terça-feira, março 3

O professor da UFF, José Luis Vianna Cruz, avalia o cenário político e um possível governo de Frederico Paes, atual vice-prefeito

José Luis Vianna Cruz é professor da UFF (Divulgação)

O cientista político e professor da Universidade Federal Fluminense, José Luis Vianna Cruz, avaliou os possíveis desdobramentos políticos da eventual saída do prefeito Wladimir Garotinho do comando da Prefeitura de Campos dos Goytacazes para disputar novos cargos, transferindo a gestão ao vice Frederico Paes.

A reportagem especial do J3News  “Entre Campos e Brasília: futuro de Wladimir deve ser definido até abril” (leia aqui) discorre sobre especulações de o prefeito da cidade deixar o cargo para disputar as eleições de outubro. Novos fatos surgiram em torno da escolha da chapa do PL para a sucessão de Cláudio Castro no Governo do Rio de Janeiro (leia aqui).

Há uma semana, o pré-candidato do partido à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro, teria convidado Wladimir para se filiar ao PL e coordenar sua campanha no Norte e Noroeste Fluminense. (leia aqui). No entanto, Wladimir não confirmou nem negou a informação divulgada na imprensa.

Como o senhor observa a possibilidade de Wladimir deixar a prefeitura e transmitir o cargo ao vice? O que esse gesto pode provocar política e economicamente?

Considero que Wladimir deseja voos maiores, seguindo o DNA político do clã Garotinho, como forma de manter a família influente na política. Quanto ao impacto, isso dependerá muito do jogo político nacional e estadual. No estado do Rio de Janeiro, há variáveis como as alianças do presidente Lula e do PT para a reeleição, além do cenário envolvendo políticos de direita, como o próprio governador, muitos aliados de Wladimir, e o futuro do grupo ligado a Rodrigo Bacelar, que sofreu desgaste recente na Assembleia Legislativa.

Como a saída poderia ser interpretada pela população?

A reação popular é imprevisível. Vai depender de como Wladimir conduzirá publicamente a questão e do tratamento publicitário dado ao fato. O vice é visto como alguém sem carisma político e com base restrita às elites agropecuárias locais. Há também desgaste do segundo mandato, que aparenta estar voltado à manutenção de feudos políticos, sem priorizar políticas públicas consideradas essenciais.

Como imagina que seria uma gestão de Frederico Paes?

A princípio, poderia ser uma gestão “teleguiada”, marcada pela divisão de redutos eleitorais e político-administrativos estruturados por Wladimir. No entanto, há tradição de vice-prefeitos buscarem caminhos próprios. Tudo dependerá do sucesso ou fracasso das movimentações políticas de Wladimir e de seu pai, o ex-governador Anthony Garotinho.

A cidade enfrenta problemas acumulados nos últimos anos. O que pode ocorrer se o vice assumir? Pode haver melhorias?

Acredito que nada vá melhorar e que a situação pode até piorar. Frederico é ligado a um grupo da agropecuária que, na minha avaliação, impede que Campos se fortaleça como polo de agricultura familiar e agroecológica. Trata-se de um grupo que historicamente tem dificultado o desenvolvimento mais amplo do município.

Estas observações não têm possibilidades otimistas?

O cenário político atual resulta em provável insegurança quanto ao futuro da cidade. O pequeno grupo que sempre monopolizou a Prefeitura continua forte. É um grupo conservador e radical de direita, o que não me permite ser otimista.

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