Tradição se mantém junto com a modernidade para o movimento Batista, que já tem mais de 2 mil igrejas no Estado



Em meio às comemorações dos 191 anos de Campos dos Goytacazes, também há outra celebração emblemática na cidade: os 135 anos da Primeira Igreja Batista de Campos. A instituição se consolidou como um espaço de fé no Centro Histórico, e ainda guarda muito da memória campista, ao passo que alcança as novas gerações de fiéis.
No dia 23 de março, a Primeira Igreja Batista de Campos realizou um culto especial que comemorou os 135 anos de sua história. A celebração, que ocorreu na sede da igreja, localizada na Rua Tenente Coronel Cardoso, no Centro de Campos, reuniu membros, líderes e visitantes, e como destaque, teve o coral da Igreja Batista de Nova Brasília, o projeto musical da Polícia Militar, e momentos de música, fé e comunidade.


O pastor Eliab Corrêa participou do culto especial, e destacou a importância em celebrar a história da igreja. “Fazer parte do aniversário de 135 anos da PIB Campos é ter o privilégio de viver a promessa que foi liberada pela Palavra Profética há mais de um século. É participar de uma história que foi escrita na eternidade e dividida com homens comuns e falhos. É entender que o fio que une os tempos é mesmo a graça de Deus. É saber que essa história continuará viva e frutífera até a consumação de tudo”, afirma.


História e tradição
De acordo com o pastor Rogério Vieira, representante da congregação em Campos, a fundação da comunidade está atrelada ao período de progresso econômico que Campos vivia ao final do século XIX. “A história da Primeira Igreja é quase que contemporânea com a história da cidade. Ela começa quando um missionário norte-americano, William Bagby, vem visitar um amigo engenheiro que foi trazido para Campos para cuidar de interesses da rede ferroviária federal naquela época, e ele se encantou com a cidade”, conta.


Naquele momento, o município se consolidava como um grande centro comercial, em um cenário de prosperidade, abrindo espaço para missionários. “Campos era, naquele momento, um grande centro de comércio por conta da ferrovia, e as hidrovias também, com o transporte que era feito das balsas. Bagby viu uma possibilidade de prosperidade muito grande na cidade, enquanto norte-americano, e resolveu que aqui seria um lugar onde se precisava pregar a palavra de Deus, porque onde o progresso chega a palavra de Deus precisa chegar, pois a vida do homem não é só materialidade. O homem tem também a espiritualidade”, explicou Rogério.


Com mais de um século de existência, a instituição precisou equilibrar a preservação de tradições com a necessidade de se adaptar aos novos tempos. Segundo o pastor Rogério, a essência da igreja ainda permanece inalterada, apesar das mudanças na forma da comunicação e das estruturas da sociedade. “A gente tem uma história bonita, relevante, de 135 anos, mas a igreja é contemporânea. A igreja vai se adequando a cada tempo, ao seu tempo. O que ela precisa preservar são os princípios da palavra de Deus, que são inegociáveis, e a Primeira Igreja Batista de Campos é muito zelosa nesse sentido. É claro que o tempo é outro, os equipamentos são outros, a modernidade, a linguagem é outra, mas o princípio, o fundamento permanece o mesmo”, enfatiza.
Duas mil igrejas
A Igreja Batista, como comunidade, vai muito além do templo no Centro de Campos. O pastor ressalta que a instituição foi o ponto de partida para um movimento religioso que se expandiu por todo o Estado. “Hoje nós somos mais de duas mil igrejas batistas no Estado do Rio de Janeiro, sem contar a capital, e tudo isso começa a partir da Primeira Igreja Batista de Campos”, afirma.


Atualmente, a Convenção Batista Fluminense se posiciona como a maior do Brasil, presente em 91 municípios do Estado do Rio de Janeiro, alcançando o número de 2.174 igrejas e 41 associações, totalizando 328 mil batistas.
Esse volume de fiéis se traduz em contribuição também para a sociedade, com criação de escolas, hospitais, centros de recuperação, abrigos para órfãos e idosos, seminários, faculdades e ações sociais.
Relíquias do templo e do tempo
A sede da Primeira Igreja Batista de Campos traz memórias que marcam a passagem dos mais de 100 anos da instituição e da cidade. Dentre os tesouros preservados pela congregação, Pastor Rogério destaca a ata de fundação da igreja, manuscrito datado de 1891. “Nós temos objetos na igreja que são do século XIX, como a ata de fundação da igreja. Temos também uma pedra na frente do santuário, que foi soleira do primeiro templo batista de alvenaria do Brasil, considerando que a Primeira Igreja Batista de Campos tenha sido a oitava igreja organizada no solo brasileiro, mas não havia ainda templos de alvenaria”, revelou o pastor.
