sábado, setembro 26

Decisão foi tomada por 5 votos a 4; colegiado também manteve procurador-geral à frente dos processos relacionados ao Banco Master

Procurador Geral da República, Paulo Gonet – Agência Brasil

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) decidiu nesta sexta-feira (25), por 5 votos a 4, não abrir procedimento de investigação contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O pedido havia sido apresentado pelo Partido Novo, que também solicitava o afastamento do procurador da condução dos processos relacionados ao Banco Master.

Gonet foi citado em mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que está preso. O partido alegava possível prática de prevaricação e pedia que o procurador deixasse de atuar nos procedimentos envolvendo o caso.

Na mesma sessão, o conselho decidiu, por unanimidade de 9 votos a 0, manter Gonet à frente dos processos. O colegiado considerou que não havia motivo para afastá-lo das funções relacionadas às investigações.

Votação

Votaram contra a abertura da investigação o relator do caso, Francisco Sanseverino, e os subprocuradores Celso Albuquerque, Alexandre Camanho, Hidenburgo Chateaubriand e Nicolau Dino.

A abertura do procedimento foi defendida pelos subprocuradores Janice Ascari, Samantha Chantal Dobrowolski, José Adonis e Ana Borges Santos.

Durante a sessão, Hidenburgo Chateaubriand afirmou que não identificou elementos que indiquem uma relação de amizade íntima entre Gonet e Vorcaro. Segundo ele, eventual afastamento do procurador-geral dependeria de decisão judicial.

“Não há rigorosamente nada que possa sugerir que o procurador-geral da República tenha algum tipo de amizade íntima com esse investigado. Jamais vi alguém ser considerado amigo íntimo de alguém que sequer consta da agenda telefônica”, afirmou.

Em sentido contrário, a subprocuradora Ana Borges Santos considerou que havia elementos suficientes para justificar a apuração de uma possível prática de prevaricação. Para ela, o caso envolvendo o Banco Master poderia ser analisado como um episódio de corrupção no setor financeiro.

“Há elementos suficientes para caracterizar, em tese, o dolo específico para imputar ao procurador-geral o crime de prevaricação, e assim autorizar uma investigação criminal”, declarou.

Mensagens

As referências a Gonet vieram a público depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de parte da investigação que também envolve mensagens enviadas por Vorcaro a um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes.

Segundo a Polícia Federal, o ex-banqueiro intensificou o envio de mensagens para esse número nos dias anteriores à sua prisão, em 17 de novembro de 2025.

Em 15 de novembro daquele ano, Vorcaro demonstrou preocupação com o avanço de uma investigação da PF que ainda tramitava na primeira instância da Justiça Federal, em Brasília. Na ocasião, citou os nomes de Paulo Gonet e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Em uma das mensagens, escreveu: “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”

A menção aos nomes, porém, não é acompanhada de indícios de que Gonet ou Andrei Rodrigues tenham interferido nas investigações.

Na semana passada, o jornal O Globo publicou uma fotografia de Gonet ao lado de Vorcaro e de outras pessoas ligadas ao ex-banqueiro durante um evento jurídico promovido pelo Banco Master, em Londres, em abril de 2024.

Após a divulgação das mensagens, Gonet negou ter proximidade com Vorcaro e afirmou que o contato entre os dois ocorreu de maneira “brevíssima e banal”.

Com informações da Agência Brasil

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