Entre a maternidade e os negócios, uma trajetória construída com planejamento e coragem

Ela atribui o início da sua trajetória à influência da mãe. Quando tinha apenas 13 anos, pedia que ela comprasse revistas que didaticamente ensinavam a produzir artesanatos. Esse foi o gatilho que fez ela disparar na arte de aprender. Tatiana Nunes, mãe de Antônia, hoje com seis anos, carrega uma história inspiradora a ser contada no domingo em que se comemora o Dia das Mães.
Tatiana fala, nesta entrevista, sobre o seu dia a dia como mãe, empreendedora e administradora. Em dez anos de trajetória empresarial, ela e o marido, Natan Caetano, montaram quatro lojas da Tati Biju.
No curso da entrevista, ela percebe que, com quatro unidades, a empresa já poderia ter razão social de grupo. O fato é que, tanto nas lojas físicas quanto no ambiente online, a Tati Biju segue em expansão e avança, de forma ambiciosa, a novas praças, como a Região dos Lagos e o Rio de Janeiro.
Aos 13 anos você pedia a sua mãe para comprar revistas de moda. Queria fazer alguma coisa para ter sua grana, não depender de mesada. Aí você via revista de artesanato e aprendeu a bordar e pintar através dessas revistas?
Aprendi, aprendi muito. Essas revistas ensinam muito passo a passo. Naquela época era tudo bem explicado como é hoje também, e ainda mais com a tecnológica do YouTube, por exemplo. Mas, pela revista, eu pude aprender várias técnicas, e assim descobrir, creio eu, meu talento não só para a arte, mas principalmente para empreender. Nunca vou esquecer esse início, onde aprendi através dessas revistas a como fazer e como acontecer. Com o tempo fui aprimorando meu conhecimento e desenvolvendo uma técnica própria e ao mesmo tempo fui passando esse conhecimento para outras pessoas também.
Seu grupo de lojas está completando uma década. Quantas lojas da Tati Biju existem hoje?
Desde os 13 anos tenho essa veia de empreender, fazendo meus acessórios, minhas peças. Eu comecei a vender de porta em porta, comecei a vender online, vi a necessidade de abrir uma loja devido à cartela de clientes que eu tinha, não estava conseguindo mais atender as pessoas em casa. Foi onde eu abri minha primeira loja, que foi em Goitacazes. Senti a necessidade de crescer. Abri uma segunda loja no Parquecentro Shopping, pulando de Goitacazes direto para a Pelinca, um passo grande, mas com os pés bem fincados. Na pandemia, percebi que tudo estava mudando e que tinha que dialogar de forma diferente com meus clientes e aumentar minha cartela. Percebi uma oportunidade de abrir mais uma loja, sempre com meu esposo ao meu lado. Ele chegou a me chamar de doida quando decidi pela terceira loja. Eu almejava ter uma loja no VIP’s Center. Queria uma que desse para a rua e conseguimos. Na minha estratégia esse ponto era fundamental. Meu esposo e Deus, juntos comigo, e esse sonho se consolidou. Fomos aumentando a Tati Biju. Por último abrimos uma quarta loja no IPS, na rua Dr. Beda, outro ponto que considero estratégico. Então temos quatro lojas. Você falou em grupo, mas não nos autodenominamos assim, mas estamos indo muito bem.
Tudo isso você debuta como mãe da Antônia. Como foi conciliar ser mãe e empresária?
Ter Antônia não foi nenhuma pedra no caminho. Foi até uma inspiração para mim ser mãe da Antônia, ser empreendedora e ser administradora, porque além de tudo sou administradora. Eu presto serviço para Petrobras na parte de administração. Então tenho minha rotina bem consolidada, graças ao planejamento. Tudo foi planejado. Se consigo fazer tudo é porque planejo com meu esposo, que é meu braço direito, e cuida das empresas e também da Antônia junto comigo. Minha prestação de serviços para a Petrobras na parte de administração é no módulo home office, o que me permite dar conta de tudo, inclusive de ser mãe da Antônia, nosso maior tesouro.
Aos seis aninhos, Antônia já está quase na adolescência. Ela já se desenha assim, seguindo os passos da mãe?
A Antônia vai seguindo os meus passos sim. Ela é bem autêntica, gosta de estar com os clientes. Já está atendendo, tem muito carisma. Antônia consegue ajudar a arrumar a loja. Ela não é aquela criança de fazer bagunça, ela tem dom para o universo nos negócios. Gosta de cativar as pessoas. Eu acho que ela vai seguir os passos ainda mais, vai ser uma artista. Ela é uma figura, quem conhece sabe. A Antônia está aí nas redes sociais, fazendo o maior sucesso. E não tem vergonha de nada. É engraçado que é dela mesmo, não peço a ela para fazer nada. Faz tudo sendo espontânea mesmo.
Quer dizer que a Antônia já é a garota propaganda da Tati Biju?
Já, até criei para ela uma loja, a minha loja da Pelinca, com um espaço próprio infantil, onde ela é a empresária, faz o atendimento e tudo mais. É o ambiente da Antônia. Nesta lojinha dentro da loja ela lida com laços, colares, tudo voltado para a parte infantil, e ela acha o máximo. Ela está lá sempre, atendendo e dando sugestões, tudo isso sem comprometer os estudos. Antônia é muito aplicada e disciplinada.
Você falou em suas mãos de artista. Seu trabalho já foi vendido para fora do país. Fale sobre isso.
Bem, eu fazia pulseiras para uma moça que fazia desfiles e aí ela pedia para fazer um modelo específico e onde através da revista eu conseguia fazer os trançados como ela queria. Resumindo, meu trabalho e minhas peças artesanais foram parar no Paris Fashion Week.
As bijuterias, as roupas e os acessórios femininos das suas lojas, você escolhe a dedo?
Gosto de fazer isso tudo. Escolho a dedo os acessórios, as peças. Até o marketing do meu Instagram eu comando, embora tenha equipe profissional. Eu participo com ideias e aponto do jeito que quero. Meu Instagram é bem antenado à moda. É tudo voltado à moda que lançou hoje. Nós já estamos correndo para estar produzindo novas peças para estar disponível nas lojas. Sou antenada com as tendências a acerto por instinto nas antecipações, e acho isso um diferencial muito forte.
Então você tem uma parte que é a produção própria?
Sim, em termos de criação de algumas peças. A gente compra o bruto e faz o banho. Mas temos o fornecedor que já manda para mim tudo pronto. E ainda dou ideias a esse fornecedor sobre o que está em alta e quais tendências.
E esse trabalho de home office, de administração de empresa, como isso acontece?
Para mim é uma mão na roda, o home office. Eu já trabalhei na Petrobras há dez anos. Quando eu abri a minha loja, eu já tinha meu trabalho fixo prestando serviço para a Petrobrás. Quando Antônia nasceu, decidi deixar a Petrobrás, mas aí meu chefe agora falou que precisava de mim. E continuo prestando serviço de administração conciliando tudo isso, mas com planejamento.
Que conselho você daria a uma moça de vinte e poucos anos que quer iniciar a arte de empreender?
Eu falo assim, que a gente tem que correr atrás dos nossos sonhos, porque nós somos muito capazes de ser o que quisermos. Então, o conselho que eu dou é para correr atrás dos nossos sonhos, não deixar ninguém os apagar. É isso que eu fiz. Corri atrás dos meus objetivos, tive dificuldades, tropeços no caminho, mas isso não me impediu de ser quem eu sou hoje. E eu estou muito orgulhosa de mim, porque eu não deixei nada me abalar. Segui firme, olhei para frente e pedi a Deus uma direção, e hoje eu estou com minhas quatro lojas, amo o que eu faço e trabalho no que eu gosto de fazer. Isso é muito gratificante.
Você tem quatro lojas físicas, mas vende também pela internet. Você acha que o comércio está se transformando?
O comércio está se transformando, então temos que andar junto com as mudanças. Hoje em dia a tecnologia está aí, é o Instagram, é o TikTok Shop, e se você não acompanhar, fica para trás. Hoje o mundo está na postagem. Quando você para de fazer isso, você não é lembrado. Antigamente as pessoas iam à loja porque sabiam que você tinha os produtos. Hoje em dia, as pessoas olham no Instagram.
Você está com quatro lojas. Tem plano de expansão?
Sim. Tenho vontade de expandir minhas lojas agora para outros lugares, como Região dos Lagos, Rio de Janeiro. É um sonho alto, mas a gente não pode deixar de sonhar, né? E não pode contar todos os nossos sonhos também. Quem sabe a gente realmente não venha a virar um grupo?
