Economia em crise, acusações, escândalos e investigações. Regras de compliance são abandonadas

Considerando como provável que o pleito presidencial seja decidido no 2º turno, o País está a dois meses de escolher o novo mandatário em disputa polarizada entre o presidente Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro.
Num antagonismo que reflete o momento desfavorável vivido pelo Brasil, os referidos candidatos que melhor aparecem nas pesquisas são, também, os mais rejeitados. Lula, pelo sentimento antipetista que é tão forte quanto a fatia de eleitores que lhe é fiel; Flávio, por representar o bolsonarismo igualmente repelido por parte não menos numerosa da população.
Estamos a falar, portanto, de uma eleição a ser decidida pelos chamados neutros — os 20% que se deslocam de um lado para o outro não pelos projetos apresentados, mas pelos escândalos que atingem ora um, ora outro.
As denúncias mais recentes e que estão sendo objeto de investigação — ocupando grandes espaços na imprensa — dizem respeito ao filho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, investigado pela Polícia Federal por suposto tráfico de influência para obtenção de vantagens no governo federal.
O caso envolve a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, numa relação nada republicana com o objetivo de montar uma rede de contatos para emplacar contratos com o Ministério da Saúde e outros órgãos da União.
O emaranhado vai longe: Roberta trabalhava com o lobista Antônio Carlos Antunes, o ‘Careca do INSS’ — aquele já velho conhecido, acusado de desviar recursos dos aposentados — e teria feito pagamentos no valor de R$ 249 mil ao ex-chefe de Gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, supostamente em troca de vantagens. O ex-assessor do presidente disse que os repasses seriam fruto de um empréstimo pessoal já quitado.
Toda essa confusão que envolve a empresária, mais Lulinha e o ex-chefe de Gabinete, aconteceu sem registro em agenda pública, sem transparência ou quaisquer regras de compliance. Enfim, tudo muito suspeito face à falta de informação sobre de que forma essas conexões aconteceram.
Lula em começo de campanha
É uma lástima que no primeiro compromisso de campanha o presidente Lula tenha atacado o ex-presidente Bolsonaro, que absolutamente não é candidato a nada. Está preso. Ora, repetir agora o que exaustivamente se fez em 2022, não tem cabimento.
No Rio Grande do Norte, Lula afirmou que “se construiu um processo de mentira no Brasil durante a gestão anterior“. Gestão anterior? De novo?
E ainda acrescentou: “Quando voltamos para o governo, encontramos um país totalmente desestruturado. Era um lugar abandonado, porque se construiu um processo de mentira nesse país. Era brincadeira na internet. Falar mal e provocar os outros. Nós reconstruímos esse país.”
Juros altos e fechamento de lojas
A economia brasileira enfrenta uma forte crise. Gigantes do varejo estão fechando as portas — semana passada foram várias as unidades que encerraram as atividades — face à alta carga de impostos e juros na estratosfera.
Assim, vale recordar aqui a linha do tempo da taxa Selic, que se faz clara por si mesma, a saber:
Durante o último período Dilma, de junho de 2015 até o impeachment, em 2016, a Selic ficou em 14,25%. Com Temer, a taxa base de juros iniciou o processo de queda. Em 2017, foi caindo mês a mês até chegar a 7,00% em dezembro. A redução permaneceu ao longo de 2018, fechando o fim do ano em 6,50%.
Em 2019, com Bolsonaro, a Selic encurtou para 4,50% em dezembro. No ano seguinte, com sucessivas reduções, o Banco Central fechou com taxa de 2,00% a.a. Em 2021 e 2022, como os reflexos da pandemia e o tumultuado ano (eleitoral) de 2022, os juros voltaram a subir, chegando a 13,75%.
Este foi o valor encontrado pelo presidente Lula da Silva quando assumiu o governo. De imediato, o mandatário se pôs a lançar duras críticas sobre Roberto Campos Neto — então presidente do BC —, assegurando que com os juros tão altos a economia ficava travada e que era preciso “colocar dinheiro na mão do povo”: “Roberto Campos não entende nada de Brasil” — dizia.
Em suma: Lula assumiu com a taxa de 13,75%. Hoje, decorridos três anos e oito meses de seu governo, a Selic está a 14%.
“Manter juros altos é a
única arma à disposição
do Banco Central para
controlar a inflação.
Isso porque, na gestão
Luiz Inácio Lula da Silva,
o governo tem sido
sistematicamente
irresponsável com as
contas públicas e precisa,
por isso, tomar dinheiro
emprestado no mercado
pagando mais caro”
(Editorial de O Globo
de 18.08.26)

