Ex-presidente da CDL, José Francisco Rodrigues será eleito em março em chapa única
Ele foi durante 36 anos um dos principais executivos de um dos maiores conglomerados de empresas privadas do país – o Grupo Líder-, e passou por dois mandatos na presidência da Câmara de Dirigentes Lojistas de Campos (CDL), ocupando também cargos na federação estadual desta entidade. Dois desafios vencidos com louvor.
Agora, José Francisco Rodrigues se prepara para presidir a Fundação Benedito Pereira Nunes, mantenedora da Faculdade de Medicina de Campos e do Hospital Escola Álvaro Alvim, além de outros equipamentos correlatos à Saúde.
Nesta entrevista, ele admite o tamanho do desafio e usa com forma de medi-lo sua experiência de executivo no setor privado. Afirma que vai administrar a Fundação como uma grande empresa e já começou a traçar juntamente com sua diretoria a estratégia de gestão. Ele falou um pouco de tudo, como por exemplo, a recente avaliação do curso de Medicina de Campos, não evitando temas desconfortáveis.
Você vem de uma bem sucedida carreira na direção executiva de um dos maiores grupos empresariais do país, teve a passagem de dois mandatos na CDL e hoje é empresário do setor de turismo. Agora, vai assumir a Fundação Benedito Pereira Nunes. Qual é a expectativa?
A minha expectativa é de fazer uma boa gestão. Eu não sou médico, mas não serei o primeiro não médico a assumir essa fundação, pois o advogado Marco Bruno foi presidente e fez uma excelente gestão. Eu passei a minha vida toda com a gestão empresarial e pretendo fazer um trabalho de gestão profissional, porque acho que chegou o momento em que a Fundação precisa desse tipo de foco. Gerir a entidade como uma empresa, e avançar.
É uma entidade de grande porte. Vai exigir muito. Preparado?
Sim. Lembrar que também temos um braço da fundação em Guarus e não somente a Faculdade, e o Hospital Escola. Então, isso requer uma gestão muito atenta, estabelecendo prioridades, metas e dialogando com vários pares do segmento da Saúde em Campos.
Essa definição de grande empresa é interessante para um marco zero de gestão. Pode falar mais sobre isso?
É uma grande empresa mesmo, com 1.200 funcionários. Muito grande, o que aumenta o grau do desafio. Mas, como eu já estive nessa área há um tempo, quer dizer, quando eu estava no grupo empresarial que eu fiquei por 36 anos, no Grupo Líder, onde comandava 1.500 funcionários. Então, sobre gestão de pessoas eu aprendi muito e acredito que isso será bastante útil para vencer esses desafios.
O senhor não é da área médica, mas tem um filho médico, e sempre conviveu com médicos da sua geração. Isso facilita um pouco?
Facilita sim. Tenho conversado muito com os médicos da minha geração e também com os da geração do meu filho. Além de um filho médico, tenho quatro netos já cursando medicina, além de muitos amigos. Estou conversando com médicos da minha geração, da geração do meu filho e também quero ouvir os colegas dos meus quatro netos que em breve serão médicos. É importante sublinhar que meu vice-presidente é o renomado médico Luiz Clóvis Parentes, uma pessoa extremamente capacitada na área, professor de medicina, que com certeza vai me ajudar muito nesse trabalho.
O presidente que o senhor vai suceder é o médico Geraldo Augusto Venâncio. Você está conversando com ele para uma transição?
Tenho conversado muito com ele. Geraldo é uma pessoa que tem comigo um relacionamento muito grande e o admiro muito, quer como médico, gestor e pessoa. Ele fez um trabalho belíssimo na fundação e isso impõe a mim um desafio ainda maior, chegando a achar que essa missão é uma das mais importantes da minha carreira. Ele realmente foi um grande gestor da Fundação, reformulou a faculdade, enfim. Geraldo é um cara especial, tem tradição na medicina, sendo filho de um grande médico. Eu vou ouvi-lo, sempre, trocar idéias. Eu estou sendo apoiado por ele e isso é de suma importância,
Mas existe no momento uma situação de desconforto com a nota de avaliação do curso de medicina da Faculdade de Campos, considerada uma das melhores do país. Seria impossível não fazer essa pergunta. Existe algum projeto nesse sentido?
Essa nota não condiz com o que realmente é nossa Faculdade de Medicina. Há pouco tempo nós fomos avaliados pelo MEC e a nossa nota foi 5. Nesta recente avaliação aconteceu alguma coisa que não reflete a nossa realidade. Não estou culpando os alunos e tampouco a faculdade. Não sabemos onde foi o erro, mas sei que foi uma nova modalidade de avaliação. Então, nós estamos hoje focados nisso, já que teremos uma nova avaliação em outubro deste ano. Tenho certeza de que o resultado desta próxima prova vai refletir a real situação do nosso curso, que é renomado em todo o país, sendo de excelência. A faculdade já está focada muito nesse aspecto, para nós tirarmos nota 4 ou 5, o que condiz com o nosso ensinamento.
A Fundação Benedito Pereira Nunes também influencia muito na questão pública. Ela não deixa de ser uma norteadora, uma voz muito poderosa e muito ativa, e saúde é um problema público. Considera isso parte do grande desafio?
Sim e como já disse, vamos dialogar com todos os atores, principalmente os públicos. O hospital escola é inclusive um grande diferencial da nossa faculdade. Ele faz parte do Sistema Único de Saúde e tem prestado ao longo de décadas um excelente serviço à população. Melhorar sempre é a nossa meta. Temos projetos para muita coisa melhorar. Acho que nós vamos tentar equipamentos novos, melhorar o atendimento de um modo geral. E para isso nós vamos contar com a classe médica, que é fundamental nisso tudo. É uma estrutura que tem que estar em permanente atualização, desde o seu corpo funcional, incluindo todos os profissionais da área médica para capacitação permanente. O mesmo modelo se aplica na parte administrativa e também na parte de diagnóstico, me referindo ao contexto de buscar sempre o que existe de mais moderno em equipamentos e aparelhos médicos.
Existem outros modelos de fundação em outras cidades. Você vai estreitar a relação com esses pares?
Vamos sim. Isso faz parte da nossa estratégia de gestão. Vamos procurar o que há de melhor em hospitais de referência que seguem esse modelo em todo o país de referência. Já estamos prospectando fundações semelhantes à nossa e vamos trocar experiências, pois o desafio é realmente muito grande. Isso para aprimorar cada vez mais o nosso hospital e a nova faculdade.
O senhor assume quando e qual é o tempo do mandato?
A eleição realmente vai ser dia 3 de março. Neste momento em que dou essa entrevista existe uma única chapa, o prazo para inscrição de outros expirou. Passa a ser então uma eleição de chapa única. Por isso aceitei falar sobre o assunto e dizer que estamos nos preparando, não só eu, mas toda a diretoria. O nosso mandato é de quatro anos, indo até 2030.
Para encerrar, Campos pode ser definida como uma grande cidade que conta com uma grande estrutura médica pública e privada. Na sua cabeça habita a hipótese de harmonizar esses serviços todos, falo em parcerias entre toda essa estrutura?
Sem dúvida! Primeiro que a Faculdade de Medicina é a coisa mais importante que nós temos, quer dizer, tudo começou com a Faculdade de Medicina. O hospital Álvaro Alvim veio depois. A Faculdade de Medicina é famosa pelos profissionais que formou. E essa excelência vem do treinamento médico, e são muitos os hospitais de grande porte na cidade E o relacionamento com os demais hospitais já existe e vamos sempre estreitar.

