quinta-feira, julho 2

A 5ª fase da operação aprofunda as investigações sobre uma suposta rede de vazamento de informações sigilosas que teria beneficiado integrantes do CV

Reprodução: GloboNews/Arquivo Pessoal/O Globo

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (2), mais uma fase da Operação Unha e Carne, que apura o suposto vazamento de informações sigilosas para o Comando Vermelho (CV) e suposto envolvimento com a Máfia do Cigarro.

A nova fase da operação busca apurar indícios de um esquema de lavagem de dinheiro ligado à nova cúpula do jogo do bicho e possíveis repasses a integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio.

Na ação, os agentes cumprem três mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão. Entre os alvos estão o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) Rodrigo Bacellar, o contraventor Adilsinho — ambos já presos — e o pastor Márcio Poncio, preso pela manhã em um hotel na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. Também é alvo da operação Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, contra quem a PF cumpre apenas mandado de busca e apreensão.

Alvos

O ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, foi preso em dezembro pela Polícia Federal por suspeita de vazamento na operação que prendeu o deputado Thiego Raimundo dos Santos, o TH Joias. Bacellar foi secretário de Estado do governo do Rio de Janeiro e atualmente é deputado estadual. Nas eleições de 2018, concorreu a deputado estadual pelo Solidariedade e foi eleito com 26.135 votos.

Márcio Poncio é pastor e empresário do ramo do tabaco. Pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, ele costuma destacar nas redes sociais tanto sua atuação religiosa quanto seu papel como “patriarca da família Poncio” e membro da Igreja da Nuvem. Sua trajetória empresarial no setor de cigarros lhe rendeu o apelido de “pastor do cigarro”.

Já Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, é um bicheiro conhecido das autoridades de segurança cariocas. Preso em fevereiro deste ano, o contraventor controla a fabricação e a venda de cigarros ilegais na Região Metropolitana do Rio e, hoje, já expande seus negócios ilegais para outros estados.

Outro alvo é Marco Antônio Cabral, advogado, ex-deputado federal e ex-secretário estadual de Esporte do Rio de Janeiro durante o governo de Luiz Fernando Pezão. Filho do ex-governador Sérgio Cabral, foi filiado ao MDB por 18 anos, partido pelo qual iniciou sua trajetória política, e neste ano é pré-candidato para uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) pelo partido da Sarah Poncio, o Solidariedade. Também ocupou cargo na assessoria da Presidência da Alerj, na gestão de Bacellar, onde atuou na interlocução com prefeitos e vereadores.

Operação

Na ação de hoje, policiais federais cumprem cumprem três mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF em endereços vinculados aos investigados, nas cidades do Rio de Janeiro e São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Além disso, o STF determinou o sequestro de bens e valores até o montante de cerca de R$ 22 milhões.

Esta é a quinta etapa da investigação conduzida pela Polícia Federal. As fases anteriores apuraram uma suposta rede de proteção que teria permitido o repasse de informações sigilosas sobre operações contra o Comando Vermelho (CV), comprometendo ações policiais e beneficiando integrantes da facção. Segundo os investigadores, os vazamentos teriam atrapalhado diligências, possibilitando a destruição ou ocultação de provas.

Esta nova fase teve início após a apreensão de listas em poder de Adilsinho indicarem a existência de registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais. As listas chamaram a atenção dos investigadores por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do Estado do Rio.

Segundo a PF, as investigações prosseguem com a análise do material apreendido, a identificação do fluxo financeiro investigado e a apuração da participação de eventuais beneficiários, intermediários e operadores do esquema.

Com informações de O Globo e Polícia Federal.

Share.
Leave A Reply

Exit mobile version