Wendell Alexander, de 67 anos, é fundador da equipe Nova União, e conquistou o título nacional em São Paulo
Exemplo para gerações. Referência para crianças e jovens, incentivo para adultos e idosos. São status que hoje definem a trajetória, a representatividade e o trabalho de Wendell Alexander, o Dell. Aos 59 anos, acaba de ser campeão brasileiro de jiu-jitsu, na principal disputa nacional do esporte, organizada pela Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ).
Radicado em Campos dos Goytacazes há 30 anos, o mestre detém a faixa coral vermelha e branca, compondo um grupo seleto, com reconhecimento internacional. A graduação está dois graus acima da faixa preta na modalidade. São necessários 31 anos de faixa preta para chegar à coral vermelha e preta. Depois, mais sete anos para alcançar a coral vermelha e branca. O que mostra o tamanho de Wendell no esporte. No Campeonato Brasileiro, era o único faixa coral competindo. Lá, foi campeão na categoria Faixa-Preta Master 6 Super Pesado.
Dell conquistou a Faixa-Preta em 1986, aos 20 anos. Em 1996, foi campeão Pan-Americano de Jiu-Jitsu. E é no mesmo ano, há três décadas, que começa a sua história com Campos. Foi naquele ano que, após vir à cidade e vencer uma competição, recebeu o convite para coordenar um projeto e ensinar jiu-jitsu no maior município do interior do Estado, deixando então a capital fluminense. Conheceu Dedé Pederneiras e juntos, montaram equipes fortes e se destacaram em dois torneios. Até que decidiram fundar a Nova União, academia hoje renomada em âmbito nacional e internacional no esporte.
Hoje, Dell tem cerca de 300 alunos, dos 3 aos 67 anos. Com as crianças, ensina fundamentos básicos, além de aplicar sua experiência para instruir outras questões também importantes no esporte, como disciplina, dedicação, consciência, ritmo e mobilidade. “Já sou professor há muitos anos. Então, criei um mecanismo para dar aula às crianças, com uma base voltada para a coordenação motora e a parte disciplinar. Eles brincam, enquanto a gente trabalha a educação — o que pode e o que não pode. Com 8 anos, já estão preparados e graduados para começar a trabalhar visando as competições”, explica.

História na principal organização de artes marciais do mundo
Quem é campista e apaixonado por esporte, provavelmente se lembra do “Lamparão” Léo Santos, levando o nome da cidade ao UFC (Ultimate Fighting Championship), principal organização de Artes Marciais Mistas (MMA) do mundo. Por trás do brilho do atleta, estavam os ensinamentos de Dell. “O Léo Santos foi meu aluno e ficou 10 anos invicto na categoria dele. Era um grande atleta, que merecia ir mais longe. Treinei também o Aldo Júnior. A gente marcava treino para afiar o jiu-jitsu dele e eu ficava por dias lá dando os treinos. Tiveram ainda outros atletas que passaram por mim no MMA, como por exemplo o Thales Leites”, comenta.
Exemplo no esporte e em saúde
Wendell revelou que competiu no Campeonato Brasileiro com uma lesão. Mesmo assim, terminou campeão. “Estava com uma lesão, um rompimento no bíceps que tive no Mundial do ano passado. Estou em fase de tratamento de recuperação de músculo, preparando ele para fazer força para eu poder voltar ao Mundial. Meu foco é a preparação para essa disputa, que será em agosto, em Las Vegas. O Brasileiro foi parte dessa preparação”, revela. Contando sobre as dificuldades e o desafio de competir em alto nível aos 59 anos, Dell chama atenção pelo seu foco em uma rotina pautada na qualidade de vida:
“Competir está sendo cada vez mais desafiador para mim. Eu estou com 59 e disputando com atletas mais novos no Master 6. Mas desafios como esse, fazem parte da minha busca por me manter com uma saúde boa. Para isso, tem que treinar. Faço musculação, funcional, pedalo, dou aula. Tenho que me alimentar bem, dormir bem. Assim, melhora a disposição, minha consciência. É uma rotina saudável que eu tenho como escolha, pensando em chegar aos meus 65 anos bem de saúde”, completa.
