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Está completando 2 meses (13/Maio) desde que o caso Master, que já havia indiretamente atingido figuras do STF, chegou à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, causando o maior estrago nas pretensões presidenciais do senador do PL.
Neste particular, ter mentido e negado pedido de dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, já então preso, para produção do filme “Dark Horse”, afigurou-se pior do que a cobrança financeira propriamente dita. Logo depois uma segunda mensagem, então omitida por Flávio, ampliou o desgaste, cavando ainda mais o poço quando divulgada a visita que fizera a Vorcaro preso.
As pesquisas de intenção de votos, na época com pouca variação entre os pré-candidatos com maior pontuação, passaram a oscilar. A revelação do envolvimento de Jaques Wagner na teia de corrupção de Vorcaro representou um duro golpe para campanha de Lula, visto que o “galego” desempenhava o papel de líder do governo no Senado. Jaques não queria sair — resistiu. Usou Lula como escudo, e só depois de uma semana resolveu deixar o cargo. Lambança explícita.
Contudo, outra marretada traria nova fissura na campanha de Flávio: a madrasta, Michelle Bolsonaro, gravou áudio em que se disse maltratada e humilhada pelo enteado e que estava deixando a campanha. Depois, em novas manifestações, turbinou a artilharia com insinuações.
O ar de vingança mostra-se explicito, por ora apontando perda de votos do senador junto ao eleitorado feminino.
E tem sido assim, de escândalo em escândalo, de denúncia em denúncia, que o Brasil está a menos de três meses de votar no 1º turno da eleição de presidente da República e a pouco mais de 3 de escolher o mandatário em caráter final.
Como se vê nas miniaturas que reproduzem algumas das páginas publicadas sobre a política nacional — particularmente a fase de pré-candidaturas —, o espaço segue cobrindo de perto os acontecimentos perturbadores que narram esta que se apresenta como a campanha mais vil da história das eleições presidenciais.
Pesquisas vão acompanhando o movimento dos candidatos e se acomodando a cada novo roteiro
Será preciso aguardar as pesquisas anunciadas para esta semana e ver como se acomodam as intenções de voto se a eleição fosse neste meado de julho. Isso porque, levando em conta tantas nuances, é curioso que os apanhados de diferentes institutos tenham, de início, acusado as escabrosas revelações de um lado e de outro para, em seguida, retornar a patamar não tão distante ou até mesmo de igualdade entre os pré-candidatos que polarizam a disputa: o presidente Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro.
Em 22 de maio, uma semana após ter vindo à tona o caso ‘Dark Horse’, pesquisa Datafolha mostrou impacto menor do que o esperado: na simulação de 2º turno, Lula tinha 47% contra 43% de Flávio; — apenas 4 pontos de diferença. Já na sondagem para 1º turno, o presidente abria vantagem: 40 contra 31.
Dias depois (29/Maio), o PoderData — também em cenário de 2º turno — apontou a mesma diferença de 4 pontos: Lula 46%, ante Flávio com 42%.
Caso Jaques Wagner e vídeo de Michelle
No mês passado, entre os dias 18 e 24, dois episódios mexeram com os números da corrida presidencial: o envolvimento de Jaques Wagner com o Banco Master e o vídeo de Michelle Bolsonaro revelando “ataques” que teria sofrido do enteado Flávio e a decisão de deixar a campanha.
No grande tablado de confusões de parte a parte, as pesquisas foram atropeladas, com percentuais oscilando entre os diferentes institutos. O presidente Lula, contudo, manteve 9/10 pontos para Flávio em simulação de 1º turno e 6/8 pontos para o segundo.
O Vaivém das consultas mais recentes
Situação de certa forma curiosa, nessas duas semanas de julho os levantamentos aproximaram os percentuais dos dois candidatos. Pesquisa realizada pelo Instituto Gerp, divulgada semana passada (8), indicou empate no 1º turno no cenário estimulado, com Lula e Flávio marcando 36 pontos cada. O ex-governador Ronaldo Caiado aparece com 4 pontos, seguido de Romeu Zema, com 2, e Renan Santos, também com 2.
Gerp/Aesp — Consultando duas mil pessoas, o Gerp/Aesp, também do dia 8, captou inversão em relação aos demais institutos na consulta de 2º turno. O instituto captou Flávio na frente, com 45%, e Lula com 42%. Pelo levantamento, os dois estão tecnicamente empatados, visto que a margem de erro é de 2,2%.
Meio/Ideia — Divulgada pela CNN/Brasil, pesquisa Meio/Ideia, igualmente de 4ª-feira passada (8),
mostrou o presidente Lula com 40,4% das intenções de voto no 1º turno, a frente de Flávio Bolsonaro, que registrou 32%. Ronaldo Caiado (PSD) marcou 4%; Romeu Zema, 2,5% e Renan Santos também 2%.
Observação sobre o 1º turno
Cabe destacar que as amostragens de 1º turno têm menor relevância, salvo, obviamente, se o candidato obtiver 50% mais um voto. No pleito presidencial deste ano a hipótese parece bastante improvável. Seria o caso do presidente Lula — supostamente na frente se eleição fosse por esses dias — alcançasse a maioria absoluta.
Não sendo o presumível, a eleição de segundo turno é uma outra eleição. Mesmo porque, neste pleito, os votos conferidos a Caiado e Zema — candidatos de direita — vão, supostamente, migrar para Flávio. Isso, no caso de um destes não ocupar a segunda posição — opção difícil de se concretizar.

