Evento reúne profissionais diversos profissionais, pesquisadores e estudantes para discutir humanização e saúde mental de famílias de prematuros

O Centro Nicola Albano UTI Neonatal e Pediatria, integrante do Grupo IMNE, promoveu, nesta quinta-feira (27), o I Simpósio Multidisciplinar em Neonatologia sob o Olhar da Psicologia. O encontro, na B.House, reuniu diversos profissionais de medicina, além de psicólogos e estudantes, no Dia do Psicólogo. Eles discutem o desenvolvimento do bebê durante o período de internação na Unidade de Terapia Intensiva, além do cuidado integral ao recém-nascido e à sua família, com ênfase na saúde mental de pais e mães de prematuros.
A médica neonatologista Laura Dias é diretora do Centro Nicola Albano e uma das palestrantes do encontro. Ela destaca o papel da psicologia nas atividades da UTI. “A psicologia faz parte do tratamento de crianças. Assim, é muito importante que a gente mostre aqui como é que a gente trata uma criança. A gente trata com tecnologia e a gente trata com ciência, que é o cuidado que a gente precisa ter com o desenvolvimento cerebral que existe dentro da UTI”, explica.
Laura Dias comentou sobre o que representa um bebê que pode passar meses dentro de uma UTI. “A quantidade de desenvolvimento cerebral, de sinapses que ele está fazendo, de informações que ele vem recebendo dentro desse espaço. Então, isso é terapêutico e uma preocupação com o vínculo que ele consegue fazer com a família. Se a gente não pensar desse jeito, não é ciência. A sobrevida de crianças hoje está atrelada a esse desfecho de sucesso. E a neonatologia caminhou bastante para proteger pessoas. O nosso primeiro embate é salvar vidas. É muito importante a psicologia, a fonoaudiologia, a enfermagem, os médicos e o contexto da terapia ocupacional, que fazem com que a assistência alcance a meta”, diz.
A psicóloga Glória Abreu atua na instituição há quase 30 anos. Ela falou da relevância do I Simpósio Multidisciplinar em Neonatologia. “Hoje é um dia muito importante para todos nós da psicologia. A gente quer marcar esse dia através de conhecimento, de reflexões e troca de referências. A psicologia tem um papel de extrema importância. Até porque o nosso paciente não é o bebê, mas a família, que precisa de acolhimento nesse momento de dor. Precisa que se trabalhe o medo, a incerteza, a culpa e a insegurança. A psicologia é fundamental nesse momento da vida da família”, comenta.
Tecnologia e humanidade
A pesquisadora Maura Cobra é coordenadora do Programa de Residência Multiprofissional e Educação Permanente do Centro Nicola Albano. “O Programa Multiprofissional é composto pelas áreas de psicologia, enfermagem e fisioterapia, e a gente está aqui discutindo por uma visão interdisciplinar e multiprofissional. Esse evento traz as nuances de várias categorias dentro do cuidado neonatal e o cuidado centrado na família, temática bastante desenvolvida aqui. É uma oportunidade de trazer também resultados de estudos que fizemos aqui no Centro Nicola Albano, com essas diferentes percepções e áreas profissionais na qualidade do cuidado neonatal”, comentou.
A médica neonatologista Vera Marques integra a equipe multiprofissional do Centro Nicola Albano. “A UTI Neonatal deve ir muito além dos monitores, incubadoras e respiradores. Ela deve integrar o afeto. Por isso, hoje a gente faz um simpósio sobre o olhar da psicologia, e isso é o que vai favorecer o desenvolvimento desse recém-nato, muitas vezes prematuro, que vai para a UTI Neonatal. Esse evento é importantíssimo. É olhar e aprender com esse bebê o que ele quer nos dizer, além do físico”, comentou.
A abertura do I Simpósio Multidisciplinar em Neonatologia contou com a participação de músicos da banda APAExonei, da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais. A diretora administrativa do Grupo IMNE, Martha Henriques, também esteve no encontro.
“Para mim, particularmente, que vivenciei três meses dentro da UTI com minha neta e filha, eu percebo qual é a diferença dessa UTI para o paciente e sua família. Quando a gente fala de neonatologia, não fala só do bebê prematuro, mas de toda a família envolvida nesse processo. A psicologia contribui para humanizar um cuidado que envolve tecnologia e profissionais capacitados, oferecendo acolhimento, segurança e confiança às famílias. É a ciência, mas também uma ciência humanizada, porque, diante da emoção, até quem tem conhecimento técnico se torna leigo. Por isso, é fundamental o trabalho conjunto da equipe multidisciplinar, com a psicologia ao lado da família e da criança”, finaliza.
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