Em Campos, as medidas anunciadas pela Prefeitura se concentram nos possíveis efeitos do calor e da estiagem sobre a saúde da população

O Governo do Estado do Rio de Janeiro tem promovido encontros e prepara os 92 municípios fluminenses para possíveis impactos do El Niño e de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, chuvas intensas, enchentes, estiagem e queimadas. A estratégia inclui capacitação das equipes municipais, novos sistemas de monitoramento e alerta e identificação das áreas e populações mais vulneráveis. Em Campos, as medidas anunciadas se concentram nos possíveis efeitos do calor e da estiagem sobre a saúde da população. Pesquisadores avaliam ações dos gestores e o comportamento das pessoas nos próximos meses.
Entre as medidas anunciadas pelo governo estadual estão o Mapa de Risco Humano, a implantação de Salas Municipais de Observação e Monitoramento, a atualização dos Planos Municipais de Contingência e ações específicas nas áreas de saúde, Defesa Civil, meio ambiente, recursos hídricos, agricultura, pecuária e pesca.
Em Campos, a Secretaria Municipal de Saúde informou que segue orientações do Estado e do Ministério da Saúde e está adequando seu plano de contingência para enfrentar os efeitos do fenômeno El Niño. “A principal preocupação da pasta é o aumento de doenças transmitidas por vetores, especialmente a proliferação do Aedes aegypti. Dessa forma, o fluxo de atendimento para casos de dengue, zika e chikungunya foi reavaliado, visando à possível ampliação da rede de assistência aos pacientes”, diz a nota.
Efeitos do El Niño e pesquisas
O geógrafo marinho Eduardo Bulhões, da Universidade Federal Fluminense (UFF), considera relevantes medidas preventivas diante de períodos mais secos, calor intenso, queimadas e outros eventos extremos. Ele resume o fenômeno climático.
“O El Niño é um aquecimento anômalo da água do mar no Oceano Pacífico. Como o oceano e a atmosfera estão totalmente interligados, esse aquecimento provoca mudanças nos padrões de circulação das massas de ar, das chuvas e dos ventos, além de alterações na pressão atmosférica. Como o Oceano Pacífico é uma massa de água muito grande, ocupando uma parte significativa do planeta, esses efeitos acabam se refletindo em diferentes regiões do mundo. São as chamadas teleconexões climáticas. Então, tudo o que acontece ali no Pacífico, esse aumento da temperatura da água que a gente chama de El Niño, pode impactar o clima em todo o planeta”, diz.
Para o geógrafo e pesquisador da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Marcos Pedlowski, as mudanças climáticas tornam tudo ainda mais urgente. “O El Niño é um fenômeno natural, mas ele acontece agora em um planeta mais quente, e isso pode potencializar alguns extremos de temperatura e de precipitação. A população deve acompanhar os alertas meteorológicos, conhecer os riscos e adotar medidas preventivas. Em áreas de enchentes e deslizamentos, é importante conhecer rotas seguras; já nas regiões de estiagem, economizar água e evitar possíveis problemas de abastecimento”, finaliza.
