terça-feira, junho 23

Parecer aponta que interferência da Justiça Eleitoral em levantamentos deve ocorrer apenas em casos excepcionais

Tribunal Superior Eleitoral em Brasília (Reprodução Agência Brasil)

O Ministério Público Eleitoral (MPE) enviou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) parecer contrário à suspensão da divulgação de uma pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República realizada pela AtlasIntel.

O levantamento foi interrompido por decisão individual do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, após pedido do Partido Liberal (PL). A pesquisa avaliava o impacto da divulgação de conversas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto, e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, na intenção de voto dos eleitores.

No parecer, o vice-procurador-geral eleitoral Alexandre Espinosa afirmou que a Justiça Eleitoral deve interferir em pesquisas apenas em situações excepcionais, quando houver evidências de irregularidades capazes de influenciar a opinião dos entrevistados.

Segundo Espinosa, não foram identificadas falhas nas perguntas apresentadas aos participantes do levantamento. Para o MPE, é legítimo que pesquisas eleitorais abordem temas políticos considerados sensíveis durante o processo de formação da opinião pública.

A decisão de Nunes Marques, tomada em junho, atendeu a uma ação do PL, que alegou que as perguntas da pesquisa poderiam induzir respostas dos entrevistados. O partido questionou a inclusão de temas relacionados ao caso envolvendo o Banco Master e conversas atribuídas a Flávio Bolsonaro.

A pesquisa, divulgada em maio, apontou queda de cinco pontos percentuais na intenção de voto em Flávio Bolsonaro após a repercussão do caso.

O plenário do TSE iniciou a análise da decisão, mas o julgamento foi interrompido após pedido de vista da ministra Estela Aranha. Ainda não há data definida para a retomada.

Fonte: Agência Brasil

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