Em comemoração pela vida, Centro reúne famílias em evento de moda, beleza e relatos emocionantes
Celebrar o Dia das Mães costuma envolver momentos de emoção e amor entre filhos gerados por mulheres marcadas por histórias desafiadoras. Bebês prematuros exigem ainda mais dedicação, seja por suas mães e pais, além dos profissionais de saúde. O Centro Nicola Albano – UTI Neonatal e Pediatria, desde 1994, já atendeu mais de 13 mil crianças que passaram pelas unidades em Campos e Macaé. Em um evento de moda e confraternização, realizado na última terça-feira (5), no Parquecentro Shopping, algumas dessas mães comemoraram a vida de seus filhos com amigos e familiares. Simbolicamente, um desfile de conquistas e vitórias na passarela da existência.
A participação no desfile teve um significado especial para Rafaela Landin, mãe de Benjamim, hoje com três anos e meio. O menino nasceu prematuro e precisou ficar internado por 11 dias na UTI Neonatal, período que marcou a trajetória da família. Ao relembrar a experiência, Rafaela destacou a emoção de viver o momento atual ao lado do filho. “Para mim, é uma honra participar de um evento como esse, neste Mês das Mães, que é tão importante. Ser mãe é algo que não conseguimos traduzir em palavras. Poder desfilar com o meu filho, depois de tudo que vivemos, cada mãe no seu tempo, na sua emoção, é muito bacana”, afirmou.
A maternidade ganhou novos contornos para Jordana Brites após a chegada da filha Ana Júlia, hoje com sete meses. A bebê nasceu prematura, com cerca de 28 semanas de gestação, e permaneceu internada por 74 dias na UTI antes de ir para casa, já com três meses de vida. “A UTI me mudou muito como mãe, como pessoa. Me ensinou a respeitar cada etapa que a gente passa ali dentro. Foi um momento de muito aprendizado, mas também de muita tensão”, relatou. Mãe de primeira viagem, Jordana descreve a maternidade como um processo de descoberta diária. “É desafiador. A gente está se conhecendo hoje mais do que se conhecia ontem. E é algo inexplicável. Hoje eu entendo tudo o que a minha mãe falava para mim”.
A experiência vivida por Rayani Berriel com o filho Ravi, de dois anos, também foi marcada por desafios e superação. O menino foi internado ainda bebê, após um quadro de bronquiolite que evoluiu para pneumonia, permanecendo na UTI em estado grave. “Foi um período muito desafiador, que fez a gente refletir muito sobre a vida e dar valor aos pequenos detalhes”, relatou. Mãe de dois filhos, Rayani lembra que passou o Dia das Mães ao lado do filho internado. Agora, celebra um momento diferente. “Hoje vai ser muito especial, porque estou com ele no meu colo”, disse.
Natália Costa Franco teve a vivência da maternidade ainda mais desafiadora. Os gêmeos Bento e Isabel, que nasceram com 32 semanas de gestação, precisaram permanecer 37 dias na UTI neonatal após o nascimento, em 2021, no auge da pandemia. “Foi um momento muito difícil, porque, além de ter dois bebês na UTI, ainda enfrentávamos todas as restrições. A vivência trouxe uma nova percepção sobre a maternidade e a força das famílias diante das adversidades”, disse. Mãe de quatro filhos, ela destaca que o dia 10 de março sempre teve um significado especial, mas ganhou um novo sentido após a superação vivida com os gêmeos. “Hoje temos um motivo a mais para comemorar”, conclui.
Afeto, tecnologia e profissionalismo
A médica neonatologista Laura Dias, diretora do Centro Nicola Albano, ressaltou a importância do acolhimento às famílias, especialmente por meio da Casa Nicola Albano, criada para oferecer suporte, hospedagem e proximidade entre mães e filhos durante o período de internação. “Agradecemos a cada família que confia em nosso trabalho e a todos os profissionais que, com dedicação, cuidam de vidas tão frágeis. Essas mães são exemplos de superação, fé e amor no cuidado com seus filhos e suas famílias”, comentou.
A diretora administrativa do Grupo IMNE, Martha Henriques, destacou a emoção de vivenciar a experiência como avó de uma bebê prematura, o que, segundo ela, ampliou sua compreensão sobre a realidade das famílias na UTI neonatal. “Mesmo sendo profissional da área, viver isso na família muda tudo. A gente passa a entender a ansiedade e a importância de cada pequeno avanço”, afirmou.
