Campistas nas urnas em plaito nacional e estadual definido por rejeição e indecisão
Maior município do interior do Estado do Rio de Janeiro, Campos dos Goytacazes vai às urnas com mais de 370 mil votos em jogo, em eleições nacionais marcadas pelas indecisões e rejeições. Com população estimada de 519.378 pessoas, o município do Norte Fluminense tem cerca de 370 mil cidadãos aptos a votar. Eles foram distribuídos em 1.190 seções de votação, divididas em quatro zonas eleitorais.
Além das duas vagas para o Senado e as principais eleições majoritárias, definindo governador e presidente, o Rio elege 46 deputados federais para compor o Congresso Nacional e 70 deputados estaduais para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). E boa parte dos eleitores chega ao processo indeciso.
Na pesquisa espontânea do Datafolha divulgada na última quinta-feira (1º), 49% ainda não sabiam em quem votar para o Senado no RJ. Em 2026, cada Estado será responsável por eleger dois novos senadores.

A polarização entre os grupos políticos liderados pelo atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela família Bolsonaro marca, mais uma vez, a disputa pela Presidência da República. E na mesma pesquisa Datafolha publicada três dias antes da votação, Lula (PT) tinha 45% dos votos válidos, contra 40% de Flávio Bolsonaro (PL). Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) juntos, somaram 11%. Na espontânea, indecisos, brancos e nulos alcançam 18%.
Quem soma mais de 50% dos votos válidos, vence as eleições para Governo e Presidência sem precisar do 2º turno. Para o Senado, Benedita (PT) liderava com 19%, seguida por Carlos Jordy (PL) e Carlos Portinho (PL), ambos com 13%.
Funções dos cargos eleitos
Você sabe quais são as funções de cada cargo que será votado nas urnas neste domingo? A votação começa pela cadeira de deputado federal. Os escolhidos vão representar seus estados na Câmara dos Deputados, que compõe o Congresso Nacional, em Brasília. Na Câmara, são criados e propõem projetos de lei que tratam de temas de alcance nacional. Os deputados federais participam, por exemplo, da discussão do orçamento público e podem apresentar emendas para direcionar recursos a projetos e ações. A segunda escolha dos eleitores a ser cravada na urna fica por conta dos deputados estaduais. No caso deles, a dinâmica lembra a do Congresso, porém com a atuação se concentrando em temas regionais e nas competências de cada estado. Eles votam leis estaduais, fiscalizam a administração pública e acompanham a aplicação das verbas do Governo.
Depois de escolher os deputados, os eleitores votam para senador. Desta vez, cada Estado elege duas vagas. Desta forma, serão renovados dois terços do Senado Federal. Entre as atribuições do cargo, estão a participação na elaboração das leis federais e competências exclusivas previstas na Constituição, como o julgamento de determinadas autoridades em crimes de responsabilidade e a aprovação de indicações para cargos como ministros do Supremo Tribunal Federal.
Em seguida, o eleitor vota para governador. Trata-se do responsável pela administração do Estado e pela condução de políticas públicas. Também cabe ao chefe do Executivo encaminhar à Assembleia Legislativa os projetos relacionados ao planejamento e ao Orçamento do estado, além de sancionar ou vetar leis aprovadas pelos deputados. O governador também é responsável por escolher os secretários estaduais.
Por último, é a vez de votar para presidente da República. O responsável representa o Brasil nas relações com outros países e conduz a administração pública federal com o auxílio dos ministros de Estado. É o presidente quem nomeia ministros e indica autoridades para determinados cargos, algumas delas sujeitas à aprovação do Senado, como os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Perfil do eleitorado campista
Com base no levantamento disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a reportagem especial do J3 News desta semana traça o perfil do eleitorado campista que vai às urnas em 2026.
A última atualização dos dados foi feita pelo TSE nessa quinta-feira, dia 1º de outubro. São 199.259 homens e 170.599 mulheres, com o público masculino somando 54% e o feminino, 46%. Chama atenção o baixo número de votantes entre os jovens. Entre 16 e 18 anos, são apenas 6.123 eleitores. No Brasil, o voto é obrigatório para pessoas alfabetizadas, entre 18 e 70 anos. O quantitativo também é baixo entre 19 e 20 anos: 9.799 aptos ao voto.
O menor índice de votantes aptos na cidade está entre os 16 e 17 anos. São somente 719 eleitores com 16 anos e 1.605 com 17. Número mais baixo do que na população mais idosa: 2.567 entre 90 e 94 anos, mais 2.928 entre 95 e 99 e 4.069 com 100 anos ou mais podem votar em Campos neste domingo. Já o maior quantitativo, está no público entre 40 e 44 anos: 35.019. Logo em seguida, aparecem os eleitores com idade entre 30 e 34 anos, somando 34.460 pessoas e entre 45 e 49 anos, com 34.196. Detalhando mais o público com mais votantes (40 a 44 anos), são 18.580 mulheres e 16.439 homens.
O levantamento do TSE apresenta ainda outras discriminações sobre os eleitores aptos a votar em Campos. No que se refere, por exemplo, ao grau de instrução, o maior quantitativo está nas pessoas com ensino fundamental incompleto. São 96.779 cidadãos, totalizando 26% do eleitorado. Depois, aparecem as pessoas com ensino médio incompleto, somando 83.752 e com ensino médio completo, com 80.663 votantes. São 36.137 eleitores que apenas leem e escrevem, 22.663 com ensino superior completo, 21.819 com fundamental completo, 15.791 com superior incompleto e 12.271 analfabetos. Trazendo para cor/raça, são 24.067 pessoas brancas, 23.300 pardas, 12.752 pretas, 168 amarelas e 35 indígenas. Quanto à identidade de gênero, 57.316 se declararam cisgênero, 167 transgênero e 2.839 preferiram não informar. O município registra ainda 60.322 eleitores quilombolas.
Eleitores e a definição dos votos
Além de detalhar o perfil do eleitorado através do detalhamento disponibilizado pelo TSE, a reportagem do J3 foi também ouvir os eleitores campistas sobre a expectativa e as definições de voto. Para o servidor público Antônio Olegário, o voto nulo ou em branco passa uma mensagem clara e importante aos políticos do país: a insatisfação da população com o cenário atual.
“Eu refuto essa ideia de que votar em branco ou nulo é um erro, pois é uma escolha como outra qualquer. É um recado no sentido de não estar satisfeito com as propostas. É um voto consciente como outro qualquer. O que é pior? Votar em um mau político pelas vantagens pessoais que ele oferece ou não votar em ninguém por não concordar com as propostas?”, questionou. E acrescentou:
“No primeiro turno, não vou votar nos dois principais que lideram as pesquisas para presidente. Para governador, não voto nos dois primeiros colocados nem no 2º turno. No 1º turno, vou avaliar até a véspera qual dos demais tem perfil que se encaixa naquilo que priorizo. Para senador, eu até vejo bons nomes, mas que padecem desse mal atual que é a subserviência a projetos de poder. Por isso, a tendência também é votar em branco”, pontuou.
A fotógrafa Héllen Basílio comenta que chegou à última semana indecisa para alguns nomes e com algum norte para definir outros votos. “Para presidente, vou votar em um candidato que não é o dos meus sonhos, mas que é a opção possível que vejo contra um projeto político que não aceito. Para governador, vou votar no único que conheço. Para o Senado, só tenho um voto previamente definido. Para deputados, vou escolher pessoas que sejam da região, esperando que possam nos representar”, diz.
O estudante de Engenharia da Computação, Arthur Lindolpho, de 21 anos, está no pequeno público de Campos jovem do pleito. Vai votar pela segunda vez nas eleições nacionais e conta como vê o processo. “Quando vem essas eleições maiores, a gente naturalmente define primeiro o presidente e o governador. Deputado estadual eu decidi mais cedo porque era uma pessoa que eu já acompanhava antes da política. Mas para o Senado e deputado federal, cheguei a última semana com dúvidas. Com nomes em mente, mas ainda sem ter certeza”, conta.
Analista destaca que indecisão não é novidade
Com o cenário de indecisão podendo ser fator determinante nas eleições, o J3 buscou nesta reportagem ouvir também um analista político sobre o cenário. Para Fábio Siqueira, o panorama de incertezas entre os eleitores para definir o voto não é algo novo e que as decisões de última hora costumam ter peso importante.
“Historicamente, o eleitor decide os votos para os cargos legislativos na última hora. Tem sido assim nos últimos anos. Por isso, a campanha para deputado nesta reta final é fundamental. Muitas pessoas pedem indicações a familiares, amigos e conhecidos e às vezes candidatos ganham votos até mesmo no dia da eleição, inclusive na hora de votar. Isso leva também a uma prática ruim no que se refere a limpeza e meio ambiente, mas acaba funcionando como estratégia, que é jogar santinhos no chão”, analisa.
“Há pessoas que pegam esses santinhos no chão e definem assim o seu voto. No caso do Senado, é um pouco diferente. Embora seja um cargo legislativo, o formato do voto é o mesmo da eleição majoritária, que é o voto direto. Ainda assim, o eleito também deixa para decidir nos últimos dias e nas últimas horas. Mais ainda desta vez, que serão dois votos. O que costuma gerar surpresas nas urnas”, completa.
