Polícia Civil e MPRJ cumprem 18 mandados de busca e apreensão. Há suspeitas de desvio de recursos, lavagem de dinheiro e organização criminosa

A Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público estadual deflagraram, nesta quinta-feira (1º), a Operação Escola de Papel, que investiga suspeitas de irregularidades em contratos de obras e serviços da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc-RJ). Segundo os investigadores, o possível prejuízo aos cofres públicos pode chegar a R$ 1,6 bilhão.
Ao todo, são cumpridos 18 mandados de busca e apreensão. Não há, nesta etapa da operação, mandados de prisão.
Entre os alvos está a ex-secretária estadual de Educação Roberta Barreto de Oliveira. Também são investigados Yurie Lopes Fonseca Ormonde André, genro dela; David de Andrade Marinho Filho, ex-subsecretário de Gestão Administrativa da Seeduc; e Fabio Martins Pereira, apontado pela investigação como operador financeiro do suposto esquema.
Até a última atualização, as defesas dos investigados não haviam se manifestado sobre as acusações.
Contratos sob investigação
De acordo com a apuração, licitações da Secretaria de Educação teriam sido direcionadas para a empresa MCK Reformas e Construções Ltda., que recebeu cerca de R$ 6 milhões em contratos. Desse valor, aproximadamente R$ 4 milhões teriam sido repassados a Fabio Martins Pereira, proprietário da Virtual Construtora Ltda.
A investigação também aponta que, em janeiro deste ano, Marcos José Mendes Ferreira, proprietário da MCK Reformas, teria sacado R$ 500 mil em espécie em uma agência bancária de Duque de Caxias.
Segundo os investigadores, o dinheiro teria sido transportado em um veículo registrado em nome de Yan Lopes Fonseca Ormonde André, irmão de Yurie. A apuração aponta ainda uma relação empresarial entre o policial militar responsável pela escolta dos valores e o pai dos irmãos.
Somente em 2025, a MCK Reformas teria recebido mais de R$ 11 milhões em recursos públicos. Parte significativa dos valores, segundo a investigação, teria sido retirada em dinheiro vivo.
Os investigadores afirmam ainda que a empresa funcionava em um endereço residencial, não possuía funcionários registrados e não apresentava estrutura compatível com a execução de grandes obras. Mesmo assim, teria sido contratada para realizar reformas de alto valor em escolas estaduais.
Os envolvidos são investigados por suspeitas de direcionamento de contratações públicas, desvio de recursos, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Apuração começou após denúncias
As investigações tiveram como ponto de partida denúncias sobre o aumento dos gastos da Secretaria de Educação por meio do sistema descentralizado de pagamento.
Levantamentos divulgados em fevereiro apontaram que mais de R$ 1 bilhão havia sido movimentado pelo sistema em dois anos: R$ 630,2 milhões em 2024 e R$ 513,3 milhões em 2025.
As denúncias também apontaram possíveis vínculos entre empresas que disputavam contratos para obras em escolas estaduais. Entre os indícios levantados estavam o compartilhamento de funcionários, serviços de contabilidade e consultorias.
O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) também abriu investigação para apurar possíveis irregularidades nas contratações e na utilização do sistema descentralizado para financiar reformas na rede estadual de ensino.
Com informações do G1

