Diferentes percepções nas ruas de Campos sobre a disputa eleitoral deste domingo (4) marcada pela polarização acirrada

Há uma semana, o J3News publicou uma matéria especial sobre os preparativos para as eleições deste domingo (4). A reportagem “Campos com 370 mil votos em jogo” apresentou um recorte do comportamento do eleitorado brasileiro. De acordo com a Justiça Eleitoral, mais de 158 milhões de brasileiros estão aptos a votar. A campanha, marcada pela acirrada disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que aparecem em empate técnico em diferentes pesquisas, além de escândalos envolvendo o Supremo Tribunal Federal, tem deixado parte dos eleitores desanimada e desconfiada.
A proximidade das eleições deste ano encontra, nas ruas de Campos dos Goytacazes, eleitores com diferentes níveis de interesse pelo processo eleitoral. Entre os entrevistados, aparecem preocupação, desconfiança e também defesa da participação nas urnas como instrumento de decisão. A polarização política permanece presente, especialmente nas disputas para a Presidência da República e o Governo do Rio de Janeiro. Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL) se destacam na corrida ao Palácio Guanabara.
O cenário político dos últimos meses, marcado por denúncias e escândalos relacionados a fraudes financeiras e envolvendo empresários, políticos de diferentes partidos e integrantes do Supremo Tribunal Federal, também contribui para a desconfiança de parte da população. Para alguns eleitores, o momento é de incerteza e pouco entusiasmo em relação às eleições.
Aos 80 anos, o aposentado Agassis Filho não é mais obrigado a votar. Ele deixou de comparecer às urnas aos 70 anos, quando o voto passou a ser facultativo. Desiludido com a política, afirma não acreditar mais nos candidatos e nas instituições. “Não pretendo votar em nenhum candidato, mas me preocupa a possibilidade de uma ditadura”, diz.
A cabeleireira Simone Correia está entre os eleitores que pretendem participar da votação, embora admita não estar empolgada com o processo eleitoral. “Tenho desconfiança em relação aos políticos, principalmente pelas promessas que não são cumpridas”, comenta.
Em outra perspectiva, o corretor Luiz Carlos Chicri considera a participação eleitoral essencial, independentemente das posições políticas de cada cidadão. “Independentemente do posicionamento ideológico, o cidadão deve expressar sua opinião nas urnas. Quem se abstém perde legitimidade para reclamar das decisões e dos rumos do país”, diz.
Moradora de Guarus, Márcia Oliveira também considera importante escolher representantes comprometidos com as demandas da população, mas demonstra dúvidas sobre os efeitos do voto. “Só não tenho certeza de que o voto seja capaz de transformar essa realidade”, resume.
Entre os eleitores mais jovens, o protético Felipe Nunes, de 21 anos, demonstra maior expectativa com a disputa deste ano. Ele votou pela primeira vez nas eleições municipais de 2024 e agora participará pela primeira vez de uma eleição geral, escolhendo candidatos a presidente, governador, senador e deputados estadual e federal no dia 4 de outubro.
“Estou com uma expectativa mais alta para esta eleição, porque temos mais opções. É necessário que as pessoas compareçam às urnas. Eu acredito que votar é importante para todas as pessoas, principalmente para nós, jovens, porque temos o poder de decisão nas nossas mãos”, conclui.

