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    Centro Cultural amplia horizontes para crianças da Tapera 3, em Campos

    7 de junho de 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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    Centro Cultural amplia horizontes para crianças da Tapera 3, em Campos
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    Projeto mantido por voluntários oferece reforço escolar, arte, balé e acolhimento para mais de 60 crianças da comunidade

    Estudantes da Tapera 3 chegam ao Centro Cultural Bruno Black, bairro rural em Campos dos Goytacazes (Fotos: Silvana Rust)

    Em Campos dos Goytacazes, no bairro rural Tapera 3, funciona há quase dois anos o Centro Cultural Bruno Black, homenagem a um ativista negro carioca. A iniciativa da moradora e escritora Cristiele Lemos foi abraçada pela comunidade. Cerca de quatro mil pessoas vivem no conjunto habitacional, ocupado nos anos 2010, ainda sem conclusão à época, durante o projeto “Morar Feliz” da Prefeitura Municipal. O espaço cedido conta com voluntários que auxiliam mais de 60 crianças com reforço escolar, aulas de pintura, balé e noções de informática. Apesar das dificuldades, há várias conquistas.

    Coordenadores no espaço destinado à informática e leitura

    Com a ajuda de comerciantes e da população da Tapera 3, o Centro Cultural tem sido ampliado. Recentemente, o banheiro foi instalado e concluído. Há uma sala onde funcionam a biblioteca e os computadores. Oficinas de artesanato e pintura fazem parte da rotina das crianças. Há meninos e meninas que aguardam oportunidade para frequentar as aulas no local. Com poucas carteiras disponíveis, não há como acomodar todos. A equipe de voluntários conta com a doação de mobiliário adequado, mas ainda não conseguiu o suficiente.

    Cristiele Lemos é coordenadora geral do Centro Cultural

    Cristiele Lemos é uma das coordenadoras do Centro Cultural da Tapera 3. Criada em comunidade, ela transformou a própria experiência em motivação para criar oportunidades para crianças e adolescentes da região. “Eu cresci em uma comunidade e não queria que o ponto de partida de alguém definisse o futuro dessa pessoa. Quando cheguei aqui, fiz um mapeamento, vi que não havia opções para as crianças e pensei: ‘Eu preciso fazer alguma coisa’”, conta.

    Coordenadores do Centro Cultural no espaço destinado à biblioteca e informática

    A ampliação da estrutura foi possível graças à combinação de recursos obtidos. “O primeiro avanço veio por meio de um edital, mas o recurso não era suficiente para tudo. Muitas etapas da reforma só aconteceram graças à ajuda de parceiros. Quando faltou tinta, por exemplo, uma empresa do ramo de material de construção fez a doação”, relata. Em pouco mais de um ano, o espaço se tornou referência para a comunidade. “A gente planeja crescer porque precisa de mais salas. Mas, em pouco mais de um ano, conseguimos construir tudo isso. Para nós, já é uma vitória enorme”, destaca Cristiele.

    Voluntários e a comunidade

    Adriana Lemos faz parte da oficina de artes

    Sem o trabalho dos voluntários, nada funcionaria no Centro Cultural Bruno Black. Duas vezes por semana, a professora de arte Adriana Lemos conduz atividades de desenho e expressão artística, que ajudam a estimular a criatividade e os sonhos dos participantes. Segundo ela, as aulas se tornam momentos de diálogo e descoberta. “Eles sempre falam que querem ser alguém, começam a dizer o que querem ser no futuro. Os desenhos deles estão ficando maravilhosos e isso me surpreende a cada dia”, afirma.

    Johse Faber é professora voluntária

    A professora voluntária Johse Faber concilia a atividade no Centro Cultural com o trabalho que exerce no Porto do Açu. Moradora de Ururaí, ela se desloca de bicicleta para participar das aulas e destaca que o voluntariado é uma forma de retribuir o apoio que recebeu ao longo da vida. “Quando entrei no Porto, tive pessoas que me ajudaram. Aqui encontrei a oportunidade de apoiar outras pessoas também”, afirma.

    Lauany Gomes é coordenadora e voluntária

    Lauany Gomes acompanha de perto as atividades oferecidas às crianças e dá suporte aos voluntários que atuam no projeto. “Antes não tinha nada para as crianças fazerem. Quando começamos, o espaço logo encheu. Além do lazer, aqui elas encontram conhecimento e acolhimento”, destaca.

    Wellerson Nascimento é coordenador e voluntário

    Um dos coordenadores do Centro Cultural, Wellerson Nascimento atua na captação de recursos, documentação e busca de parcerias para fortalecer as atividades desenvolvidas na comunidade. Morador de Ururaí, ele iniciou sua participação como professor de artes digitais, ministrando oficinas de fotografia, impressão 3D e corte a laser:

    Crianças da comunidade recebem aulas de reforço escolar

    “Estamos sempre buscando desenvolvimento para a comunidade e criando oportunidades para as crianças. Ver esse crescimento é o que nos motiva a continuar. Antes, quando abríamos a porta, as crianças corriam para cá porque não tinham muitas opções. Hoje vemos o interesse delas pela cultura, pelo conhecimento e pela convivência. Isso mostra o impacto positivo que o projeto tem gerado na comunidade”, conclui.

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