário da academia como a da loja de móveis contaram que não fizeram boletim de ocorrência. “Por diversas vezes fiz boletim de ocorrência mais não adianta porque os meliantes são liberados”, reclamou Joana.
O problema também atingiu o Teatro de Bolso Procópio Ferreira, no dia 22 de setembro, que teve suas atividades temporariamente interrompidas, segundo a Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima: “A ação ocorreu na área da fachada voltada para a Avenida Quinze de Novembro, onde houve acesso aos condensadores do sistema de climatização e corte dos cabos, comprometendo o funcionamento dos aparelhos de ar-condicionado”, disse em nota. A ocorrência foi registrada e a Fundação informou que trabalha para recuperar o sistema e retomar as atividades.
Entidades se manifestam contra os furtos
O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), Fábio Paes, sugeriu em vídeo publicado nas redes sociais que as autoridades também foquem em quem está alimentando a rede de furtos. “Quem está comprando esse produto? As pessoas falam muito das pessoas que estão roubando, mas se não tivessem quem comprasse, eles não iriam ter interesse em roubar. (…) Se tiver uma boa vontade para descobrir quem está comprando e prender essas pessoas, será que não seria mais eficaz?”, indagou.
Paes também fez um pedido aos políticos: “Será que não podemos fazer um apelo aos nossos nobres deputados federais que uma vez eleitos podem apertar essa legislação para transformar determinados furtos em uma pena maior um pouco? Porque essa em que eles se enquadram é uma vergonha. Eles entram e saem da delegacia no mesmo dia”.
Segundo a Associação Comercial e Industrial de Campos (ACIC), os dados disponíveis no primeiro semestre de 2026, Campos liderou entre os municípios da área de concessão da Enel no Estado do Rio de Janeiro em quantidade de cabos furtados, com 2,9 quilômetros subtraídos, de um total de quatro quilômetros registrados pela concessionária em todo o estado. Cerca de 300 clientes foram impactados em toda a área de concessão.
Em 2025, Campos já havia registrado 108 ocorrências de furto de cabos da rede da Enel, correspondendo a 61% dos casos registrados pela concessionária no Estado naquele ano.
O presidente da entidade, Maurício Cabral, disse que a associação vem acompanhando com preocupação essa situação. “A entidade defende uma ação integrada entre Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Civil Municipal, Prefeitura, concessionárias e órgãos de fiscalização, com reforço do patrulhamento nos pontos mais vulneráveis, utilização de videomonitoramento, investigação dos receptadores e fiscalização sistemática de ferros-velhos e estabelecimentos que comercializam metais”, defendeu.
Já o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Campos (Sindivarejo), Joilson Barcelos, destacou que tudo isso reflete na economia. “Essa situação de furtos já se tornou uma questão de segurança pública e econômica, já que muitas lojas, além da perda dos equipamentos de instalação, sofrem com queda nas vendas de seus respectivos estabelecimentos, pois não têm como funcionar”, disse.
Desarticulação
A equipe do J3news entrou em contato com a Polícia Civil, que informou manter ações contra furtos e receptação e destacou que parte dos presos é reincidente. “A Polícia Civil mantém atuação contínua no enfrentamento aos crimes de furto e receptação de cabos em todo o estado, com foco na identificação e responsabilização de criminosos e receptadores que sustentam esse mercado ilícito. (…) É importante ressaltar que parte significativa dos presos é formada por reincidentes, fator que contribui para a repetição dessas práticas criminosas”.
“A Polícia Civil dará continuidade às investigações e às ações de repressão para desarticular essas organizações. Além disso, o registro de todas as ocorrências é indispensável para fortalecer as investigações e orientar o trabalho policial”, orientou a corporação.
