Obra aborda temas como milícias, corrupção, violência e relação entre política e estruturas criminosas no Estado

Em passagem por Campos dos Goytacazes, o ex-deputado federal Marcelo Freixo (PT) apresentou reflexões sobre os bastidores do crime organizado no Rio de Janeiro durante entrevista ao J3News, na última quarta-feira (27). Autor do livro “Viver é Perigoso – Minha Travessia no Rio”, Freixo abordou temas como milícias, corrupção, violência e a relação entre política e estruturas criminosas no estado. A obra, escrita em parceria com o jornalista Bruno Paes Manso, mistura memória pessoal, análise política e relatos de enfrentamentos vividos ao longo de sua trajetória pública. Segundo o autor, compreender o Rio além dos cartões-postais é essencial para enfrentar suas crises mais profundas.
“[O livro] fala sobre todos os enfrentamentos que existem no Rio de Janeiro, alguns submundos que precisam ser compreendidos, mas traz a potência desse Rio, que faz o melhor Carnaval do mundo, que tem nas suas favelas um espaço de tanta cultura, mas de tanto preconceito e olhar que criminaliza essa pobreza”, completou.
A obra percorre ainda a trajetória pessoal e política de Freixo, ao mesmo tempo em que revisita momentos das últimas duas décadas da história do Rio de Janeiro. Ao longo do relato, o autor revisita a origem na periferia de Niterói, a atuação como professor e ativista de direitos humanos e os riscos enfrentados durante o período em que presidiu a CPI das Milícias na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
“Precisamos entender o Estado do Rio e, de alguma maneira, tirar um pouco dessa neblina que fica sobre um lugar tão extraordinário. Enxergar melhor o Rio, compreender quais são as suas mazelas e mergulhar num Rio que não é um cartão postal, que não é tão instagramável, mas que a gente precisa mergulhar para resolver.
Freixo deixou a presidência da Embratur em março de 2026. Ele é pré-candidato a deputado federal pelo PT.
Prisões de deputados campistas
Freixo afirmou ainda que as recentes prisões do deputado estadual Thiago Rangel e do ex-deputado e ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, ajudam a ilustrar, na prática, o tema central do livro.
Ambos são alvos de investigações distintas da Polícia Federal e tiveram as prisões determinadas pelo Supremo Tribunal Federal, sob a justificativa de risco à ordem pública e às apurações em andamento.
Segundo Freixo, episódios como esses demonstram que o problema não está apenas na existência do crime, mas no momento em que ele passa a ter projeto de poder.
“Eu fiquei quatro anos com o Bruno Paes Manso fazendo esse livro e a gente correu para apresentá-lo nesse momento, porque acho que ajuda a entender o Rio […]. Você tem dois deputados, infelizmente, aqui de Campos, presos. Um por suspeita de desvio na educação e o outro suspeito de relações com o crime organizado. Tem um outro deputado, esse não é daqui, preso por relações com o Comando Vermelho”, disse.
E completa: “Crime tem em qualquer lugar do mundo. O que não pode é o crime com projeto de poder. Isso é algo de máfia, perigoso, estruturante e cabe a gente denunciar, enfrentar e entender.”

