domingo, outubro 18

Mesmo com os desafios do diagnóstico, preservar a fertilidade pode manter vivo o sonho de ser mãe

Dr. Francisco Colucci (Foto: Silvana Rust)

O diagnóstico de câncer de mama traz desafios que vão além do tratamento da doença. Para mulheres que desejam ser mães no futuro, uma preocupação importante é a possibilidade de preservar a fertilidade antes de iniciar a quimioterapia ou outras terapias oncológicas.

Segundo o ginecologista e obstetra Francisco Colucci, especialista em Reprodução Assistida, Medicina Fetal e Genética e CEO da Embrionar Medicina Integrativa, alguns tratamentos podem comprometer a reserva ovariana e antecipar a menopausa. “No câncer de mama, os efeitos sobre a fertilidade estão mais associados aos esquemas de quimioterapia e, em alguns casos, à terapia hormonal prolongada”, explica.

No entanto, Colucci esclarece que isso não significa que toda mulher com câncer ficará infértil. “O impacto varia de uma paciente para outra. Por isso, precisamos discutir os riscos antes de iniciar o tratamento e apresentar as possibilidades existentes para preservar a fertilidade”, afirma.

Caminhos
De acordo com o médico, entre as alternativas disponíveis para preservação estão o congelamento de óvulos, embriões e, em situações específicas, o congelamento de tecido ovariano.

“Quando os óvulos estão prontos, realizamos a coleta por meio de um procedimento chamado punção ovariana, geralmente com sedação. Os óvulos maduros são então congelados e armazenados para uma possível utilização futura”, explica.

Apesar das possibilidades existentes, muitas mulheres ainda desconhecem as alternativas para preservar a fertilidade. Para Francisco Colucci, essa orientação precisa fazer parte do planejamento oncológico desde o diagnóstico, sem depender exclusivamente de uma iniciativa da paciente.

“É importante que essa conversa aconteça sem aumentar a angústia da paciente ou transmitir a ideia de que ela precisa escolher entre tratar o câncer e sonhar em ser mãe”, defende.

O especialista ressalta, entretanto, que a preservação da fertilidade não pode atrasar o tratamento do câncer. “O alinhamento destas ações é o passo fundamental. Quando há indicação e tempo disponível, podemos organizar o procedimento de maneira rápida e individualizada”, afirma.

A principal mensagem, segundo o especialista, é que o diagnóstico não significa necessariamente o fim dos planos de maternidade. “Na Embrionar, acreditamos que cuidar da saúde reprodutiva também significa olhar para os projetos de vida de cada mulher”.

“O nosso compromisso é oferecer informação clara, avaliação individualizada e acolhimento para que ela possa tomar decisões conscientes sobre o seu futuro”, finaliza.

Share.
Leave A Reply

Exit mobile version