Coordenador da Maternidade Lília Neves, destaca a importância da informação para as mulheres gestantes e puérperas

O aleitamento materno é fundamental para a saúde e o desenvolvimento do bebê e também traz benefícios importantes para a saúde da mulher. Durante o Agosto Dourado, campanha dedicada à promoção, proteção e apoio à amamentação, o médico ginecologista e obstetra Diego Azevedo, coordenador da Maternidade Lília Neves, destaca a importância da informação, do acompanhamento profissional e do acolhimento às mães.
Na entrevista, ele fala sobre os benefícios do aleitamento, as principais dificuldades enfrentadas nos primeiros dias e as ações desenvolvidas pela maternidade para orientar as mulheres desde a gestação até o pós-parto.
O que representa o Agosto Dourado e por que a campanha é tão importante para a conscientização sobre o aleitamento materno?
O Agosto Dourado é uma campanha dedicada à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. A cor dourada simboliza o chamado “padrão ouro” da alimentação infantil, destacando a importância do leite materno para a saúde e o desenvolvimento da criança.
Mais do que incentivar a amamentação, a campanha é uma oportunidade para levar informação de qualidade às famílias e mostrar que amamentar não depende exclusivamente da mãe. É um processo que precisa de apoio da família, dos profissionais de saúde, das instituições e da sociedade.
A recomendação é que, sempre que possível, o aleitamento materno seja exclusivo nos primeiros seis meses de vida e continue, associado à alimentação complementar, até os dois anos ou mais.
Quais são os principais benefícios da amamentação para o bebê e também para a saúde da mãe?
Para o bebê, o leite materno oferece nutrientes na quantidade adequada e componentes imunológicos importantes para sua proteção. A amamentação está associada à redução de infecções, especialmente gastrointestinais e respiratórias, além de contribuir para o crescimento, o desenvolvimento e o fortalecimento do vínculo entre mãe e filho.
Para a mulher, os benefícios também são importantes. Amamentar auxilia na recuperação após o parto, favorece a contração uterina e está associado à redução do risco de algumas doenças ao longo da vida, incluindo câncer de mama e de ovário.
Além dos benefícios biológicos, existe um aspecto emocional muito relevante. A amamentação pode ser um momento de vínculo e proximidade, desde que a mulher esteja adequadamente orientada e amparada.
Quais ações a Maternidade Lília Neves desenvolve para incentivar, apoiar e orientar as mulheres sobre a amamentação desde a gestação até o pós-parto?
Na Maternidade Lília Neves, entendemos que o incentivo à amamentação começa ainda durante a gestação. Por isso, promovemos rodas de conversa com as gestantes, nas quais a amamentação é uma pauta permanente. É um espaço importante para esclarecer dúvidas, orientar sobre as primeiras mamadas, falar sobre possíveis dificuldades e, principalmente, preparar a mulher para esse momento de forma mais segura e tranquila.
Após o nascimento, nossa equipe busca favorecer o contato entre mãe e bebê e o início da amamentação o mais precocemente possível, sempre respeitando as condições clínicas de ambos.
Durante a internação, a mãe conta com o acompanhamento da equipe multiprofissional, recebendo orientações sobre posicionamento do bebê, pega adequada, livre demanda, características do colostro e manejo das dificuldades que podem surgir nos primeiros dias.
Mais do que simplesmente incentivar a mulher a amamentar, nosso propósito é preparar, orientar e estar ao lado dela durante esse processo, oferecendo informação, suporte e acolhimento desde a gestação até o pós-parto.
Quais são as principais dificuldades enfrentadas pelas mães nos primeiros dias de amamentação e como a equipe da maternidade pode ajudá-las nesse período?
Os primeiros dias costumam ser justamente o período de maior insegurança. É muito comum a mãe acreditar que possui pouco leite porque, inicialmente, produz colostro em pequenas quantidades. Também podem ocorrer dificuldades na pega, dor durante as mamadas, fissuras nos mamilos, ingurgitamento das mamas e dificuldade para encontrar uma posição confortável.
Muitas dessas situações podem ser prevenidas ou resolvidas com avaliação e orientação adequadas.
Por isso, a observação de uma mamada por um profissional capacitado pode fazer grande diferença. Pequenos ajustes na posição da mãe e do bebê ou na pega podem transformar uma experiência dolorosa em uma amamentação muito mais confortável.
É também fundamental evitar comparações. Cada mulher, cada bebê e cada processo de amamentação são diferentes.


Que orientações o senhor daria às mulheres que estão se preparando para amamentar, especialmente para aquelas que serão mães pela primeira vez?
Minha principal orientação é: procure informação, mas não crie a expectativa de que é preciso saber amamentar antes mesmo de o filho nascer.
A amamentação é um aprendizado da mãe e também do bebê. Os primeiros dias são um período de adaptação, e dúvidas e dificuldades podem fazer parte desse processo.
Não existe necessidade de preparar os mamilos durante a gestação com técnicas caseiras, fricção ou exposição excessiva. O mais importante é conhecer os princípios básicos da amamentação e saber onde procurar ajuda caso surjam dificuldades.
Depois do nascimento, procure manter o bebê próximo, ofereça o peito em livre demanda e não tenha receio de pedir para que um profissional observe uma mamada. Dor persistente ou lesões importantes não devem ser encaradas simplesmente como algo que a mulher “precisa suportar”.
Que mensagem o senhor deixaria para as mães que, por diferentes motivos, enfrentam dificuldades para amamentar e podem se sentir inseguras ou culpadas?
Talvez essa seja uma das mensagens mais importantes do Agosto Dourado: incentivar a amamentação não significa julgar a mãe.
Existem mulheres que desejam muito amamentar e encontram dificuldades. Existem situações clínicas maternas ou do bebê que tornam o processo mais complexo e, em algumas circunstâncias, podem impedir ou limitar o aleitamento.
Quando uma mulher encontra dificuldades, ela precisa de apoio, avaliação e orientação — não de culpa.
Nosso papel como profissionais de saúde é oferecer todas as condições possíveis para que a amamentação aconteça quando for desejada e clinicamente possível. Mas também é nosso papel acolher e cuidar quando o caminho precisa ser diferente.
O Agosto Dourado deve ser uma campanha de incentivo, mas, acima de tudo, de informação e acolhimento. Porque cuidar da amamentação também significa cuidar da mãe.
