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A semana em que Jaques Wagner, que antes disse que não sairia, saiu e admitiu relação com ex-sócio do Master; Michelle detona Flávio e Lula amplia ‘bondades’ para R$ 215 bilhões

Decorridos 40 anos após a redemocratização, momento a partir do qual o Brasil se desvencilhou das amarras da ditadura e avistou horizonte de politização, liberdade, desenvolvimento e avanços sociais, — o País se vê diante de uma eleição presidencial num cenário marcado por investigações de corrupção, escândalos, ódio e inexistência de um projeto de políticas públicas de vanguarda e exequível.
O epicentro desse desastre político é o caso Master — escândalo financeiro que abalou os 4 cantos da república e que parece estar longe de ser dimensionado. Ainda pior, atinge diretamente as pré-candidaturas dos dois candidatos que polarizam a disputa: Flávio Bolsonaro, flagrado em mensagens pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro e Jaques Wagner — até semana passada líder do governo Lula no Senado — apontado pela Polícia Federal de ter recebido vantagens indevidas do ex-banqueiro.
Flávio e a “República da Bahia”
No caso do senador do PL, primeiro negou, depois confirmou; mas omitiu outros contatos. Em suma, mentiu. Já Wagner negou tudo, disse que nunca recebeu dinheiro de ninguém… Que não deixaria a liderança e expôs Lula ao falar que recebeu solidariedade do presidente. Uma semana depois voltou atrás e saiu de fininho: “Acabei de ter uma ótima reunião com o presidente Lula, uma conversa entre amigos...”. Ora, se “uma ótima reunião” resultou em sua saída, qual seria o resultado se a conversa não tivesse sido “ótima”? Desculpa esfarrapada de quem pode vir a ser apontado como protagonista da “República da Bahia”, que vai do Credcesta a apartamento e uso de jatinhos.
Escolheu mal?
Bolsonaro deve estar de cabelo em pé e arrependido de não ter indicado Tarcísio de Freitas, um moderado de direita, para concorrer à Presidência. Seria o nome mais adequado, tendo em conta que além dos votos da direita bolsonarista, arregimentaria a simpatia dos moderados. Mas preferiu o filho. Afinal, é seu nome —mesmo que ‘dê ruim’.
Acontece que Flávio não tem o ímã do pai — aquela coisa que atrai as pessoas — e nem é lá muito simpático. Sua campanha tem sido um desastre do ponto de vista estratégico, de coordenação. Para completar, não se aproximou o bastante da madrasta, não fez as pazes com Michelle e a resposta veio através de um vídeo que vai custar ao senador preciosos votos do eleitorado feminino.
A vingança de Michelle
É fato, a mulher de Jair Bolsonaro lavou roupa suja em público. Sabia muito bem que sua fala prejudicaria. Mas teve um propósito: vingança. Como vai se acertar com o marido ou se teve o consentimento dele — o que, a priori, afigura-se difícil —só adiante será conhecido. (Se for).
O ex-mandatário encontra-se debilitado, possivelmente não está comandando nada e pode, até mesmo, estar refém de uma dependência emocional. De toda sorte, a situação vem de longe. Em maio, quando perguntada sobre a situação de Flávio ante a revelação do Master, fez questão de não se pronunciar a favor do enteado: ‘O Flávio… Tem que perguntar para o Flávio’.
Brasil paga a conta
Nesse jogo asqueroso de perde-perde, é preciso aguardar para ver quem vai perder mais. Não se sabe até onde irá chegar o Caso Master, mas é provável que ande na direção do Planalto. Seja como for, Lula tem como adversário um candidato fraco. Sim. Flávio é fraco. E ele, Lula, tem a cancha de quem já disputou seis eleições e soma três mandatos de presidente. De mais a mais, conta com 38 ministérios trabalhando para sua reeleição — a máquina a todo vapor — por isso, em tese, tem ligeiro favoritismo no pleito de outubro.
Faz um governo muito ruim, não cumpriu as promessas de 2022 tampouco trabalhou para unir o Brasil. Contudo, abre um ‘pacote de bondades’ em ano eleitoral que chega a R$ 215 bilhões. Isso vai custar alto ao País — uma conta amarga que irá chegar em 2017 para quem vencer a eleição. Se for ele, leva na conversa e culpa, de novo, seu antecessor. Se for Flávio, ou outro, vai jogar nos ombros do petista. De um jeito ou de outro, é o Brasil que vai ser sacrificado — como de costume.
Gerp dá vantagem de 2 pontos a Flávio
Por ora, nesse final de junho, a situação é de relativa igualdade de acordo com levantamento do Instituto Gerp, divulgado semana passada, dia 24. Como a pesquisa foi feita no período de 15 a 20 de junho, possivelmente não ‘pegou’ a ligação Wagner-Master, que só veio a público na operação da PF do dia 18.
De acordo com o instituto, em cenário de 2º turno — que é o mais relevante — Flávio e Lula estariam tecnicamente empatados, com o senador registrando 42% das intenções de voto e o presidente 40%.
Em horizonte de primeiro turno, Lula marca 37 e Flávio 34. Caiado aparece com 4 pontos, seguido de Renan Santos e Romeu Zema, ambos com 3 pontos percentuais

