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Rodrigo Lira – Doutor em política, professor e pesquisador do programa de doutorado em Planejamento Regional e Gestão de Cidades da Universidade Candido Mendes – Na última semana, tive a oportunidade de participar, em Macaé, de uma reunião do Fórum de Reitores das Instituições Públicas de Ensino Superior do Estado do Rio de Janeiro (FRIPERJ). O encontro reuniu dirigentes de universidades e institutos públicos em torno de uma pauta que deveria interessar a todos os fluminenses: qual o papel das instituições de ensino superior no desenvolvimento econômico e social do estado?
A pergunta parece simples, mas é profundamente estratégica.
Durante o evento, o professor Mauro Osório, pesquisador da UFRJ, apresentou dados e reflexões sobre os desafios do Rio de Janeiro. Embora possua enorme potencial econômico, o estado ainda convive com desigualdades regionais, dificuldades fiscais e desafios históricos relacionados à geração de emprego e renda. Mais do que diagnosticar problemas, o encontro apontou para a necessidade de fortalecer a articulação entre universidades, governos, setor produtivo e sociedade.
Talvez nem todos percebam a dimensão desse patrimônio. O Rio de Janeiro reúne algumas das mais importantes instituições públicas de ensino, pesquisa e inovação do país. São universidades, institutos federais e centros de pesquisa espalhados por diferentes regiões, formando profissionais, produzindo conhecimento e desenvolvendo soluções para problemas reais.
Uma comparação ajuda a compreender esse potencial. O Espírito Santo, frequentemente citado pelos bons indicadores de gestão e desenvolvimento, possui apenas três instituições públicas de ensino superior. O Rio de Janeiro conta com uma rede muito mais ampla e diversificada. A pergunta que surge é inevitável: estamos aproveitando adequadamente essa capacidade instalada?
No Norte Fluminense, por exemplo, temos um conjunto expressivo de universidades, programas de mestrado e doutorado e um robusto ecossistema de inovação. Iniciativas como a TEC Incubadora demonstram, há anos, que conhecimento pode ser transformado em novos negócios, empregos e desenvolvimento regional.
O mais importante é perceber que nenhuma instituição, isoladamente, será capaz de enfrentar os desafios do estado. A construção de soluções exige cooperação, planejamento e visão de longo prazo.
Por isso, é animador ver o FRIPERJ assumir uma postura mais ativa, ampliando o debate e já preparando um novo encontro para setembro com foco nos caminhos para o desenvolvimento fluminense.
O Rio de Janeiro possui talentos, instituições e conhecimento. Talvez tenha chegado a hora de conectá-los de forma mais estratégica em favor do futuro que desejamos construir.
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