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Campanha petista reedita estratégia do medo usada em 2014 a favor de Dilma. Debates são as únicas chances do eleitor de ver algo transparente numa eleição marcada por baixarias

Diferente dos primeiros dias após o 1º turno de 4 de outubro, quando os principais institutos de pesquisa variaram de 4 a 6 pontos em favor do senador Flávio Bolsonaro, nesta semana, no período de 11 a 16, a campanha do presidente Lula da Silva conseguiu reduzir a distância, com os apanhados captando, em média, 2 a 3 pontos em favor do candidato do PL.
As exceções ficaram por conta da Nexus, que manteve 4 pontos de dianteira para Flávio, e Instituto Gerp, cujo levantamento conferiu ao senador 10 pontos à frente: 55% a 45%. Na sexta-feira (16) o PoderData/Aya igualou os percentuais, conferindo 50 pontos a cada candidato.
Já o Rali, agregador de pesquisas do Jornal O Globo e do Instituto Locomotiva, divulgado também na sexta (16), só que no final da tarde (a do PoderData foi no começo da manhã), manteve Flávio à frente da disputa pelos votos de segundo turno: 47% contra 44,8% de Lula.
Reprovação — Também de acordo com o Rali, 49,2% dos eleitores agregados desaprovam o governo Lula, enquanto 46,8% aprovam. Os percentuais mostram tendência que se mantém ao longo de todo governo, com avaliação negativa superando os índices de aprovação. O apanhado alcança, ao menos em parte, a tendência do eleitor após a aprovação da PEC que acabou com a escala 6×1.
De acordo com avaliação do Estadão, levantamento da AP Exata mostra “melhora discreta” na avaliação do governo. É uma questão sensível, posto que ao mesmo tempo que os trabalhadores em geral festejam o 5×2, ao mesmo tempo surge certa preocupação sobre como os empregadores irão lidar com a questão.
Paralelamente, a fatia de empresários que votaram com a esquerda — bem menor, naturalmente — deve migrar para Flávio no segundo turno. Mas, no todo, a mudança na escala favorece Lula.
Fosse diferente, e não seria votada, depois de meses na gaveta, justamente entre o 1º e 2º turno. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pautou a proposta a 11 dias da eleição definitiva. A intenção, se já clara não fosse, passou a indisfarçável após o microfone do Senado, que Alcolumbre não percebeu que estava aberto, ter captado seu comentário em resposta ao cumprimento que recebera do líder do PT, Camilo Santana, que o parabenizava: “Não falei que ia dar certo” — sorriu. A revelação foi feita pelo Estadão.
Estratégia do Medo — Com o impacto da derrota no primeiro turno, o PT lançou mão de expediente abjeto, que é a disseminação do medo por diversas ferramentas, em especial as redes sociais. A estratégia funcionou em 2014, a favor de Dilma, quando Marina Silva cresceu nas pesquisas ameaçando a reeleição da petista.
Agora, igualmente, o PT e reedita a estratégia do medo sobre o eleitor, afirmando que Flávio, se eleito, vai acabar com o Pix, com o Bolsa Família, com a Farmácia Popular, com o Minha Casa, Minha Vida, com o Pé de Meia e outros programas sociais. A acusação, muito embora sem nenhum embasamento, acaba assustando o eleitor mais humilde. Mas para o PT, quem não está do seu lado, é fascista. Se a classe média vota na direita, é fascista. Os jovens, que estão optando pela direita, igualmente são de “extrema direita” — fascistas. E tudo é dito em nome da democracia.
Vale lembrar afirmação de Lula, em maio de 2023, quando disse que ditadura na Venezuela não passava de narrativa. Isso ao lado de Nicolás Maduro, ditador sanguinário, recebido em Brasília com honras de chefe de estado.
Erros de Flávio — O senador do PL errou ao adiantar possíveis nomes de ‘seu governo’, como se não houvesse segundo turno. Foi um quase ‘já ganhou’, falando em medidas que iria adotar e quem poderia ocupar este ou aquele cargo. Citou, ainda, reformas na Constituição o que, ainda que só se configurando com aprovação pelo Congresso e, da mesma forma, no sentido de favorecer a população, pegou mal e deu munição à campanha adversária.
Pesquisas e debates — Na próxima semana novas pesquisas deverão mostrar a tendência do eleitor. Contudo, devem ser vistas com certa reserva, valendo lembrar que cinco dos principais institutos apontaram vantagem numérica para Lula nas vésperas do primeiro turno, quando o resultado foi o inverso.
Com campanhas de tão baixo nível, marcadas por acusações de parte a parte, até aqui praticamente sem projetos de governo — senão os sabidamente eleitoreiros e demagógicos — os debates marcados para o dia 18 (Bandeirantes) e 23, na Globo, serão a melhor oportunidade que o eleitor terá para avaliar os candidatos e prestar atenção nas plataformas que cada um vai apresentar para um Brasil economicamente viável, progressista e, principalmente, que políticas públicas pretendem adotar para elevar a qualidade de vida da população, particularmente dos mais humildes.

