Oitava fase da Operação Unha e Carne investiga esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 7,6 bilhões em seis anos

A Polícia Federal prendeu, nesta quinta-feira (15), o deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, e o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil, durante a oitava fase da Operação Unha e Carne.
A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, com possível participação de agentes públicos e articulação política.
Segundo a PF, o grupo teria movimentado R$ 7,6 bilhões em seis anos. A Justiça determinou seis prisões preventivas, 16 mandados de busca e apreensão e o sequestro de bens e valores, além da suspensão das atividades econômicas de 112 empresas investigadas, entre elas 96 postos de combustíveis.
Canella e Amim já haviam sido alvos de buscas na sexta fase da operação, em julho. Na ocasião, o deputado eleito foi preso após a polícia encontrar um fuzil em seu carro. O episódio deu origem a uma etapa posterior da investigação, que também levou à prisão do vereador carioca Jorge Canella, por suspeita de posse irregular de armas de uso restrito.
Eleito prefeito de Belford Roxo em 2024, Márcio Canella renunciou ao cargo no início deste ano com a intenção de disputar uma cadeira no Senado pelo Rio de Janeiro. Em agosto, porém, anunciou nas redes sociais que desistiria da candidatura ao Senado para tentar retornar à Assembleia Legislativa como deputado estadual.
Além de lavagem de dinheiro, os investigados poderão responder por corrupção ativa e passiva, formação de cartel e outros crimes. A operação também teve como alvos policiais civis, cujo trabalho de fiscalização foi acompanhado pela Corregedoria da corporação.
A operação cumpre seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo. Os seis alvos de prisão foram detidos. A Corregedoria da Polícia Civil acompanhou o cumprimento dos mandados relacionados aos policiais civis investigados.
De acordo com a Polícia Federal, o esquema movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. O valor consta em um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), encaminhado à corporação.
A operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para desarticular organizações criminosas em atuação no estado do Rio de Janeiro. A iniciativa segue as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da ADPF 635.
Com informações do G1 e da Polícia Federal
