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Fundada em 1947, a instituição reúne artistas de diferentes áreas e mantém atividades voltadas à literatura, à música, ao teatro e às artes em geral

Campos

1 de novembro de 2026 – 0h08

Em Campos|Fundada em 1947, a instituição reúne artistas de diferentes áreas e mantém atividades voltadas às artes em geral (Fotos: Divulgação)

A Academia Pedralva de Letras e Artes completará 80 anos em 20 de fevereiro de 2027. Sua trajetória é dedicada à valorização da produção artística e cultural de Campos dos Goytacazes. Fundada em 1947, a instituição reúne artistas de diferentes áreas e mantém atividades voltadas à literatura, à música, ao teatro e às artes em geral. O presidente da APLA, Carlos Augusto Souto de Alencar, destaca o caráter popular e democrático da entidade, que surgiu a partir de encontros de escritores em uma oficina de bicicletas no Centro da cidade.

“Nossa prioridade é valorizar a arte produzida em Campos dos Goytacazes. Fazemos isso há 80 anos, sem qualquer interrupção”, afirma Souto, que considera a Pedralva uma instituição de referência na continuidade da atividade cultural do município.

Ao longo de oito décadas, a Academia reuniu nomes como Pedro Manhães, Almir Soares, Walter Siqueira, Waldir Pinto de Carvalho, Vilmar Rangel e José Cândido de Carvalho, entre muitos outros. Segundo o presidente, a instituição contribuiu para a difusão da trova e do modernismo na cidade, além de participar de importantes acontecimentos culturais.

“Atualmente, o membro mais idoso da Pedralva é o ocupante da cadeira número 22, Joel Maciel Soares, irmão do fundador Almir Soares, que nasceu em 27 de abril de 1927. Ele é escritor, principalmente de livros de filosofia espírita. Já a mais nova em idade e na Casa é a ocupante da cadeira 20, Laís Larissy Alves Silva que nasceu em 21 de abril de 1996. Ela é atriz, musicista, cantora e poetisa. Tomou posse no dia 12 de setembro de 2026”, conta o presidente da Academia.

A programação regular da instituição inclui saraus, palestras, reuniões e lançamentos de livros na Sala Pedro Manhães, no Palácio da Cultura. A Academia também abre espaço para artistas que desejam apresentar seus trabalhos, independentemente de serem integrantes da instituição. Para Souto, aproximar crianças e jovens da produção artística local é parte essencial dessa missão.

“Um dos desafios atuais é ampliar a participação do público em atividades presenciais diante do crescimento do entretenimento digital. A Pedralva mantém perfis em redes sociais, blog e outros canais digitais, buscando divulgar os artistas e alcançar novas gerações sem perder o convívio e a fraternidade que caracterizam a instituição”, revela.

Mais cultura e celebração
O presidente da APLA também defende maior aproximação com escolas, universidades e poder público. “Foi encaminhado à Câmara de Vereadores um projeto para a criação de academias de letras e artes nas escolas, com o objetivo de colocar estudantes interessados em contato com artistas e incentivar novos talentos”, conta Souto de Alencar.

Na preservação da identidade municipal, o presidente considera a cultura fundamental para manter vivas as particularidades históricas de Campos. “Uma instituição cultural histórica como a Pedralva tem essa obrigação: defender a cultura campista. Destacamos a importância de reconhecer a diversidade cultural e estimular o intercâmbio com outras instituições. A Academia é fundadora da Federação das Academias de Letras do Estado do Rio de Janeiro e recebeu o Prêmio Heloneida Studart, da Assembleia Legislativa fluminense”.

As comemorações dos 80 anos estão previstas para 20 de fevereiro de 2027, com uma festa aberta ao público. A entidade também aguarda a conclusão do processo de doação definitiva de sua sede. Em janeiro de 2028, o espaço completará 50 anos, marco que deverá motivar novas atividades ao longo do ano.

Ao falar sobre o futuro, Souto defende que a população conheça e valorize seus escritores, artistas e tradições. “Que Campos não seja mais a cidade do ‘já teve’. Preservar manifestações como o jongo, valorizar o patrimônio histórico e manter vivas as tradições locais são formas de fortalecer o pertencimento e a identidade coletiva. A cultura é a base humanista de uma sociedade. Sem ela, somos repetidores do que vem de fora. Perdemos nossa alma”, conclui o presidente da Academia Pedralva.

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