Ministério Público aponta contratos irregulares que somam R$ 86 milhões; cinco pessoas foram presas e 11 denunciadas por organização criminosa e lavag

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (9), a Operação Ouroboros para desarticular um suposto esquema de corrupção instalado no Instituto Rio Metrópole (IRM), autarquia vinculada ao Governo do Estado. As investigações apontam que contratos considerados fraudulentos movimentaram cerca de R$ 86 milhões.
Entre os presos está o presidente do Instituto Rio Metrópole, Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê. Até a manhã desta quinta-feira, cinco pessoas haviam sido detidas durante a operação. Um dos alvos, Maurício Silva Knoploch dos Santos, diretor de Planejamento e Projetos do IRM e pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL), era considerado foragido.
Além dos mandados de prisão, agentes cumpriram nove mandados de busca e apreensão. Ao todo, 11 pessoas foram denunciadas pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (Gaesf), do MPRJ, pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.
Como funcionava o esquema
Segundo o Ministério Público, o esquema teria sido estruturado a partir de licitações direcionadas realizadas desde 2022. As empresas Engeconsult Consultores Técnicos e R Peotta Engenharia e Consultoria foram contratadas pelo Instituto Rio Metrópole e, posteriormente, firmaram subcontratos considerados fictícios com o Brazilian Institute of Organic (Instituto Bio).
De acordo com a investigação, parte dos recursos públicos era transferida para a entidade e, em seguida, sacada em espécie. O MPRJ afirma que esses valores eram retirados por Caroline Soares Barros, ex-fiscal do IRM conhecida nas investigações como “Mulher da Mala”, que também foi presa durante a operação. Os saques, segundo os promotores, contavam com escolta da empresa de vigilância Rioforte.
Outro ponto destacado pelas investigações é a celebração de aditivos contratuais que ampliaram significativamente os valores inicialmente contratados. Apenas em 2023, um dos contratos da Engeconsult recebeu acréscimo de aproximadamente R$ 58 milhões.
Alvos da operação
Além de Davi Perini Vermelho, foram presos Caroline Soares Barros, ex-fiscal do IRM e fundadora do Instituto Bio; Amanda Íthala Santos da Paschoa, gestora de contratos da autarquia; Franquis Dias Nepomuceno, delegado e diretor do IRM; e Marcelo Lopes da Silva, procurador do Estado e ex-procurador-geral do instituto.
Criado em 2018, o Instituto Rio Metrópole tem como atribuição coordenar e acompanhar o Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano Integrado da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Com informações do G1

