Bienal Internacional de Fotografia e Arte em Papel vai acontecer entre os dias 15 e 20 de setembro, em Osaka

A região Norte Fluminense estará representada na primeira Bienal Internacional de Fotografia e Arte em Papel. O evento vai acontecer entre os dias 15 e 20 de setembro, no Enokojima Art Center, em Osaka, no Japão. Entre os trabalhos selecionados está “Nossa Raiz Tem Nome”, do fotógrafo campista Tarcisio Nascimento. Ele recebeu na semana passada o convite do Instituto Cultural Europeu e Latino Americano.
A Bienal tem o objetivo de promover a imersão dos participantes na cena artística local, além de fomentar trocas culturais e aprofundar o conhecimento em artes visuais, arquitetura e cultura japonesa. O trabalho de Tarcisio é um projeto documental sobre as tradicionais fábricas de farinha de São Francisco de Itabapoana.


“É uma produção artesanal e ancestral que também faz parte da minha própria história: meus dois avôs foram proprietários de fábricas de farinha, assim como outros familiares que trabalharam nessa atividade ao longo de suas vidas”, comenta Tarcisio.
O projeto ganhou o 1º Concurso de Fotografia do Festival de Farinha de São Francisco de Itabapoana, promovido pela Aprofar (Associação de Produtores de Mandioca e Fabricantes de Farinha), na categoria Produto.
“Nas localidades de São Francisco, a farinha de mandioca é muito mais do que alimento. É memória, trabalho, conhecimento e uma tradição que atravessa gerações. Em lugares como Santa Rita e Fazendinha, onde as casas de farinha fazem parte da paisagem e da vida das famílias, existem histórias que não estão escritas em livros. Elas vivem nas mãos de quem planta, colhe, raspa, prensa, torra e transforma a mandioca em farinha”, pontua o fotógrafo. Ele acrescenta ainda, sobre o pertencimento que o trabalho carrega:
“É nesse chão que também estão fincadas as minhas raízes. Sou neto de João Elias e Zé Cruz, dois homens que, décadas atrás, também fizeram da farinha seu sustento e seu modo de vida — um em Fazendinha, outro em Santa Rita. Talvez seja por isso que, quando fotografo essas casas de farinha, eu não esteja apenas registrando uma tradição”, complementa. Tarcisio enfatiza ainda sobre a representividade e o significado do projeto:


“Cada imagem carrega um pouco da memória que chegou até mim através deles. Uma memória feita de terra, fogo, mandioca, trabalho e pertencimento. Uma ancestralidade que não precisa ser explicada, porque está presente naquilo que sinto quando volto para esse lugar”, diz.
A AVA Art Bienal é realizada pela AVA Galleria, conceituada galeria de arte contemporânea fundada na Finlândia, hoje com sede no Brasil, localizada na Fábrica Bhering, no Rio de Janeiro. A iniciativa vai proporcionar aos participantes um catálogo físico e virtual, que será distribuído em várias instituições culturais e galerias de arte no Japão, na Finlândia e no Brasil.


Vaquinha virtual
Por questões burocráticas relacionadas a visto e passaporte, o fotógrato campista não poderá marcar presença nas exposições internacionais. Mas, pretende acompanhar pessoalmente as etapas no Rio e em São Paulo, representando a história e a cultura do Norte Fluminense. Para isso, Tarcisio está realizando uma vaquinha virtual, com a meta de arrecadar R$ 5 mil. Deste valor, R$ 1,2 mil serão destinados aos custos de inscrição e participação e R$ 3,8 mil para transporte e hospedagem.
“Qualquer contribuição, independentemente do valor, será muito importante para que eu consiga participar desse momento e levar a história da nossa farinha, das nossas famílias e das nossas raízes para outros lugares do Brasil e do mundo. Nossa raiz tem nome. E agora, ela também tem lugar no mundo”, destaca Tarcisio.
A vakinha pode ser acessada através deste link.
