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Rodrigo Lira – Doutor em política, professor e pesquisador do programa de doutorado em Planejamento Regional e Gestão de Cidades da Universidade Candido Mendes – No dia em que os brasileiros vão às urnas, uma questão deveria anteceder qualquer preferência partidária: que compromisso os candidatos demonstram com a democracia?
Os dados internacionais mostram a dimensão do desafio. O relatório de 2026 do V-Dem aponta que 74% da população mundial vive em regimes autocráticos. A Freedom House registra, por sua vez, o 20º ano consecutivo de queda da liberdade global e identifica, entre as maiores deteriorações das últimas duas décadas, a liberdade de imprensa, a liberdade de expressão pessoal e as garantias do devido processo legal.
O Brasil conhece de perto a importância dessas instituições. Os ataques de 8 de janeiro de 2023 e os julgamentos posteriores no Supremo Tribunal Federal, incluindo condenações relacionadas ao planejamento de uma tentativa de golpe de Estado, lembram que a democracia não deve ser tratada como conquista irreversível.
Por isso, além das propostas para economia, saúde, educação ou segurança, algumas perguntas merecem acompanhar a escolha eleitoral. O candidato respeita o resultado das urnas? Reconhece a legitimidade das instituições? Convive com a crítica e com uma imprensa livre? Defende o direito de manifestação de quem pensa diferente? Aceita os limites constitucionais ao exercício do poder?
Democracia não é apenas votar. É garantir que possamos continuar votando, discordando, fiscalizando governos, cobrando autoridades e manifestando opiniões sem medo de perseguição.
Em tempos de polarização, talvez esse seja um bom ponto de partida: antes de perguntar apenas o que um candidato promete fazer, vale observar também como pretende exercer o poder. Políticas públicas podem ser revistas em uma eleição seguinte. A erosão das instituições democráticas, quando avança, costuma ser muito mais difícil de reverter.
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