Futuro presidente da Câmara, Silvinho fala de pacificação do Legislativo e alinhamento com o Executivo

Silvinho Martins (MDB), vereador em seu terceiro mandato, foi eleito por unanimidade para presidir a Câmara Municipal em 2027. Reeleito com o dobro dos votos obtidos na eleição anterior, ele assumirá o comando do Legislativo no próximo ano.
Alinhado em pensamentos e propósitos com o prefeito Frederico Paes (MDB), pavimentou o caminho antes da posse com a pacificação da Câmara, o que ilustra essa unanimidade. Filho de Dona Maria da Penha, vereadora de cinco mandatos, e irmão do saudoso José Claudio de Oliveira Martins, deputado estadual de três mandatos, Silvinho tem a política no seu DNA,
Nesta entrevista, ele diz que essa unanimidade aumenta a sua responsabilidade. Fala de prioridades, como a solução do agudo problema do transporte público, da empregabilidade e cita o deputado federal eleito Wladimir Garotinho (PL) como “nosso Pelé em Brasília para trazer dinheiro novo através de emendas parlamentares”.
O Sr. está indo para o seu terceiro mandato, dobrou sua votação em relação à eleição anterior e vai assumir a presidência da Câmara de Vereadores a partir de janeiro pelos próximos dois anos. Qual é a expectativa?
O sentimento é um misto de desafio e responsabilidade. Eu fui eleito pelos meus companheiros vereadores por unanimidade. A Câmara tem 24 vereadores, além de mim, e todos votaram em mim para a presidência. Há mais de 10 anos isso não acontecia, essa eleição por unanimidade e isso aumenta muito a responsabilidade. Eu penso muito em trabalhar com todos os vereadores e com o prefeito Frederico Paes, entregando uma Campos muito melhor porque eu entendo que quando os políticos se unem, a população é quem ganha; e que a gente consegue fazer mais coisa, melhorar a saúde, melhorar o transporte, melhorar a educação, melhorar tudo. Com essa união política, a população ganha. Então, a responsabilidade aumenta muito.
O Sr., embora seja vereador de terceiro mandato, conhece a Câmara desde sempre, acompanhando sua mãe, a vereadora de cinco mandatos, Maria da Penha. Então, antes de ser eleito, o Sr. já convivia com isso tudo. Como é a política na Câmara hoje comparada com aquela época?
A política hoje na Câmara de Vereadores de Campos está pacificada porque houve um tempo atrás, no começo do governo Wladimir, quando tinha o grupo do Rodrigo (Bacellar) e do Wladimir… e esse período foi conturbado. Mas isso é passado e quero deixar claro que respeito ao máximo a todos os grupos políticos. Tudo isso faz parte da política, mas agora a gente, nessa legislatura, conseguiu unir todos os vereadores. Eles entenderam que esse é o caminho e que vamos realizar juntos, aprovando bons projetos, pois o prefeito Frederico Paes é conciliador e um homem de propósito. Cada projeto será discutido, avaliado e aprovado, mas tudo em consenso. Vamos assumir em um ambiente unido, onde discutiremos o futuro de Campos. Teremos debates e não embates e é isso que o povo espera da gente.
O Sr. falou em pacificação. É o Sr. e mais 24 vereadores. O Sr. se dá realmente com todos os seus pares?
Com todos. Me dou muito bem com todos eles, e por isso foi uma escolha unânime. Todos eles. Os da oposição são meus amigos, relações republicanas. Estou na Câmara, de certa forma, desde 1996, quando minha mãe assumiu o primeiro mandato. Então, de uma forma ou de outra, conheço todos. Existem vereadores novos, filhos de vereadores que eu convivi com os pais deles. Marco (Marquinho Bacellar), eu convivi na Câmara com o pai dele, por exemplo. Sempre fui de conciliação. Quando o Frederico (Paes) assumiu a Prefeitura, a gente entendeu que era necessária uma união, para Campos avançar, até porque o prefeito é firmem, mas uma pessoa conciliadora.
Nós faremos da sua mãe, Dona Penha, mas precisamos falar do seu saudoso irmão, o deputado José Claudio de Oliveira Martins, com três mandatos na Alerj. Era seu irmão mais velho. Aprendeu muito com ele?
Meu irmão mais velho, José Cláudio de Oliveira Martins, foi o precursor da nossa família na política. Ele ganhou como deputado estadual e era uma liderança regional, além de ser um forte empresário. Ele ensinou muito a gente, principalmente no cuidado com as pessoas. Foi na esteira, inspirado no primeiro mandato dele, que minha mãe se fez política, e eu, inspirado nele e nela, me tornei um político. Minha mãe foi uma mulher de Deus na política. Ajudou muito a gente. Tanto ajudou que, quando ela parou, eu fui eleito, sempre com os ensinamentos dele e dela.
O Sr. está com 63 anos. Habitam nas suas prioridades projetos para o empreendedorismo, para incentivar a geração de empregos?
Eu tenho conversado com o Frederico sobre isso. Já em 2027 Frederico vai criar uma ZEN, uma Zona Especial de Negócios para atrair empresas e, por consequência, gerar empregos, como já foi feita em algumas cidades. É um projeto do Frederico, que ele vai tirar do papel. Tenho certeza de que isso vai impulsionar a empregabilidade no município. A questão do Centro, do nosso antigo Centro, que é histórico, vai merecer uma atenção especial para revitalizar a área, fortalecendo a atividade comercial, que é ainda a que mais gera empregos. Vamos estudar levar para o Centro algumas secretarias municipais, porque antigamente ainda existia aquela frase assim: “fulano, você já foi ao centro hoje?”. Todo dia, todo mundo ai ao Centro, mas o perfil da atividade comercial foi mudando, com os bairros. Hoje, Goitacazes é quase uma cidade, assim como outros bairros. Isso não tira o Centro do radar. Revitalizar esse espaço histórico é necessário, e muito.
O Sr., presidindo a Câmara, terá um canal direto com o prefeito, que tem uma pegada empresarial, mas também na área de saúde. Esse segmento também está na pauta?
Olha, o prefeito tem um combo de prioridades, geração de empregos, saúde sempre, mas ele quer resolver a questão do transporte público, que ainda não conseguiram solucionar. Ele está focado e debruçado em cima disso. É uma questão de ordem. Frederico é um homem do interior. O interior, em um município gigante, sofre com o problema do transporte. Quando Wladimir pegou o governo do Rafael (Diniz), a saúde nossa estava praticamente zero. As UBS todas fechadas. O município estava agonizando. No HGG chovia dentro. Avançamos muito nisso e vamos avançar mais, pois há muito que fazer.
O foyer da Câmara Municipal, antigo Fórum de Justiça, é um dos espaços mais fotografados da cidade, especialmente durante manifestações populares, formaturas e outros eventos. A Câmara continuará aberta à visitação pública?
Aquele prédio é um orgulho para nossa cidade. É conhecido nacionalmente. E a Câmara vai continuar, vai permanecer aberta porque a Câmara é do povo. A Câmara, mais do que nunca, vai ficar aberta, dias de sessões, visitações… pessoas vão para lá, tiram foto; a Câmara é do povo de Campos e vai continuar sendo do povo de Campos. A presidência minha, a partir do biênio que vem, vai fazer questão absoluta disso.
O Sr. falou da experiência de Frederico, e agora a gente tem em Brasília Wladimir Garotinho, que tem uma lei, um projeto dele que foi vetado pelo Lula, o do semiárido. A expectativa é de derrubar o veto?
Sim. Wladimir é o nosso grande Pelé e, por isso, voltou para Brasília para fazer gols a nosso favor. Um dos motivos que levaram Wladimir a deixar a Prefeitura foi a intenção de retomar a articulação para derrubar o veto presidencial do presidente Lula. Estamos todos trabalhando nisso, todas as bancadas em Brasília. Esse projeto é importante para o micro, pequeno e médio agricultor, e será literalmente a salvação das lavouras, da agricultura nossa. Wladimir está lá em Brasília para trazer dinheiro novo, através de emendas de bancada. Essa sempre foi a estratégia.

