Dr. Vitor Arantes integrou a equipe responsável pelo primeiro tratamento endoscópico do divertículo de Zenker realizado no interior fluminense

O cirurgião endoscopista Dr. Vitor Arantes é um dos principais especialistas brasileiros em endoscopia digestiva terapêutica e referência internacional em procedimentos endoscópicos minimamente invasivos. Ele participou do primeiro procedimento endoscópico do divertículo de Zenker realizado no interior fluminense, no Hospital Dr. Beda, ao lado do endoscopista do Beda Prime, Dr. Guilherme Falcão e equipe.
Formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde também concluiu mestrado, doutorado e atua como professor da Faculdade de Medicina, Dr. Vitor Arantes possui especializações no Brasil, Espanha, Estados Unidos e Japão, com destaque para técnicas avançadas de cirurgia endoscópica, ecoendoscopia e tratamento de neoplasias precoces do trato gastrointestinal.
Coordena o Setor de Endoscopia Digestiva do Hospital das Clínicas da UFMG e a Unidade de Endoscopia do Hospital Mater Dei Contorno. Participa de importantes entidades como a Organização Mundial de Endoscopia (WEO), a American Society for Gastrointestinal Endoscopy (ASGE) e a Japanese Gastroenterological Endoscopy Society (JGES).
Dr. Vitor Arantes, o senhor possui um currículo de destaque internacional e está operando pela primeira vez no Hospital Dr. Beda, em Campos dos Goytacazes. Como foi essa experiência e que avaliação faz desse procedimento?
Primeiramente, quero dizer que é uma honra estar aqui e colaborar com o Hospital Dr. Beda ao lado dos colegas Dr. Guilherme Falcão, Dr. José Antônio Barroso e de toda a equipe que nos recebeu. Encontramos uma instituição com excelente infraestrutura, organização e profissionais altamente capacitados. Isso nos deu total tranquilidade para realizar o procedimento, que transcorreu de forma muito satisfatória e foi concluído com sucesso.
Essa é uma técnica pioneira na região. Como o senhor avalia a evolução desse tipo de procedimento no Brasil e no mundo? Trata-se de uma prática em expansão?
Durante muito tempo, a endoscopia foi vista apenas como um exame diagnóstico. As pessoas costumam associá-la à investigação de sintomas como dor no estômago ou refluxo. De fato, ela continua sendo uma ferramenta diagnóstica extremamente importante.
No entanto, nos últimos anos, a endoscopia evoluiu significativamente e passou a ser também um método terapêutico e cirúrgico. Hoje realizamos diversos procedimentos minimamente invasivos por via endoscópica, substituindo, em muitos casos, cirurgias convencionais que exigem incisões e apresentam recuperação mais lenta.
Com resultados comparáveis aos da cirurgia tradicional, conseguimos tratar diferentes doenças oferecendo menor morbidade, menor risco de complicações, recuperação mais rápida, menos sofrimento para o paciente e redução dos custos do tratamento.
O senhor possui experiência profissional nos Estados Unidos, Japão e Europa. Como compara o Brasil, em termos de tecnologia e qualificação, com esses países?
Essa também é uma pergunta muito interessante. O Japão é, sem dúvida, a principal referência mundial em endoscopia, especialmente no desenvolvimento das técnicas mais inovadoras da chamada endoscopia do terceiro espaço, ou cirurgia endoscópica.
O Brasil, porém, foi um dos primeiros países a incorporar essas técnicas de forma pioneira. Hoje contamos com especialistas que possuem o mesmo nível de qualificação de profissionais da Europa, dos Estados Unidos e de outros grandes centros internacionais.
Em alguns aspectos, o Brasil foi até mais pioneiro que alguns desses países. Isso se deve à forte parceria construída ao longo de muitos anos entre a endoscopia brasileira e a escola japonesa, o que permitiu ao país não apenas adotar precocemente essas técnicas, mas também se tornar um centro de formação e difusão desse conhecimento. Atualmente, o Brasil ocupa uma posição de destaque internacional na área da cirurgia endoscópica.
Que orientação o senhor deixaria para a população sobre prevenção, realização de exames e a importância de procurar um especialista?
É fundamental que a população saiba que, a partir dos 45 anos — idade atualmente recomendada para o início do rastreamento, anteriormente fixada em 50 anos — aumenta a incidência de lesões no trato gastrointestinal, incluindo tumores do intestino, do esôfago e do estômago. Por isso, recomenda-se que, a partir dessa faixa etária, as pessoas procurem um gastroenterologista ou um endoscopista para iniciar a investigação preventiva.
Muitas dessas doenças não provocam sintomas nas fases iniciais. Os exames de rastreamento são essenciais justamente porque permitem identificar alterações precocemente, aumentando significativamente as chances de tratamento e cura. Quando os sintomas aparecem, muitas vezes a doença já se encontra em estágio mais avançado.
A recomendação é não esperar o surgimento dos sintomas para buscar avaliação médica. Essa orientação é ainda mais importante para pessoas que possuem familiares de primeiro grau com histórico de câncer de intestino, pólipos ou outras doenças intestinais. Nesses casos, a avaliação preventiva deve começar mais cedo, sempre de acordo com a orientação do especialista.
