segunda-feira, abril 20

Procedimento minimamente invasivo amplia possibilidades de tratamento infantil

Saúde

20 de abril de 2026 – 0h02

Procedimento|Técnica aplicada é considerada minimamente invasiva (Foto: Divulgação)

A realização de uma cirurgia pediátrica por videolaparoscopia no Hospital Dr. Beda, em Campos dos Goytacazes, marca um avanço na medicina local ao incorporar tecnologia de imagem e técnicas minimamente invasivas no atendimento infantil. O procedimento foi conduzido pelas médicas cirurgiãs pediátricas Renata Rangel e Renata Restay em um paciente lactente diagnosticado com criptorquidia com testículo impalpável — condição em que o testículo não está localizado na bolsa escrotal e não pode ser identificado ao exame físico.

O procedimento realizado foi uma cirurgia videolaparoscópica, abordagem para investigação e correção do quadro. A exploração laparoscópica é indicada para pacientes que não apresentam o testículo na bolsa ao nascimento e sem possibilidade de identificação ao exame físico. A técnica, considerada minimamente invasiva, utiliza câmera e instrumentos delicados introduzidos por pequenas incisões. “A videocirurgia é uma técnica minimamente invasiva realizada com o auxílio de uma câmera e instrumentos delicados”, explica Renata Rangel.

A cirurgiã pediátrica Renata Restay destaca as particularidades na pediatria: “A criança não é um ‘adulto pequeno’, é um ser em desenvolvimento, com estrutura física, fisiologia e patologias bastante diversas das do adulto, o que exige maior cuidado na indicação e execução do procedimento. Fatores como tamanho e peso da criança são determinantes. Na faixa etária pediátrica, tem que ser levado em conta o tamanho e o peso da criança para a proporção do material”, afirma. De acordo com as médicas, os desafios vêm sendo superados com treinamento e investimento em equipamentos.

Entre as indicações mais comuns da videolaparoscopia na pediatria, há situações como criptorquidia não palpável, apendicite e doenças da vesícula biliar. A escolha da técnica, no entanto, é sempre individualizada. A videocirurgia pode ser realizada na faixa etária pediátrica como um todo, desde que haja indicação, material adequado e capacitação. “Isso é bastante variável e depende de muitos fatores, que incluem tamanho da criança, patologia, estabilidade e material”, ressalta Renata Rangel, acrescentando que “a prioridade será sempre o melhor a ser oferecido para cada paciente”.

Entre os benefícios da videolaparoscopia, destacam-se as incisões menores e maior precisão. “São as principais vantagens, além de oferecer menos dor no pós-operatório”, diz Renata Rangel. “A cirurgia minimamente invasiva com acessos menores à cavidade, possibilita  melhor visualização e magnificação”, complementa.

Sobre a recuperação, há nuances. O tempo de recuperação é semelhante ao do método convencional, porém a cirurgia minimamente invasiva permite retorno às atividades em um período um pouco menor. A evolução pode variar conforme cada caso. Em relação aos riscos, Renata Rangel destaca que “a técnica minimamente invasiva reduz o trauma cirúrgico, o que contribui para menor risco de infecção e menos complicações”.

Contraindicações
As médicas também chamam atenção para as contraindicações. Existem situações em que a videocirurgia pode não ser indicada, como em casos de instabilidade clínica do paciente. Renata Restay exemplifica: “Existem muitos casos em nossa especialidade em que a videocirurgia não é recomendada. A hérnia inguinal da criança, por exemplo, não será realizada por vídeo”. A realização desse tipo de procedimento exige estrutura e qualificação.

“A realização desse tipo de procedimento exige planejamento cuidadoso, com equipe treinada e estrutura hospitalar adequada. A equipe precisa estar habilitada especificamente nesse acesso, e o hospital precisa adquirir equipamentos compatíveis com o tamanho e o peso da criança. A videocirurgia pediátrica já é uma realidade em centros mais estruturados, mas ainda representa um avanço importante em muitas regiões”, afirma Renata Rangel.

A iniciativa abre caminho para novos procedimentos do gênero em Campos dos Goytacazes, consolidando a cidade como um polo em expansão na cirurgia pediátrica com suporte tecnológico avançado. “Trata-se de mais uma ferramenta para utilizarmos nos cuidados que oferecemos, ampliando as possibilidades de tratamento com qualidade e segurança”, conclui Renata Restay.

Share.
Leave A Reply

Exit mobile version