Estradas precárias, obras atrasadas e falta de articulação desafiam o setor produtivo

O município de Campos dos Goytacazes trava o próprio desenvolvimento com ações isoladas e sem articulação, aponta a análise do economista Alcimar Chagas. Entre propostas de antecipação de obras na BR-101, as péssimas condições das estradas vicinais e o atraso na obra da Estrada dos Ceramistas, na opinião do especialista, o cenário evidencia a falta de integração entre produção, infraestrutura e logística, que impede o crescimento da cidade mesmo diante de debates sobre o tema.
No início do mês de abril, representantes da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) entregaram uma carta técnica à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), elaborada a partir de contribuições do setor produtivo do Norte Fluminense, para o aprimoramento do cronograma de obras previsto na nova concessão da BR-101.
À ANTT, foi solicitada prioridade para o trecho urbano da rodovia em Campos, do km 53 ao 84, marcado por engarrafamentos e prejuízos à logística. A sugestão é que a agência e a concessionária Arteris Fluminense façam estudo técnico para reavaliar o cronograma e antecipar obras em trechos críticos, como a região da Av. General Estilac Leal e da Rua Espírito Santo.


A BR-101 funciona como eixo estruturante da competitividade fluminense, sobretudo no Norte do Estado. No trecho, a rodovia articula a cadeia de óleo e gás da Bacia de Campos, viabiliza a integração logística com o Espírito Santo e serve de corredor para escoar a produção industrial via Porto do Açu.
De acordo com o subsecretário de Mobilidade Urbana, Sérgio Mansur, a interligação da BR-101 com a Avenida Estilac Leal, que dá acesso à Ponte Alair Ferreira, está prevista no novo contrato de concessão da Arteris. Segundo ele, a concessionária está em fase de desenvolvimento do projeto. A Prefeitura aguarda a apresentação para definir a desocupação da área necessária à execução da obra.
em nota, a A Arteris Fluminense informou que está prevista, em seu aditivo contratual firmado com a ANTT em 6 de março de 2026, a implantação da ligação da BR‑101/RJ com a Avenida General Estilac Leal, no trecho urbano de Campos dos Goytacazes.
“De acordo com o contrato, essa intervenção deverá ser executada até o 6º ano da concessão, o que corresponde ao prazo limite de março de 2032. A obra tem como objetivo melhorar a conectividade entre a rodovia federal e o sistema viário urbano, contribuindo para a fluidez do tráfego e para o aprimoramento da logística regional.”
A equipe de reportagem entrou em contato com a ANTT, mas, até o fechamento desta matéria não houve resposta.


Estrada de Ferro 118
A Firjan também está engajada nas discussões para a implementação da Estrada de Ferro 118 (EF-118), um projeto de infraestrutura logística com 495 quilômetros de extensão, considerada crucial para a modernização do Brasil. Essa ferrovia conectará o Rio de Janeiro ao Espírito Santo e se integrará à malha ferroviária nacional.
Com potencial para alterar a matriz de transporte de cargas no Sudeste, a EF-118 visa reduzir custos logísticos, aumentar a competitividade da indústria regional e impulsionar a economia dos estados envolvidos, tornando o Brasil mais competitivo no cenário global.
Em entrevista para o J3News, o economista Alcimar Chagas observa em Campos uma prática centrada em ações pontuais que se encerram entre si, não permitindo o avanço efetivo da economia local. “Quando olhamos para o município, de imediato nos deparamos com uma frágil infraestrutura econômica, representativa de gargalos para quem produz.”


Empecilhos
Alcimar Chagas aponta ainda alguns outros empecilhos que acontecem, como a situação precária nas estradas vicinais, que além de causar prejuízos para os produtores rurais, restringe também o investimento necessário à sua modernização, bem como as estradas disponíveis para os fluxos mais pesados (Ceramistas e BR-356), que segundo ele não atendem à demanda e geram sérios problemas para os residentes em seu entorno e riscos para a população que depende dessas vias para a locomoção.
“Se a infraestrutura como elemento de sustentação física ou organizacional para o funcionamento de sociedade é precária, a logística é deficiente e o sistema de produção não é atrativo para investimentos produtivos. A consequência é o atraso econômico observado na dependência de importação de alimentos e bens industrializados, na forte desaceleração industrial, no baixo padrão de renda média assalariada e no emprego concentrado no setor de serviço de reduzido padrão tecnológico.” Destacou Alcimar.
Ceramistas
A Estrada dos Ceramistas, reaberta ao tráfego em julho do ano passado, ainda enfrenta desafios com obras inacabadas e dificuldades na fluidez do trânsito. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER), responsável pela via, informou ao J3 que a estrada estava liberada para o trânsito, incluindo veículos de carga pesada, com limite de velocidade e desvio localizado. Nesta quarta-feira (29), a equipe de reportagem visitou a via e confirmou sua liberação. Contudo, antigas reclamações persistem no local: a maior parte da estrada opera em meia pista, a sinalização é escassa e o risco de violência é iminente durante a noite. Além disso, foi observado a ausência de máquinas trabalhando.


O motorista de caminhão Paulo Henriques, que trabalha há 15 anos na área, relatou a dificuldade em passar pela estrada. “Sou de Minas Gerais e passo por aqui toda semana obrigado para evitar multas pelo centro da cidade. É um trecho de terra, em meia pista, cheio de buracos e muita poeira. A pista é mal sinalizada, às vezes com motoristas na contramão, e barreiras que podem causar acidentes. Dirigir à noite é um risco.”
Os acidentes mais recentes incluem um caso em fevereiro deste ano, quando uma carreta ficou parcialmente suspensa após colidir com um bloco de concreto usado para contenção da via. Além disso, caminhoneiros de outros estados que dependem de GPS já se perderam no centro da cidade e reclamaram da falta de sinalização na cidade.
A respeito do andamento das obras, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ) ressaltou que as restrições operacionais são pontuais e feitas de acordo com a necessidade técnica. prazo para a conclusão das intervenções permanece para o primeiro semestre deste ano e o cronograma pode ser ajustado conforme a complexidade técnica dos serviços.
Ponte da Integração
Outro obstáculo logístico na região é a Ponte da Integração, que conecta São Francisco de Itabapoana , Campos e São João da Barra. Embora tenha sido inaugurada em fevereiro de 2025, as intervenções complementares, como as adequações viárias nas rodovias 194 e 196 e os acessos, ainda estão em andamento. Segundo o DER, equipes estão trabalhando na fase de ajustes técnicos e administrativos para dar prosseguimento aos serviços.
A ponte, uma das obras mais aguardadas pela população da região nas últimas décadas, recebeu o nome em homenagem ao deputado estadual João Peixoto, falecido em 2020 devido a complicações da Covid-19. A estrutura tem 1.344 metros de comprimento, 16,2 metros de largura e encurta a distância entre as duas cidades e o município de Campos em 80 quilômetros.
Em nota, a A Arteris Fluminense informou que está prevista, em seu aditivo contratual firmado com a ANTT em 6 de março de 2026, a implantação da ligação da BR‑101/RJ com a Avenida General Estilac Leal, no trecho urbano de Campos dos Goytacazes.
“De acordo com o contrato, essa intervenção deverá ser executada até o 6º ano da concessão, o que corresponde ao prazo limite de março de 2032. A obra tem como objetivo melhorar a conectividade entre a rodovia federal e o sistema viário urbano, contribuindo para a fluidez do tráfego e para o aprimoramento da logística regional.”
