domingo, maio 24

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Foto: Silvana Rust

O J3 segue os trilhos do que restou da malha rodoviária de Campos e uma história de mais de 150 anos, cujo principal ponto de memória é o prédio da RFFSA, onde hoje funciona a Secretaria Municipal de Educação. Ludicamente poderíamos dizer que estamos perdendo não só o trem da história, mas também seus vagões.

Desde o início deste ano, grande parte da composição dos trens que operavam na malha ferroviária da cidade está sendo fragmentada e levada em carretas para o Espírito Santo. São 32 vagões inservíveis que foram revendidos pela companhia logística VLI, gestora da Ferrovia Centro Atlântica (FCA) em todo o país.

Se essa linha de desmontagem da Rede Ferroviária Federal é coisa do século passado, ela está se consumando no presente, com esses equipamentos sendo cortados possivelmente para reciclagem.

Na linha, não férrea, mas a do tempo, percebe-se a perda de uma rica e sucateada história. Restavam poucos fragmentos dela. A estação de Goitacazes, por exemplo, virou Casa de Cultura que leva o nome do maior escritor de Campos, José Candido de Carvalho.

O progresso é uma locomotiva capaz de atropelar trens, como se configura agora. Não houve tempo, ou não foi dado, para se discutir se o melhor destino destes vagões seria mesmo a reciclagem.

 Outro ponto de memória desta história sucateada é a chamada ponte de ferro sobre o Rio Paraíba do Sul, que é um ativo histórico e modal que tem que ser preservado a qualquer custo.

Tudo isso merece uma reflexão sobre esses pontos de memória. De certa forma, todos os dias, sentimos a sensação de termos perdido o trem da história, das locomotivas aos seus vagões.

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