Número de mortos em decorrência dos temporais chegou a 72 até a manhã deste domingo (1º)

As buscas por vítimas dos deslizamentos provocados pelas fortes chuvas em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, foram oficialmente encerradas pela Polícia Civil de Minas Gerais. O corpo do último desaparecido na cidade, o menino Pietro, de 9 anos, foi localizado na noite de sábado (28), no bairro Paineiras.
Com a confirmação, o número de mortos em decorrência dos temporais chegou a 72 até a manhã deste domingo (1º). Segundo a Polícia Civil, 65 vítimas são de Juiz de Fora e sete do município vizinho de Ubá, onde uma pessoa ainda permanece desaparecida e as buscas continuam.
No bairro Paineiras, um dos mais afetados pelos deslizamentos registrados durante a tempestade da última segunda-feira (23), moradores seguem impedidos de retornar às residências. A Defesa Civil determinou a retirada das famílias diante do risco de novos desmoronamentos causados pela instabilidade da encosta do Morro do Cristo.
Entre os desalojados está o engenheiro civil Guilherme Belini Golver, que vive com os pais em um casarão atingido pela lama. Ele não estava em casa no momento do deslizamento, mas percebeu a gravidade da situação ainda durante o temporal. Segundo ele, a água descia pela rua com forte intensidade, semelhante a um rio barrento. Minutos depois, recebeu a ligação de um vizinho informando que a terra já invadia o imóvel.
Desde então, a família só retorna ao local para tentar limpar a lama e verificar as condições da casa, que ficou vulnerável após o impacto. Guilherme relata preocupação constante com novos deslizamentos e lembra que pequenos deslocamentos de pedras já haviam ocorrido na encosta décadas atrás.
Na mesma rua, um policial penal morreu após ser atingido pelo deslizamento. Próximo dali, três prédios residenciais também sofreram danos. Em um dos apartamentos morava o motoboy Paulo Barbosa Siqueira, de 25 anos, que estava fora quando o desabamento aconteceu.
Ele conta que moradores improvisaram rotas de fuga entre apartamentos para escapar da área atingida. Segundo Paulo, a saída foi aberta pelos próprios residentes, que ajudaram vizinhos a deixar os imóveis em segurança.
Desde a tragédia, os moradores aguardam autorização das autoridades para retornar às residências e retirar pertences pessoais. O acesso permanece interditado por risco estrutural. Muitos estão abrigados temporariamente em casas de familiares e amigos, enfrentando dificuldades para retomar a rotina.
Relatos de saques durante a madrugada também preocupam os desalojados, que afirmam que imóveis interditados vêm sendo alvo de furtos.
Os deslizamentos no bairro Paineiras ocorreram em dois pontos distintos. Em uma das ruas, houve danos estruturais e uma morte. Na via próxima, equipes de resgate atuaram intensamente na busca por vítimas e desaparecidos, incluindo o menino Pietro, encontrado após dias de trabalho das equipes.
Fonte: Agência Brasil

