Presidente da OAB Campos alerta para forma como os golpistas vêm sofisticando suas atuações

Você já ouviu falar no golpe do falso advogado? Sabe do que se trata e como acontece? Se não, é bom ficar atento! Em meados de julho de 2025, a Corregedoria da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ) registrava 630 casos. Em fevereiro deste ano, a estatística alavancou para 1.500 fraudes denunciadas.
Em uma cartilha disponibilizada ao J3News para a reportagem, a OAB-RJ explica o tema de forma didática e detalhada. Também disponível no site da entidade, o documento explica que a prática criminosa acontece da seguinte forma: os criminosos se passam por advogados ou representantes de escritórios jurídicos para convencer as vítimas a fornecer dados pessoais e realizar pagamentos. Utilizam nomes, fotos, registros da OAB e até dados de processos judiciais verdadeiros, para ameaçar e extorquir pessoas em todo o Brasil. Os golpistas exploram seus “clientes” com falsas promessas para agilizar processos judiciais. Porém, após o pagamento, as vítimas ficam sem o dinheiro e sem a solução de seus casos.
“Muitas vezes até nós advogados ficamos em dúvida sobre a veracidade. Porque em alguns casos, os golpistas criam documentos. Aí é mais fácil de identificar. Já em outros casos, eles pegam um documento já pronto e mudam apenas um trecho do texto original. E não para só por aí. A atuação está cada vez mais sofisticada. Coisa profissional”, comenta a presidente da OAB Campos, Mariana Lontra Costa.
Como forma de esclarecimento e alerta à população fluminense, a OAB-RJ destrincha ainda as variadas formas em que o golpe vem sendo aplicado. A cartilha destaca que os golpistas utilizam diversos mecanismos para induzir as vítimas a realizar pagamentos via Pix, boletos ou transferências bancárias, a pretexto de resolver problemas ou agilizar procedimentos judiciais. “Chegam a forjar documentos e abrir contas falsas para convencer as vítimas a fazer pagamentos”, alerta a OAB-RJ.
O golpe na prática
Com dados públicos de processos judiciais, os criminosos entram em contato por ligação telefônica ou por aplicativos de mensagens e aplicam diferentes discursos. Entre os exemplos estão: dizer que a vítima tem valores a receber decorrentes de uma decisão jurídica, uma herança deixada por um desconhecido, precisam de ajuda para a resolução de um processo ou até para enfrentar uma ameaça de processo. Utilizam sentenças alteradas, com nomes e dados de processos reais, para convencer as pessoas. Acessando bancos de dados públicos, plataformas processuais e redes ilícitas, eles reúnem o nome completo da vítima, CPF, tipo de ação, número de processos, valores e outras informações. Com esses dados, induzem a pessoa a realizar o pagamento. Também são utilizados e-mail, SMS e links fraudulentos nesses contatos para reforçar a veracidade das narrativas.
Quando o golpista consegue convencer a pessoa, pede a realização de transferências via PIX ou por boletos, que chegam até a estampar logotipos de tribunais para simular se tratarem de documentos autênticos. Os criminosos podem também convencer as vítimas a trocarem suas chaves de acesso PIX, para que a transferência seja feita diretamente aos golpistas, alegando que o pagamento prévio de determinado valor é necessário para liberar o suposto “crédito” existente no processo.
“A gente vai descobrindo as novidades e o aperfeiçoamento dos golpes a partir do momento que os advogados relatam. O que tem acontecido e deixado muitas pessoas com dúvidas é o seguinte modus operandi: o criminoso envia um link como se fosse para participar de uma audiência. Já tivemos informações que tem casos de uso da Inteligência Artificial para forjar a imagem do advogado, ou voz dele, por ligação. Nessa audiência, é como se o juiz falasse na hora para a pessoa fazer um depósito para depois receber algum valor. É simulada uma situação, como se fosse o juiz falando na presença de um advogado. O que, é importante destacar, que não acontece. É sempre válido estar atento aos canais oficiais e, na dúvida, fazer contato com o fórum para confirmar se existe realmente algum link naquele processo”, comenta a advogada.
Em nota, a Polícia Civil declarou que atua com ações de inteligência para rastrear as práticas ilícitas, identificar os criminosos e responsabilizá-los criminalmente. “A instituição orienta que todos os casos sejam registrados para que possam ser apurados de forma individualizada e para que os autores sejam identificados”, alerta.

